Rio+20 é a conferência de todos (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h00

por Sha Zukang*

Slide1 Rio+20 é a conferência de todosNações Unidas, 1/6/2012 – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, é uma oportunidade única em uma geração. Mais de 135 chefes de Estado e de governo, e mais de 50 mil participantes no total, incluindo executivos de empresas e representantes da sociedade civil, estarão presentes. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, definiu o encontro como “uma das mais importantes conferências da história” da ONU.

Não nos equivoquemos, o mundo está observando. Com a interdependência sem precedentes que vivemos hoje, o desenvolvimento sustentável é a única via para enfrentar os desafios econômicos, sociais e ambientais que afetam milhões de pessoas e ameaçam nosso planeta compartilhado.

Os progressos no desenvolvimento sustentável se traduzem em alimentos na mesa de milhões de pessoas que hoje sofrem fome, bem como em oportunidades de trabalho decente, em acesso a água potável e na capacidade de respirar ar puro e caminhar por uma mata cheia de vida. Além disso, o desenvolvimento sustentável assegura que cada mulher tenha iguais oportunidades e que cada menino e menina tenha a possibilidade de ir à escola, de ter acesso a saneamento básico, crescer em um ambiente socialmente inclusivo e aspirar um futuro promissor.

Talvez, muitos de nós sejamos suficientemente afortunados para darmos como assentadas estas bases do desenvolvimento sustentável. Contudo, devemos fazê-lo?

Nosso sobrecarregado planeta enfrenta um grande número de desafios: as repercussões da recessão econômica global, a insegurança energética, a escassez de água, os altos preços dos alimentos, as vulnerabilidades diante da mudança climática e a frequência e severidade dos desastres naturais, entre outros.

A natureza destes desafios nos recorda uma verdade importante: somos um, e estamos interligados de infinitas maneiras. Estes desafios não afetam apenas um país ou uma região. São de natureza global e têm impacto sobre todos. No mundo de hoje, o que acontece em uma parte do planeta pode facilmente repercutir em outra. Não podemos continuar com a mesma atitude, vivendo do tempo emprestado, e consumindo recursos como se existissem cinco planetas.

A Rio+20 não é “apenas outra conferência da ONU”. Por que o fórum mundial a está convocando? Não se trata de adotar normas e regulações à custa da qualidade de vida, mas de estimular e facilitar mais sábias opções para indivíduos, comunidades locais, negócios e governos.

Combinadas, nossas opções determinam a saúde de nossas economias, de nosso planeta e de nossa sociedade. O Rio de Janeiro é uma importante oportunidade para assegurar que os líderes globais respeitem seus compromissos para um mundo sustentável, tanto econômica quanto social e ambientalmente, e para que escolham políticas a favor do povo e do planeta.

Uma ideia que ganha cada vez mais apoio são as Metas de Desenvolvimento Sustentável (MDS), que complementariam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. As MDS, aplicáveis e mensuráveis, dariam uma concreta expressão ao renovado compromisso político pelo desenvolvimento sustentável. No Rio de Janeiro espero ver ações para avançar em direção a uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

Na verdade, vários temas reclamam ação urgente: empregos decentes, especialmente para os quase 80 milhões de jovens que entram anualmente no mercado de trabalho; sistemas de proteção social; inclusão social; acesso a energia; eficiência e sustentabilidade. Além disso, segurança alimentar e agricultura sustentável, gestão racional da água, cidades sustentáveis, proteção e administração de oceanos e melhor resistência e preparação diante de desastres naturais.

Os governos também terão que decidir com qual marco institucional se pode avançar melhor na agenda do desenvolvimento sustentável e proporcionar um espaço para que a sociedade civil e o setor privado desempenhem seu papel. Na verdade, todos os setores da sociedade podem desenvolver tecnologias que ajudem a transformar o mundo para melhor, criar empregos verdes e influenciar positivamente a sociedade por meio da responsabilidade social das corporações.

A sociedade civil pode responsabilizar os governos e assegurar que as vozes dos mais vulneráveis estejam representadas. Os cientistas podem desenvolver soluções inovadoras para os desafios da sustentabilidade, e cada um de nós também tem uma parte nas decisões que tomamos a cada dia.

A Rio+20 é a conferência de todos, assim como o planeta também é de todos. Suas metas, suas aspirações e seu resultado pertencerão a todos. Por fim, não esqueçamos que a Rio+20 também é uma conferência para as futuras gerações. Um famoso provérbio indígena norte-americano diz: “Não herdamos a Terra de nossos ancestrais, mas a tomamos emprestada de nossos filhos”.

Juntos, participando de um pensamento criativo, de iniciativas para avançar e de compromisso voluntários, podemos conseguir consenso e procurar um mundo que faça nossos descendentes se orgulharem. Trabalharemos unidos para criar o futuro que queremos. Envolverde/IPS

* Sha Zukang é secretário-geral adjunto da ONU, diretor do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais e secretário-geral da Rio+20.

Rio+20 será um fracasso, avalia Eduardo Viola, especialista em clima e professor da UnB (Agência Câmara de Notícias)

01/06/2012

Eco Debate

A afirmação foi feita durante audiência pública realizada pela Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas para debater a economia verde no contexto da erradicação da pobreza e o papel da governança para o desenvolvimento sustentável.

O professor avaliou que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não terá grandes avanços porque as duas das maiores superpotências – Estados Unidos e China – não estão interessadas em negociações ambientais. “Neste momento, temos três superpotências no sistema internacional: Estados Unidos, União Europeia e China. Dessas três só a União Europeia, mesmo que limitadamente, se orienta para uma economia mais verde. Estados Unidos e China são conservadores e não querem ceder soberania nacional”, explicou.

Na opinião de Eduardo Viola, a Rio+20 vem em um “momento errado da História” e não deve passar de “acordos superdifusos que vão apenas repetir coisas já ditas em conferências anteriores”. Para ele, a Rio+20 só teria condições de sucesso se houvesse profundas mudanças políticas nas três superpotências.

Conselho de Desenvolvimento Sustentável
O professor citou outras transformações necessárias no caminho da sustentabilidade. Entre elas, a criação de uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Viola, entretanto, não acredita que essas mudanças acontecerão em um futuro próximo.

O diretor interino do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Paulino Franco de Carvalho Neto, defendeu a criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). “O conselho teria mais poderes e um status mais elevado do que a atual Comissão de Desenvolvimento Sustentável, que tem um caráter mais de discussão, com pouco alcance de resultados concretos que interferem nas políticas públicas”, observou.

Carvalho Neto disse que o governo brasileiro defende o reforço do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), estabelecendo, por exemplo, que as contribuições dos países para o programa sejam obrigatórias e não voluntárias. O diretor ressaltou ainda que “as questões ambientais não devem ser vistas isoladamente, devem englobar também as questões sociais e econômicas”.

Aspecto social
Já o professor da USP Eliezer Martins Diniz disse que o conceito de economia verde não tem grandes diferenças em relação ao de desenvolvimento econômico sustentável.

O Pnuma, lembrou, define economia verde como “a que resulta em um maior bem-estar humano e igualdade social enquanto reduz significativamente o risco ambiental e a escassez ecológica”.

Diniz, que é economista e especialista em desenvolvimento sustentável, considera o conceito redundante. “A definição de desenvolvimento sustentável já trata desses temas”. Ele explicou que a única diferença em relação aos dois conceitos é que o de desenvolvimento sustentável dá mais ênfase ao aspecto econômico e ambiental enquanto o conceito de economia verde engloba também o aspecto social.

O economista alertou ainda para a grande ênfase ao aspecto social, na frente das prioridades ambientais. “Pode ser uma ‘armadilha perigosa’, pois países em desenvolvimento podem argumentar que não cumpriram metas ambientais estabelecidas porque priorizaram a erradicação da pobreza.”

Na opinião do professor, se os países em desenvolvimento simplesmente disserem que têm como prioridade a erradicação da pobreza e que, por isso, não cumpriram nenhuma meta, não poderão ser cobrados. “É preciso haver cobrança de resultados ambientais muito claros.”

Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado

Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 01/06/2012

Economia verde, o nome não faz a essência (Inter Press Service)

Inter Press Service – Reportagens
31/5/2012 – 09h27

por Giuliano Battiston, da IPS

IPS1c Economia verde, o nome não faz a essênciaFlorença, Itália, 31/5/2012 – A atual crise econômico-financeira que afeta o Norte industrial apresenta uma oportunidade para reformar o sistema econômico, segundo participantes da nona edição do evento Terra Futura, sobre “boas práticas” em sustentabilidade social, econômica e ambiental. “O que, quanto, como e para quem produzir são as perguntas que temos de responder com urgência”, afirmou Guido Viale, economista ambiental e autor de vários livros de ecologia.

“A crise oferece a oportunidade de reconverter ecologicamente a forma como produzimos, usamos os produtos e serviços para preparar o caminho com vistas à redução de nossa dependência dos combustíveis fósseis para respeitar a biodiversidade e criar um sistema econômico seguro e com poucas emissões de carbono”, afirmou Viale durante a mostra, realizada entre 25 e 27 de maio nesta cidade. O primeiro passo para uma economia saudável e um ambiente limpo é “encontrar formas rentáveis de melhorar nossa infraestrutura e ‘descarbonizar’ nosso fornecimento energético”, disse Monica Frassoni, presidente da Aliança Europeia para Economizar Energia.

Esta organização foi criada por ocasião da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro de 2010, e inclui algumas das principais companhias multinacionais da Europa, além de um grupo de políticos de diversos partidos. “Sem compromissos obrigatórios com a eficiência energética até 2020 e sem objetivos de economia verificáveis para os membros da União Europeia (UE), o bloco corre o risco de alimentar sua dependência dos combustíveis fósseis”, destacou Frassoni.

Tão importante quanto ter um marco institucional e objetivos de economia setoriais nas principais áreas da economia europeia é conseguir uma mudança radical no estilo de vida. “As mudanças que vão durar são as que criarem raízes em uma mentalidade renovada”, explicou Karl-Ludwig Schibel, coordenador do braço italiano do Pacto dos Prefeitos. O movimento europeu pretende cumprir e superar o objetivo da UE de reduzir em 20% as emissões de dióxido de carbono (CO²) até 2020. O Pacto dos Prefeitos foi lançado pela Comissão Europeia em 2008, após a adoção do Pacote sobre Clima e Energia. “Realmente, acreditamos na efetividade de um processo de baixo para cima, promovido por cidadãos, autoridades regionais e administradores locais. É ali que ocorrem as revoluções mentais mais profundas”, detalhou Schibel.

Segundo a ambientalista Vandana Shiva, a consciência cultural de nossa escravidão intrínseca e frágil da “terra viva” é a ferramenta mais importante para promover a justiça, a sustentabilidade e uma nova economia. “É hora de abandonar o modelo centralizado, fossilizado e esclerosado, adotado na era industrial, e se construir um novo, descentralizado, democrático, horizontal e no qual todos os ecossistemas sejam respeitados e a diversidade seja um valor”, enfatizou.

“Devemos lutar contra as monoculturas mentais promovidas pela industrialização, e sermos cuidadosos com as velhas armadilhas escondidas em novas palavras, como economia verde”, acrescentou Vandana. Susan George, presidente do diretório do Transnational Institute, uma rede mundial de pesquisadores e ativistas, disse à IPS: “Não me agrada utilizar o termo economia verde, pois pode se converter em um meio pelo qual o capitalismo corporativo global consiga benefícios com um novo rosto mais respeitável”.

Vinte anos depois da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a comunidade internacional se reunirá novamente nessa cidade, de 20 a 22 de junho, para outra Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, onde se discutirá sobre economia verde, cujo adjetivo verde continua sendo motivo de controvérsia.

“Há alguns anos proponho o Novo Tratado Verde, isto é, assumir o controle das finanças e os investimentos na transição verde e social. O primeiro passo é socializar, não nacionalizar, os bancos, para incluir cidadãos e clientes na gestão, e conceder empréstimos para pequenas iniciativas ambientais”, contou Susan. A chamada economia verde é algo totalmente diferente. “Sou pessimista sobre a Rio+20”, declarou. “Será apenas uma desculpa para que as grandes corporações digam: ‘a ONU é lenta e ineficaz, nós somos efetivos e inteligentes, nos deem o dinheiro e investiremos em economia verde’. Porém, apenas buscam novos benefícios. Devemos perguntar: uma economia verde para quem e gerida por quem?”.

Barbara Unmüßig, presidente da Heinrich Boll Stiftung, escreveu em um artigo intitulado “Economia verde: uma nova bala mágica”, que “grandes setores da sociedade civil acreditam que a economia verde seja uma área extremamente benéfica”. Para marcar a diferença, o modelo de economia verde também dever prestar atenção a questões de poder e igualdade, e ao mesmo tempo afastar a ênfase política global do crescimento e livre comércio. Envolverde/IPS

(IPS)

‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki-moon sobre negociações da Rio+20 (EcoAgência)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 10h07

por Redação UNIC Brazil

Capa11 ‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki moon sobre negociações da Rio+20Rodada de negociações dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou hoje (29) a importância deste momento para o sucesso dos objetivos da Rio+20. Seu discurso foi feito durante o início da terceira e última rodada de negociações informais entre os representantes de governos e os ‘Major Groups’ para definir o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O encontro de líderes globais está ocorrendo em Nova York de terça-feira (29/5) a sábado (2/6). “O tempo está acabando”, disse Ban Ki-moon aos participantes da rodada informal. “Vocês ainda têm muito trabalho a fazer – talvez trabalho demais – mas vocês devem perseverar. Os riscos são muito, muito altos, para o povo e para o planeta, para a paz e a prosperidade.”

Esta rodada de negociações, que foi acrescentada no início do mês, dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro. O evento reunirá mais de 130 Chefes de Estado e de Governo, juntamente com milhares de parlamentares, prefeitos, funcionários da ONU, diretores executivos e líderes da sociedade civil.
As negociações serão baseadas em um texto que foi encurtado e simplificado pelos copresidentes do processo de deliberação, o Embaixador John Ashe de Antígua e Barbuda e o Embaixador Kim Sook da República da Coreia.

“Quando nos encontrarmos no Rio, os Chefes de Estado e de Governo devem ter diante de si um documento final conciso que atenda às suas expectativas”, disse Ban. Ele encorajou os delegados a serem ousados e trabalharem de forma construtiva com o documento simplificado ao longo dos próximos dias.

A questão-chave nas negociações tem sido o desenvolvimento dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – um conjunto de parâmetros de referência que orientem os países na obtenção de resultados específicos dentro de um período de tempo específico, como no acesso universal a energia sustentável e água limpa para todos, tendo como base os já conhecidos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), após o prazo final de 2015.

“Um processo que defina os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode ser um dos resultados mais importantes da Rio+20”, disse Ban. “Eles podem fornecer marcos concretos no caminho de realização da nossa visão, e podem ajudar a garantir a integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: social, econômica e ambiental.” Após a última rodada de negociações informais do documento final, as conversas serão retomadas durante a Terceira Reunião do Comitê Preparatório, que acontecerá no Rio de Janeiro, de 13 e 15 de junho.

Confira o discurso de Ban Ki-moon na íntegra: http://www.un.org/sg/statements/index.asp?nid=6087

Acesse o vídeo da participação do Secretário-Geral: http://bit.ly/MWAWVy

 * Publicado originalmente no site da EcoAgência.

Faculdade de Direito recomenda cotas na USP (OESP)

01 de junho de 2012 | 10h 00

AE – Agência Estado

A Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a unidade mais tradicional da Universidade de São Paulo (USP), aprovou ontem, por “aclamação” (unanimidade), recomendação para que a USP adote cotas raciais. A declaração, que deve seguir para o Conselho Universitário, pode ser o primeiro passo para que a instituição comece a discutir esse tipo de ação afirmativa.

A recomendação foi votada na Congregação da faculdade, que reúne professores e alunos. A reunião teve a participação de representantes do movimento negro, que defenderam as cotas. “Esse é um passo muito importante porque reconhece que o debate sobre cotas está amadurecido e que os programas da USP não alteram a desigualdade entre brancos e negros”, afirma Clyton Borges, do movimento Uneafro Brasil. A Uneafro faz parte da Frente Pró-Cotas, que reúne 70 organizações do movimento negro e fomentou a discussão.

A USP não adota sistema de cotas ou mesmo bonificação para negros no vestibular. A universidade mantém apenas um programa de inclusão para estudantes da rede pública e o considera satisfatório. Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela legalidade das cotas, fortalecendo o debate do tema, a USP não cogitou discutir o tema.

Para o professor de Direito Marcus Orione, é simbólico que a primeira declaração oficial pelas cotas na USP tenha saído do Largo São Francisco. “A decisão nos faz resgatar a história da faculdade em defesa da democracia. Temos uma unidade onde não há negros.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

This Forest Is Our Forest (N.Y.Times)

OP-ED CONTRIBUTOR

By LUIS UBIÑAS – Published: May 31, 2012

Twenty years ago, the world came together in Rio de Janeiro for a historic summit meeting to tackle the environmental issues that threaten the very sustainability and preservation of our planet. Now, as world leaders and thousands of other participants prepare for the Rio+20 Conference, we are facing an even more urgent set of environmental challenges.

Samrang Pring/Reuters. Koh Kong province, in southwestern Cambodia.

The pace of global climate change has worsened, representing a fundamental threat to the planet’s health and environmental well-being. And there is little indication the world’s leaders are ready to meet the challenges of building an environmentally sustainable future.

But there is some good news to report — and it’s coming from the world’s forests, a critical front line in the effort to slow climate change and conserve biodiversity. In a largely unreported global movement, some 30 of the world’s most forested countries have adopted an innovative idea for protecting forests: granting ownership rights to communities that reside in them.

Almost 90 percent of the laws granting such rights have been passed since the first Earth Summit in 1992, demonstrating that a global consensus can produce real change. A new report from the Rights and Resources Initiative — a global coalition of organizations working for forest-use reforms — presents a growing body of evidence that in places where local communities have taken ownership of forests, the results have been overwhelmingly positive. Protected areas, owned by indigenous communities in Asia and Latin America, have lower rates of deforestation, forest fires and, above all, carbon emissions.

Since forests also provide for the livelihoods of tens, even hundreds, of millions of people, clarifying and recognizing ownership rights is helping to spur economic growth and raise living standards.

In Brazil, which is hosting the Rio+20 summit — formally the United Nations Conference on Sustainable Development — deforestation rates have significantly declined, even as incomes in indigenous forest communities have increased. Brazil has moved toward this goal by giving communities the legal protections to keep out ranchers, loggers and others seeking to destroy their forests.

Yet the progress we’ve seen across the globe has been uneven, and the potential to build on it stands at risk. As chronicled in the R.R.I. report, most of the new laws that recognize customary rights circumscribe those rights and are applied at limited scale.

In Africa, nearly eight out of 10 laws that recognize the rights of indigenous peoples and communities do not allow them to exclude outsiders — a critical element of land ownership. Even where legal rights exist, complicated bureaucratic procedures often make it difficult to realize them. In Mozambique, for example, to qualify for “community concessions” local communities must provide six copies of a topographical map identifying all the detailed geographical features of the land. Not surprisingly, in 2009 — a decade after the act was passed — no concessions had been granted.

Worse still, some of the countries with rights on the books now find themselves at the center of a growing and troubling land grab by commercial investors focused on clearing forests for agriculture, with little concern for the local communities that call them home.

Recent efforts by wealthy ranchers to weaken land rights in Brazil illustrate this growing threat. In the face of rising food, mineral and energy prices, this fierce competition for land will only increase, making the need for strongly established community rights more important than ever before.

For all of these reasons, Rio+20 must build on the success of its predecessor and serve as a new impetus to expand and strengthen community rights to the world’s forests.

This means ensuring that billions of hectares of forest are turned over to local communities; it means engaging with the private sector to help clarify groups’ rights to land and forest; and it means creating new public/private partnerships, such as those that have been used to combat other global issues like H.I.V.-AIDS and malaria, to build public support for ownership rights. Above all, it means ensuring that the rights already recognized by governments are fully realized in local communities.

Taking action on these fronts will set us on a powerful course for a more sustainable and equitable future — just as it did 20 years ago. Actions that simultaneously strengthen human rights and achieve sustainable development are an unusual win-win. The fact that they also help stop deforestation and climate change makes them an even more attractive and urgent option.

At a time when the struggle against global warming seems more daunting than ever, our two decade-long experience with community forestry shows that we have within our means the ability to turn the tide.

Luis Ubiñas is president of the Ford Foundation.

Resultado mais forte da Rio+20 virá da sociedade civil, dizem cientistas (OESP)

Especialistas estimam que principal mensagem do evento será passado pela Cúpula dos Povos

21 de maio de 2012 | 3h 05
Giovana Girardi – O Estado de S.Paulo

A exatamente um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos ontem em São Paulo em debate sobre a conferência para o desenvolvimento sustentável manifestaram que, nessa altura dos acontecimentos, o melhor que se pode esperar do evento é que ele sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter - Divulgação
Divulgação
Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo.

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma.

“A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

Corporações x ciência: um jogo sujo (Ciência Hoje/Terra em Transe)

Em sua coluna de maio, Jean Remy Guimarães comenta as estratégias usadas por certos setores da indústria para enfraquecer evidências científicas que contrariam seus interesses e cita o exemplo de um documento divulgado recentemente que questiona o aquecimento global.

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Publicado em 18/05/2012 | Atualizado em 18/05/2012

Corporações x ciência: um jogo sujoCena do filme ‘Obrigado por fumar’ (2005), cujo protagonista, principal porta-voz da indústria do tabaco, passa a manipular informações de forma a transmitir uma imagem benéfica do cigarro em programas de TV. (imagem: reprodução)

Estamos testemunhando uma verdadeira guerra midiática em torno da questão das mudanças climáticas e sua relação com atividades humanas como a emissão de gases de efeito estufa. A chamada ciência do clima está sob fogo cerrado das corporações cuja operação implica a emissão desses gases.

A grande mídia comenta relatórios como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que reúnem observações, conclusões, previsões e recomendações de alguns milhares de climatologistas de todo o mundo. Mas, diante da ignorância generalizada sobre a ciência e seus métodos, basta a opinião ou eventual evidência científica de dois ou três céticos com cargos pomposos para criar a dúvida, mesmo que estes não entendam bulhufas de clima.

Então não há consenso sobre o tema? Mudemos de canal. Poucos se dispõem a ler relatórios de 3 mil páginas. E não dá para levar o coletivo do IPCC para o show do Larry King na CNN (canal de notícias norte-americano).

Bombardear tribunais e agências reguladoras com informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona

Se hoje CO2, metano e óxido nitroso são as bolas da vez, já vimos o mesmo filme no caso do tabaco, do amianto, do chumbo, da talidomida, do benzeno, do cloreto de vinil, do cromo, do formol, do arsênico, da atrazina, do mercúrio, do Vioxx e muitos et ceteras. E veremos de novo, sempre que algum governo cogitar regular alguma substância suspeita de provocar danos à saúde pública, seja ela ocupacional ou ambiental.Sabotar a ciência tornou-se um elemento rotineiro da política, em particular da norte-americana, com reflexos em praticamente todos os demais países. Bombardear tribunais e agências reguladoras comtsunamis de informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona, pelo menos por algum tempo. Contratar mercenários da ciência sob demanda é outra. A missão deles é inflar artificialmente as incertezas associadas às evidências científicas, evitando ou atrasando assim qualquer medida para a proteção da população.Os primeiros arquitetos dessa estratégia foram executivos da indústria do tabaco. Já em 1969, afirmavam em memorandos internos: “Nosso produto é a dúvida, pois é a melhor forma de competir, na mente do público, com as evidências. É também uma forma de criar controvérsia”.

Como fabricar a dúvida

Todas as ciências são vulneráveis a esse tipo de ataque, uma vez que lidar com a incerteza é sua característica intrínseca. Qualquer estudo é sujeito a crítica, legítima ou não. A receita para enfraquecer até as conclusões científicas mais robustas é simples: destaque seletivamente as incertezas, ataque os principais estudos um por um e, o mais importante, ignore sistematicamente o peso de suas evidências.No caso da ‘controvérsia’ atual sobre o clima, as claras evidências sobre o aquecimento global em curso, tais como o derretimento das calotas polares e das geleiras à vista de todos, são escamoteadas por enxurradas de questionamentos sobre os métodos computacionais de previsão do aquecimento futuro.

Recuo das geleiras

A geleira de Aletsch, nos Alpes suíços, em 1979 (esq.), 1991 (centro) e 2002 (dir.). Apesar das claras evidências de derretimento de geleiras, o aquecimento global é bastante questionado por setores com interesses particulares. (fotos: L. Albrecht/ Pro Natura Zentrum Aletsch/ Wikimedia Commons)

As estratégias corporativas de fabricação da dúvida são dissecadas com precisão de médico-legista por David Michaels ao longo das 359 páginas de seu livro Doubt is their product: how industry’s assault on science threatens your health (A  fabricação da dúvida ou como o ataque da indústria à ciência ameaça sua saúde, em tradução livre), publicado em 2008 pela Oxford University Press. O autor foi membro do departamento de energia norte-americano durante a administração de Bill Clinton e é atualmente professor associado no Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da Universidade George Washington, nos Estados Unidos. O quadro documentado é tão obscurantista que, em resenha da obra, Chris Mooney, também autor de um livro sobre o tema, chega a se perguntar para que serviu termos passado pelo Iluminismo.

As agências reguladoras são os alvos preferenciais do assédio dos fabricantes da dúvida, que as transformaram no equivalente burocrático de artérias entupidas, segundo Chris Mooney. Mas o sistema judicial também é vítima das mesmas táticas.

É preciso recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos.

Decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos em 1993, por exemplo, atribuíram aos juízes locais o poder de decidir o que é boa ciência ou não em casos civis. Mas a ciência em si dificilmente chega ao conhecimento do júri, já que sobram recursos para que ela seja eliminada logo nas etapas iniciais do processo.A diferença em relação à época de Galileu é que hoje se tortura a ciência e não os cientistas. David Michaels propõe várias medidas para mudar esse quadro, entre elas: facilitar o acesso à justiça pelos cidadãos, já que eles pouco podem esperar das agências reguladoras; exigir a divulgação de qualquer conflito de interesse e desconsiderar os estudos assim produzidos; e recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos, em vez de esperar pela incerteza zero que jamais virá.

Wall Street e os 16 que eram três

Se você quer um exemplo concreto e recente de manipulação explícita, não perca a aula magna que é o artigo de opinião publicado pelo Wall Street Journal em 26/01/2012. O texto é sugestivamente intitulado ‘No need to panic about global warming’ (em tradução livre, ‘Não há necessidade de pânico em relação ao aquecimento global’), com o subtítulo também sugestivo ‘Não há argumentos científicos convincentes para a descarbonização drástica da economia mundial’.O artigo é um portfólio resumido de como as corporações atacam para se defender em debates sobre temas que consideram prejudiciais a seu negócio. Começa alinhando alguns ‘fatos científicos’. Por exemplo: ‘não teria havido aquecimento nos últimos 10 anos’ (veja prova do contrário). Isso é reconhecer implicitamente que não há dúvidas sobre o aquecimento de 10 anos para trás. Além disso, não se diz de onde viria essa conclusão, e nem por que as geleiras teimam em seguir derretendo.

Logo depois, a pérola: ‘o CO2 não é um poluente’. Ninguém disse que era. É um gás asfixiante. Mas você só vai desmaiar inalando uma atmosfera com 7% a 10 % de CO2 e, por enquanto, a concentração desse gás no ar é de cerca de 400 ppm (0,04%). A questão não é essa.

Outro absurdo: ‘o aumento do CO2 estimularia a produtividade agrícola’. Um bom entendedor concluirá que a redução das emissões vai provocar fome. E mais adiante se acusa a descarbonização da economia de não ser rentável, causar aumento de impostos e burocracia (regulação?) e – pecado supremo – privar os pobres países pobres dos 50 anos de prosperidade que os esperam caso se deixe tudo como está.

Emissões de carbono

Em artigo divulgado recentemente, alguns cientistas negam o aquecimento global e defendem que não é preciso controlar as emissões de carbono mundiais. (foto: Cheryl Empey/ Sxc.hu)

Esse futuro promissor estaria sendo ameaçado pelo totalitarismo alarmista do ‘establishment internacional do aquecimento’, que só quer descolar mais verbas para pesquisas acadêmicas e burocracia (regulação?) e mais doações para organizações não governamentais salvacionistas.

Não faltaram menções a Trofim Lysenko, o geneticista russo aloprado que caiu nas graças do líder da União Soviética Josef Stalin. Subtexto? Os cientistas do clima também são aloprados e seus governos também são ditatoriais. O texto termina (ufa!) com um recado explícito aos candidatos à presidência dos Estados Unidos para que ouçam o apelo dos 16 ‘cientistas de renome’ que assinam o libelo e ignorem qualquer sugestão de controle das emissões de carbono. Os nomes dos 16 e suas afiliações são então listados.

Dos 16 cientistas que assinam o artigo, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto

De fato, a lista impressiona qualquer leigo, mas não resiste a um crivo mais superficial. O balaio de gatos junta vários físicos estudiosos de fugidias partículas subatômicas, um professor de marketing, um químico especialista em macromoléculas, astronautas (sic), um cardiologista, um ex-executivo da multinacional de petróleo e gás ExxonMobil, um físico especialista em ótica adaptativa (adorei o termo, muito adequado) que achou natural testemunhar no congresso norte-americano sobre temas agronômicos, um geólogo e vários aposentados e ex-isso ou ex-aquilo. Alguns membros do grupo são ativistas assumidos do ceticismo climático.

Mas o fato realmente importante é que dos 16, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto, como possuir PhD, experiência e/ou publicações em revistas com comitê de leitura na área em questão.

Apesar de todos esses argumentos, as corporações manterão seu curso e seus métodos. O link do artigo acima referido já está aqui e ali na Wikipédia, o Wall Street Journal tem mais de 17 leitores e eles não visitam esta coluna.

Tudo bem, cada um sabe as companhias que escolhe. Com duplo sentido, por favor.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Sobrevivência com créditos de carbono (Terramérica)

Carbono
28/5/2012 – 09h57

por Fabíola Ortiz*

c17 300x240 TERRAMÉRICA   Sobrevivência com créditos de carbono

O cacique Almir Suruí (E) em sua aldeia. Foto: Divulgação Povo Paiter-Suruí.

Os paiter-suruí,  do Estado brasileiro de Rondônia, na Amazônia, preveem arrecadar pelo menos US$ 40 milhões nos próximos 30 anos com o serviço ambiental de restaurar e fazer uso sustentável da selva.

Rio de Janeiro, Brasil, 28 de maio de 2012 (Terramérica).- O povo nativo paiter-suruí, no coração da Amazônia brasileira, não tinha contato com o mundo ocidental até 45 anos atrás. Hoje, aposta nos complexos mercados de carbono para garantir sua sobrevivência. Habitantes do território Sete de Setembro, quase 250 mil hectares localizados entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso, perto da fronteira com a Bolívia, os paiter-suruí viveram uma história vertiginosa nas últimas décadas.

Apenas três anos depois de seu primeiro contato com o “homem branco”, em 1969, quase chegaram à extinção: a população de cinco mil pessoas caiu para apenas 300 devido à mortandade causada pelas doenças trazidas pelos invasores. Hoje são cerca de 1.350 e estão determinados a perdurar. Suruí é o nome que os antropólogos lhes deram. Porém, entre si, eles se chamam paiter, “o povo verdadeiro, nós mesmos” na língua tupi-mondé que falam.

O negócio que pretendem é parte do Projeto de Carbono da Floresta Suruí, aprovado em abril, que prevê mecanismos para neutralizar as emissões de dióxido de carbono, como evitar o desmatamento, mantendo esse elemento na massa florestal, e absorvendo-o da atmosfera, mediante o reflorestamento. Estas ações estão previstas no regime de Redução de Emissões provocadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas (REDD+), impulsionado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como instrumento para mitigar a mudança climática.

A compra e venda de direitos de emissão de carbono, ou certificados de carbono, está prevista nos sistemas de controle da mudança climática para que empresas ou países grandes emissores de gases-estufa paguem a outros que possuem mecanismos para reduzi-las. Após décadas resistindo ao embate dos madeireiros, caçadores e colonos, desde 2005 os paiter-suruí plantaram 14 mil exemplares de 17 espécies, entre elas cacau e café, árvores de madeira nobre como mogno, cerejeira e ipê, e frutíferas como açaí, pupunha e babaçu.

“Queremos beneficiar nosso povo e nos desenvolvermos de acordo com nossa necessidade da região, valorizando produtos florestais. Uma política econômica verde é justamente um planejamento de uso sustentável”, disse ao Terramérica o líder deste povo, Almir Suruí, que também integra a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. O cacique Almir, de 38 anos, sempre está com seu corpo pintado e usa colares de sementes nativas feitos pelas mulheres de seu povo. E também veste roupa ocidental quando tem compromissos fora de sua aldeia, mas que não escondem totalmente a pintura corporal.

Antes de ficar conhecido no Brasil, obteve reconhecimento internacional por denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a exploração ilegal de madeira nas terras de seu povo e por defender os direitos e a integridade dos grupos em isolamento voluntário, além de lutar contra a construção de represas hidrelétricas nos rios de Rondônia. Para conseguir seus objetivos de sustentabilidade, os paiter-suruí trabalham associados com várias organizações não governamentais e instituições estatais, como o governamental Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que facilita a criação de mecanismos financeiros e ferramentas que garantam renda para os paiter-suruí.

O projeto Carbono Suruí tem duração de três décadas para a conservação de uma área com mais de 12 mil hectares, segundo Angelo dos Santos, um dos coordenadores da Funbio. “Todos os anos os paiter-suruí asseguram um volume de carbono não emitido que será oferecido ao mercado”, explicou Angelo ao Terramérica. “Nos próximos 30 anos, a quantidade que o povo paiter-suruí acumulará pelo desmatamento evitado será de oito milhões de toneladas de dióxido de carbono. E assim se pagará aos indígenas por não desmatarem”, acrescentou. As estimativas indicam que podem arrecadar US$ 40 milhões pela cotação atual do mercado, que está em US$ 5 para cada tonelada de carbono.

Segundo Angelo, há várias formas de comercializar os certificados de carbono. Uma delas é que sejam comprados por empresas interessadas em neutralizar ou compensar suas próprias emissões desse gás-estufa. “Isto é uma grande inovação”, ressaltou. Os recursos obtidos pela venda de certificados serão destinados ao Fundo de Gestão Paiter-Suruí, oficializado no começo de maio para incentivar um plano de desenvolvimento e tornar viáveis formas de gerar renda sem destruir a selva.

Já são produzidas mais de quatro mil toneladas por ano de café orgânico e cerca de dez mil toneladas de castanha amazônica, contou o cacique. As duas produções já contam com planos de negócios. Enquanto isso, “o Fundo Paiter-Suruí vai arrecadar recursos próprios com doações de bancos multilaterais e empresas, e pela venda de certificados de carbono”, detalhou Angelo. A meta é captar US$ 6 milhões nos próximos três anos. E em seis anos o Fundo será completamente administrado pelos paiter-suruí, que já estão se capacitando para isso.

É, sob todos os aspectos, um caso excepcional. Trata-se do primeiro mecanismo financeiro criado para um povo indígena que quer garantir sua sobrevivência e a de sua cultura. Estas iniciativas valeram ao cacique Almir o 53º lugar entre as cem pessoas mais criativas para negócios em 2011, um ranking preparado pela revista norte-americana Fast Company. Não por acaso, Almir foi convidado este mês para falar sobre inovação para dirigentes empresariais e pesquisadores, em um encontro organizado pela revista britânica The Economist.

* A autora é correspondente da IPS.

Rio+20: ruptura ou ajuste? (Mundo Sustentável)

Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

Diante do risco de a mais importante conferência do ano se transformar em uma “terapia de grupo”, onde o falatório e a papelada possam resultar em um novo acordo político genérico, convém prestar atenção desde já no posicionamento dos diferentes segmentos que marcarão presença na Rio +20.

Reunidos na PUC-RJ durante a conferência, aproximadamente 500 cientistas deverão compartilhar novas avaliações sobre o estado de fragilidade e degradação dos ecossistemas que  fornecem água, matéria-prima e energia à humanidade. De lá deverá surgir mais um grito de alerta em favor da vida sem nenhuma conotação política ou religiosa. Quem usa a ciência para medir os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento é basicamente um cético: se orienta apenas e tão somente pelas evidências que a metodologia científica lhe revela.

Os povos indígenas causarão enormes constrangimentos aos organizadores da Rio+20. Representantes das etnias que sobreviveram a sucessivos massacres no Brasil e no exterior denunciarão o absurdo do uso insustentável da terra.

Os empresários engajados exibirão os resultados contábeis da ecoeficiência e assumirão novos compromissos em defesa da inovação tecnológica e da redução do desperdício. Haverá entre eles os que fazem maquiagem verde (falam de “sustentabilidade”, mas não praticam), os neo-convertidos, que ajustaram procedimentos mais por conveniência (do que por convicção) e os que, de fato, estão convencidos da necessidade de mudanças e conseguem enxergar mais além do lucro imediato.

A constelação das ONGs deverá confirmar o tamanho e a diversidade das múltiplas correntes de pensamento que não cabem na moldura da ONU, mas que emprestam densidade e legitimidade a uma das pautas mais importantes da Rio+20: governança. Os tomadores de decisão já reconhecem a força do terceiro setor num mundo onde as articulações em rede robustecem a democracia, oxigenam as instituições e promovem a transparência e a justiça.

Caberá às organizações civis e às mídias (todas as mídias, de todos os tamanhos) aquecer a panela de pressão onde os chefes de estado vão cozinhar o texto final da Conferência. Sem isso, será mais do mesmo. Obnubilados pelos afazeres e interesses mais imediatos, de curtíssimo prazo, os chefes de estado não conseguirão justificar mudanças estruturais de longo prazo sem que haja uma boa razão para isso. Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

André Trigueiro

14.mar.2012

Artigo publicado na edição de março 2012 da Revista GQ

Mudando para que nada mude (Cineclube Ciência em Foco)

SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2012

 “A exaustão dos recursos naturais não será resolvida enquanto os padrões de subjetividade ocidentais não forem incluídos como parte fundamental do problema. [...] A insatisfação crônica do cidadão ocidental, e a forma irresponsável com que se relaciona com as coisas [...] são coisas tão importantes quanto a discussão sobre matrizes energéticas”.

 

Renzo Taddei – Doutor em Antropologia pela Univ. de Columbia, pesquisador da Coordenação do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos da ECO-UFRJ e palestrante do Ciência em Foco de 2 de junho.

1) O personagem central do filme Árido Movie é um profissional que apresenta diariamente a previsão do tempo para o Brasil em uma rede de TV em São Paulo. Ao voltar para sua terra natal no sertão nordestino, ele se vê deslocado na fissura entre estes dois “nordestes”: o da previsão do tempo, distante e virtual, e o concreto. Diante dos vários contrastes com os quais se defronta, como podemos pensar seu deslocamento?

Essa fissura não se limita à questão do “nordeste”, mas é ainda mais importante, ainda que menos saliente, na própria questão do clima. Somos levados a crer todo o tempo que o clima que importa está em algum outro lugar, e que só é acessível através da mediação de especialistas e equipamentos. Obviamente isso ocorre de fato, mas há efeitos deletérios nessa alienação entre os indivíduos e o meio ambiente: a questão passa a ser entendida como problema distante, vivido apenas de forma abstrata. Isso gera a atitude caracterizada pela ideia de que “eu não tenho nada com isso” – o que é exatamente o que o personagem do filme diz à avó quando percebe que esta espera que ele vingue a morte do pai. De certa forma, ele vivia a sua própria relação familiar de forma alienada, como algo abstrato, virtual, e as contingências da vida o obrigam a enfrentar a incontornável materialidade dos contextos locais. A crise ambiental atual nos confronta com esta materialidade incontornável. Se o personagem vivesse as suas relações familiares de forma mais integral, talvez o destino de todos ali fosse outro. Há responsabilidades que nos implicam, mas que não escolhemos – algo difícil de aceitar no contexto liberal em que vivemos. Mas a analogia acaba por aqui: felizmente não há morte alguma a ser vingada na questão climática (ou haverá?).

2) O fenômeno climático da seca é recorrente na filmografia brasileira. Pode-se dizer que o cinema traz representações do meio ambiente que muitas vezes nos forçam a pensar seus elementos a partir de sua relação com a sociedade e a cultura. Sem entregar muito de sua fala, poderia comentar algo em torno desta relação? Qual a importância destas perspectivas e seu papel no cenário das discussões oficiais?

Mais do que a seca propriamente dita, o elemento que povoou a imaginação de escritores e artistas foi o “sertão”. Hoje, especialmente para as audiências do sudeste urbano, sertão é quase sinônimo de nordeste rural, mas no passado a situação era diferente. Há debates acadêmicos sobre de onde vem a palavra sertão: uma das hipóteses é que tem origem na palavra desertão, sugerindo a ideia de área remota e desolada; outra, sugere que a palavra vem de sertus, termo do latim que significa entrelaçado, enredado. Na história do Brasil, o sertão sempre foi o espaço refratário à penetração do poder oficial, das instituições de controle do Estado. Um dos lugares onde isso é mais claro é na obraGrande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A obra se ambienta toda em Minas Gerais, em uma região que não é semiárida como o sertão nordestino, e numa época onde sequer existia o “Nordeste”, mas tudo o que ficava acima da Bahia era considerado “Norte”. No início, o Brasil todo era sertão; com a expansão do Estado ao longo do século XX, houve uma redução considerável do território que pode ser considerado sertão, nos sentidos mencionados acima: praticamente toda a região sudeste, por exemplo, se “dessertaniza” à medida que o espaço passa a ser ocupado por cidades e atividade agrícola em larga escala.

Desta forma, na imaginação artística o sertão funcionou, ao longo dos últimos dois séculos, como o “outro mundo” onde há liberdade em contraposição aos controles que marcam as sociedades urbanas, e onde há mais autenticidade, o que pode ser encarado por um viés romântico (como vemos em José de Alencar, por exemplo) ou onde coisas impensáveis podem ocorrer, numa espécie de mirada conradiana [referente a elementos da obra do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924), autor de Coração das trevas]. Mesmo com o Cinema Novo, onde há uma sociologização mais intensa do sertão, esse não deixa de ser espaço de liberdade e experimentação, como vemos em Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Mas é preciso que se diga que isso tudo marca uma perspectiva de quem olha de fora. O sertão não é uma coisa, são muitas.

O que a seca faz, em certo sentido, é ressertanizarmomentaneamente um território dessertanizado, porque ela tem o potencial de desorganizar processos políticos e sociais locais, inclusive no que diz respeito às instituições oficiais de poder. Em lugares onde as variações climáticas (como as secas) são recorrentes, como no nordeste brasileiro, em geral as relações de poder locais existem de forma associada às epidemias de sofrimento trazidas pela seca. A infame indústria da seca é um exemplo disso. Mas há limites em quanto as sociedades e instituições locais conseguem se ajustar à variação do clima: secas muito intensas podem efetivamente colocar toda uma sociedade em situação de crise, como se vê atualmente nos sertões de Pernambuco e da Bahia.

Um segundo ponto da questão menciona a forma como o cinema nos faz pensar o meio ambiente em sua relação com sociedade e cultura. Há duas formas de relacionar natureza e sociedade que parecem ser recorrentes na experiência humana. Por um lado, usamos elementos da natureza para pensar relações sociais, coisa que na antropologia chamamos de totemismo. A forma como usamos figuras de animais para pensar torcidas de futebol (urubu, gaviões, porco etc), ou como destacamentos militares usam símbolos animais (a onça em quartéis na Amazônia), ou ainda quando nos referimos a qualidades pessoais através de imagens animais (ao dizer que alguém “é” uma cobra, um rato, ou uma anta), são exemplos disso. Por outro, projetamos na natureza elementos humanos, culturais e sociais, o que, por sua vez, é conhecido na antropologia como animismo. Desta forma, uma tempestade é “traiçoeira”, ou uma estação chuvosa, como ouvi várias vezes em pesquisa de campo no sertão do Ceará, pode ser “velhaca” (isto é, promete e não cumpre). O cinema naturalmente se utiliza disso tudo como recurso narrativo.

Além disso, nossa percepção do ambiente é visceralmente marcada por nossas perspectivas contextuais. Uma pesquisa que coordenei a respeito das respostas sociais e culturais às secas do ano de 2005 – um ano em que houve secas na Amazônia, no Nordeste e no sul do Brasil – mostrou que as populações locais não pensam o meio ambiente como algo desconectado das demais dimensões da vida; como tais dimensões são variáveis, a percepção do ambiente o é também. Os resultados da pesquisa foram publicados no livroDepois que a chuva não veio, disponível em texto integral na Internet. O problema é que os governos centrais, como o federal, no Brasil, têm a tendência a homogeneizar tudo com o qual se relacionam, ignorando os contextos locais; e a ciência climática tende a pregar que o contexto local e o clima não têm relação causal direta (especialmente quando estão contestando a capacidade do conhecimento tradicional de produzir previsões climáticas válidas). No que diz respeito às relações entre sociedade e clima, vivemos uma situação verdadeiramente neurótica. O meio ambiente pode inclusive ser uma forma de eufemizar uma discussão demasiadamente sensível em termos políticos e sociais. Um manual de infoativismo editado na Inglaterra, por exemplo, sugere que personagens em forma de animais sejam usados em campanhas públicas em que questões politicas sensíveis dificultem a comunicação através de exemplos humanos.

As discussões oficiais são, infelizmente, demasiadamente economicistas e unilineares, presas a um utilitarismo frustrante, para levar qualquer dessas questões a sério.

3) No mês de junho, o Rio de Janeiro sediará a Rio+20, a conferência das Nações Unidas em torno do desenvolvimento sustentável, que articulará líderes mundiais em discussões que convidam à cooperação mundial para a melhoria de problemas sociais. Tendo em vista o cenário de mudanças climáticas, como abordar a participação social nestas discussões, face às diferenças culturais que estão em jogo?

As diferenças culturais não devem ser entendidas como obstáculo às ações relacionadas à crise ambiental. Pelo contrário, são recursos importantes. É interessante observar como a biodiversidade é hipervalorizada, ao ponto de ser fetichizada, e ao mesmo tempo a diversidade de formas humanas de ser e estar no mundo é desvalorizada – por exemplo, quando se acredita, com as melhores intenções, que é preciso “educar” as pessoas que praticam queimadas para plantio, por exemplo, para que “entendam” os efeitos deletérios de algumas de suas práticas cotidianas. Projetamos o problema sobre os outros, sem perceber que esse nosso foco em informação e no pensamento, ou seja, ao diagnosticar tudo como “falta de informação” ou diferentes “formas de pensar”, é parte fundamental do problema. Tudo ficou cibernético demais, de forma que as questões morais e éticas nos escapam muito facilmente.

A ideia de que diferenças culturais dificultam a construção de um entendimento mundial sobre as questões ambientais em geral, e sobre a questão climática, em particular, me assusta. A própria ideia de “entendimento mundial” em torno do meio ambiente evoca perigosamente um centralismo pouco democrático. Nunca na história da humanidade houve uma tentativa tão articulada para a criação de um discurso único sobre o meio ambiente. A polarização política que se vê nos Estados Unidos, em torno da questão climática, é uma farsa: o comportamento do partido republicano mostra com clareza que se trata de uma disputa pelo poder, onde os envolvidos se comportam estrategicamente e defendem qualquer posição que maximize suas chances de vitória. E, acima de tudo, apresentam o problema climático como se houvesse apenas duas alternativas – aceitar ou negar o efeito das ações humanas nas mudanças climáticas –, mas as duas são validadas dentro do mesmo paradigma ocidental, exacerbadamente materialista e utilitarista. E as outras formas de pensamento e de vida, outras epistemologias e ontologias? Como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, é preciso aprender a pensar “com” os outros. Segundo o pensamento ameríndio, por exemplo, ao invés de tomar os humanos como excepcionais em sua humanidade, há a ideia de que a humanidade é a essência comum de todos os seres vivos. Que tipo de ética e moralidade decorre dai, na relação entre humanos e não humanos? Não se trata de romantizar as formas indígenas de vida, mas apenas de mostrar como outros pensamentos são extremamente interessantes na abordagem dos problemas ambientais.

No meu entender, o que sobressai nesta questão da participação social e da multiplicidade cultural é o fato de que é preciso que os ocidentais, e nós, ocidentalóides, entendamos que há dimensões do problema que transcendem a materialidade e o utilitarismo. A exaustão dos recursos naturais, por exemplo, não será resolvida enquanto os padrões de subjetividade ocidentais não forem incluídos como parte fundamental do problema. Não adianta criar esquemas institucionais para evitar a “tragédia dos comuns”, por exemplo, sem lidar com os temas da satisfação e da responsabilidade. A insatisfação crônica do cidadão ocidental, e a forma irresponsável com que se relaciona com as coisas (ao pagar os governos municipais para “sumir” com o nosso lixo, sem que nenhuma pergunta seja feita, de modo que não precisemos pensar mais nele, por exemplo), são coisas tão importantes quanto a discussão sobre matrizes energéticas.

4) Contraplanos – expresse em poucas palavras (ou apenas uma) sua sensação com relação aos sentidos e problemáticas evocadas pelas seguintes palavras:

- tempo e clima: clima é um ponto de vista[1]; tempo é a vista (a partir) de um ponto[2] (notas: [1] Clima é “ponto de vista” no sentido de que trata-se de uma construção abstrata, resultante de cálculos estatísticos sobre medições de indicadores atmosféricos em intervalos amplos de tempo, e onde as técnicas estatísticas, o termômetro e outros mediadores técnicos têm tanta importância quanto a vibração das partículas que o termômetro busca medir; [2] tempo, no sentido dado ao conceito pela meteorologia, é o fenômeno atmosférico que existe num prazo de tempo mais curto, e portanto tende a fazer referência ao fenômeno em si, enquanto singularidade experiencial, ou seja, coisas que vivemos e lembramos, porque nos afetam num tempo e espaço específicos, e desta forma são a experiência a partir de um ponto).

 – sustentabilidade: o que exatamente se está tentando sustentar? Precisamos pensar a “mutabilidade” tanto quanto sustentabilidade. É muito difícil mudar o (insustentável) sistema econômico em que nos encontramos, e é preciso atentar para o fato de que, sob a fachada de “sustentabilidade”, há um esforço imenso de mudar apenas o que é necessário para que nada mude no final. O mercado de carbono é o exemplo paradigmático disso. Ou seja, em geral os debates sobre sustentabilidade (e sobre adaptação, resiliência etc.) são conservadores e insuficientes.

- construção social: já não há mais muita clareza a respeito do que significa tal associação de termos (o que é bom). Se tudo é construção social, a ideia deixa de ser relevante, porque não explica muita coisa. Tudo está em fluxo; se é “construção”, e se é “social”, depende de qual jogo semântico se está jogando. A expressão diz mais a respeito de quem usa a expressão do que sobre o fenômeno em questão. Tenho a impressão que dizer que o clima, por exemplo, é uma “construção social” constitui uma forma de evitar levar o clima a sério – e aqui estou repetindo ideias de autores como Bruno Latour ou Roy Wagner, por exemplo.

- ciência e cultura: há muito menos clareza a respeito do que significam tais termos (o que é melhor ainda). Num sentido mais propriamente filosófico, são duas ideias que morreram no século XX. Ou seja, tanto a Ciência como a Cultura, assim com “c” maiúsculo, que constituíam o santo graal do pensamento acadêmico Europeu dos séculos XIX e grande parte do XX se mostraram quimeras, principalmente em função dos trabalhos de gente como Heidegger, Merleau-Ponty, Wittgenstein, Gadamer, dentre muitos outros. Sobraram “ciências” e “culturas” com “c” minúsculo, ou seja, tais conceitos se transformaram em problemas empíricos. Puxando a sardinha pro meu lado (risos), se tornaram problemas antropológicos.

5) Roteiros alternativos – espaço dedicado à sugestão de links, textos, vídeos, referências diversas de outros autores/pesquisadores que possam contribuir com a discussão. Para encerrar essa sessão, transcreva, se quiser, uma fala de um pensador que o inspire e/ou seu trabalho.

No meu blog Uma (In)certa Antropologia (http://umaincertaantropologia.org) mantenho um arquivo de notícias e materiais acadêmicos sobre as relações entre cultura, sociedade e o clima. Há lá uma gravação em áudio de uma apresentação do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro que toca no tema das mudanças climáticas como crise do Ocidente, e como outros povos e outras culturas se relacionam com isso, que vale a pena ser ouvida. Ela está no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/ViveirosdeCastro_IFCS_20111123.wav.

O livro Depois que a chuva não veio, mencionado acima, está disponível no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/DQACNV.htm.

O documentário “10 tacticts for turning information into action”, também mencionado acima, está no site http://informationactivism.org/original_10_tactics_project#viewonline, com subtítulos em português – o exemplo de uso de animais como personagens está na tática número 3.

Há um vídeo provocativo do Slavok Žižek, cujo título éEcology as Religion, que evoca discussões importantes sobre como o meio ambiente existe no senso comum e nas discussões políticas. O video está reproduzido em http://umaincertaantropologia.org/2012/04/12/slavoj-zizek-on-ecology-as-religion-youtube/

6) Como conhecer mais de suas produções?

Há uma lista de artigos acadêmicos e também escritos para jornais e revistas em meu website, no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/Textos.htm

CLIMATE CHANGE: Understanding Rio+20 (Integrated Regional Information Networks)

Photo: Jason Gutierrez/IRIN. We have to take action now to sustain life in the coming years

JOHANNESBURG, 3 April 2012 (IRIN) – A Nobel laureate, a Swedish environmentalist’s idea, the “doughnut” concept, Scandinavia’s sense of social capital, measuring the quality of life, and valuing the oceans are just some of the things trending in the run-up to the Rio+20 UN Conference on Sustainable Development due to be held on 20-22 June 2012.

Rio+20 will look at how economies have grown at the expense of natural resources and human capital since the last Earth Summit in Rio in 1992, when the concept of “sustainable development” gained currency.

The idea of growth meeting “the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs” has not gained much traction since the 1992 conference – largely because countries continued to equate development with economic growth, and sustainable development languished as a fringe environmental concern, says a UN-commissioned study.

Twenty years later, “sustainable development remains a generally agreed concept, rather than a day-to-day, on-the-ground, practical reality,” says a report by the UN High-level Panel on Global Sustainability.

Since 1992, alarm bells on several interconnected factors with a far-reaching impact on growth, resources and the quality of life – accelerated man-made climate change, population growth, increasing numbers of hungry people, rapidly depleting and more expensive fossil fuels, and a decline in food production – have been ringing louder.

“Achieving sustainability requires us to transform the global economy. Tinkering on the margins will not do the job,” said the UN Panel’s report.

Optimists in the scientific and aid community hope Rio+20 will develop from an opportunity to reflect into a collective effort to plot the world’s future growth path.

IRIN aims to make the conference more relevant and accessible by examining some of the ideas circulating ahead of it.

1. Elinor Ostrom: Fast emerging as the moral and academic compass of the conference, Ostrom’s work, which won her the Nobel Prize for Economics in 2009, shows that growth combined with the sustainable use of natural resources is achievable. Ostrom looked at certain rural communities in Asia, Africa and Europe which have for centuries successfully managed in a sustainable way their common resources – grazing land, water and forests.

“When the Scandinavian countries had to set targets to reduce greenhouse gas emissions, they did not consider the markets… but went ahead because they value the well-being of humans and environment…”

2. Planetary Boundaries and Future Earth: The concept of Planetary Boundariesproposed in 2009 by Johan Rockstrom of the Stockholm Resilience Centre and 28 scientists, posits that there are nine critical Earth-system processes and associated thresholds that we need to respect and keep within, in order to protect against the risk of irreversible or even catastrophic environmental change on a continental or global scale.The communities developed while preventing problems such as overgrazing, misuse of forests or over-consumption of water. The fact that Ostrom took a multidisciplinary approach (rooted in economics, environment and social capital, successfully combining the three pillars of sustainable development), makes her the expert everyone wants to hear from. She was the chief scientific adviser to the recent Planet Under Pressure conference – an attempt by the scientific community to set the agenda for Rio+20.

Doing so would create a safe operating space for humanity. According to the concept’s authors, three of the nine suggested thresholds have already been crossed (climate change, biodiversity and the nitrogen cycle). The threshold for the phosphorus cycle (linked, within the concept, to the nitrogen cycle) has also been crossed, according to a scientific paper in 2011.

The status of the concept grew after being mentioned in the UN Panel report. The Boundaries concept has inspired the “nexus approach” between food, water and energy, which was also noted by the UN panel. “All three [food, water and energy] need to be fully integrated, not treated separately if we are to deal with the global food security crisis,” said the report.

Rockstrom, last week announced the launch in Rio of Future Earth, a 10-year collaborative initiative which will provide the knowledge to help societies meet their sustainable development goals. The International Council for Science, the Belmont Forum (a high-level group of donors who fund climate research), the UN Environment Programme (UNEP), the UN University, and the UN Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) are all part of the initiative.

Tom Mitchell, head of climate change at the UK’s Overseas Development Institute (ODI), was a bit skeptical about how “10 years of science inquiry” would help. He said countries needed solutions now – embedded in governments and designed to cater for national requirements.

3. The doughnut: In February 2012, Kate Raworth, a senior researcher with Oxfam, pointed out that human growth was glaringly absent from Rockstrom’s concept. She combined social boundaries (such as access to water, health services, food, jobs, energy and education for all) within the planetary boundaries – highlighting the need for an environmentally safe space which needed to be compatible with poverty eradication and rights for all. Between the planetary ceiling and the social foundation lay an area – shaped like a doughnut – which is a “safe and just space for humanity to thrive in”, her paper said.

Raworth said well-designed policies can promote both poverty eradication and environmental sustainability. She told IRIN the objective was to be able to take care of everyone’s minimum needs, while re-defining the meaning of prosperity, which is equated with material wealth and associated with over-consumption (e.g. food, vehicles). “Governments need to look beyond taking care of people’s material needs and focus on quality of life, qualities of social relationships.”

Multilateral processes to make life on earth sustainable such as the UN talks on climate change have been moving at a snail’s pace.

The concept has picked up a lot of momentum.

“The concept of Planetary Boundaries is almost pure science,” noted Andrew Scott, researcher with ODI, while the “doughnut” concept was grounded in human reality and the need to agree on a minimum standard of living, whilst guarding against over-consumption. This calls for the need to review UN Millennium Development Goals (MDGs), which were not very ambitious to begin with, he said. “Instead of calling for the eradication of poverty it [the MDGs] settled for the halving of poverty by 2015.”

Felix Dodds, eminent author and head of the Stakeholder Forum for a Sustainable Future, also enthused about the “doughnut proposal” in the Planet Under Pressure conference, and suggested the world should strive to turn everyone into a member of the middle-class.

4. Sustainable agriculture: After years of lobbying for an agriculture system which would respect the biosystem and at the same time increase the production of quality food to keep the numbers of malnourished down, scientists feel they are making headway. The proposed draft outcome document of the Rio+20 conference makes note of their concerns. But is that good enough – will that force a change and make sustainable agriculture a part of mainstream policy in countries?

Kenyan scientist Judi Wakhungu, a member of the Commission on Sustainable Agriculture and Climate Change, says attitudes are changing on the ground: Sustainable agriculture is now being taught in universities in developing countries; donors particularly in Scandinavian countries are more willing to fund such initiatives tailored by developing country governments; and at government levels, sectors such as water, energy and agriculture have begun to talk to each other.

Christopher Barrett, who teaches economics and agriculture at Cornell University in the USA, said: “The central issue is high-level political commitment to enacting the necessary policies.” He said the “lofty rhetoric” of the L’Aquila G-8 summit, or earlier summits such as Gleneagles, have “not been matched by significant new investments or policy innovations by the world’s major economies”. Progress towards sustainable agriculture was “incremental and dwarfed by the fiscal and employment challenges faced by the OECD [Organisation for Economic Co-operation and Development] countries,” he added, and we should “not hold our breath for any great breakthrough” at Rio+20.

5. Social capital versus market-based approaches: Academically, social capital is a concept which places value on social relations and the role of cooperation to get collective results. The concept is making waves among development experts and the scientific community in the Rio+20 context, particularly as it forces societies to reflect on their value systems.

“It [social capital] is too technical a word,” says Oxfam’s Raworth, but essentially the concept is about valuing quality of life and interpersonal relations more than material wealth. Brazilian scientist Carlos Nobre, a member of the Commission on Sustainable Agriculture and Climate Change, explained: “It is a concept followed by Scandinavian countries – where human well-being is more important than the market value of a particular resource.

“For instance when the Scandinavian countries had to set targets to reduce greenhouse gas emissions, they did not consider the markets and industries but went ahead because they value the well-being of humans and environment more than anything else.”

But the reality is that most countries value markets more than human and environmental well-being, say experts, so a value has to be attributed to a natural resources to make people take care of it. As UNEP head Achim Steiner says, “we have to place ecology in economics.”

“We need to create markets around natural resources such as provision of environmental services,” said ODI’s Mitchell. The UN Framework Convention on Climate Change did that with trees and carbon, but the process has not got very far.

Both Raworth and Nobre said that to achieve real change, attitudes to wealth needed to be changed, but this could only happen from the bottom up. “Market-based mechanisms to control and exploit the use of our natural resources should be seen as a means to get to a state of well-being and not as the goal,” said Nobre.

Richard Norgaard, one of the founders of ecological economics, said at the Planet Under Pressure conference that instead of markets dictating and shaping our economies, “we need to ask what kind of economy we want to live in and then design incentives for the markets.”

6. Measuring wellness: Putting a value on the quantity of natural resources that had to be exploited to achieve certain outcomes could help in terms of sustainability, argued Pablo Muñoz, an economist working on the Inclusive Wealth Report (IWR) project, a joint initiative of UN Univeristy-International Human Dimensions Programme on Global Climate Change (IHDP) and UNEP, aiming to measure, among other forms of wealth, the Natural Capital of countries. The report will be released at Rio+20.

“A country can exhaust all its natural resources while posting positive GDP [Gross Domestic Product] growth,” said Muñoz. The world needs “an indicator that estimates the wealth of nations – natural, human and manufactured and ideally even the social and ecological constituents of human well-being,” he added.

Some findings of the reports were released at the Planet Under Pressure conference.

Between 1990 and 2008, the wealth of Brazil and India in terms of per capita GDP rose 34 percent and 120 percent respectively. Natural capital, the sum of a country’s assets, from forests to fossil fuels and minerals, declined by 46 percent in Brazil and 31percent in India, according the new indicator. Brazil’s “Inclusive Wealth” rose by 3 percent and India’s rose by 9 percent over that time. But do not expect countries to start using the new indicator any time soon. “It took years for countries to come round to using GDP – so it will be a few years yet,” said Muñoz.

7.Valuing the oceans: Attempts to put a value on the exploitation of natural resources are ongoing globally. A new book by the Stockholm Environment Institute calculates the impact of climate change on the economic value of the oceans. It says climate change (in the last 200 years the oceans have absorbed 25-30 percent of the global accumulated emissions of carbon dioxide) alone could reduce the economic value of the oceans by up to US$2 trillion a year by 2100.

Elinor Ostrom´s paper: “A Polycentric Approach for Coping with Climate Change”

A Polycentric Approach for Coping with Climate Change, Policy Research Working Paper 5095, World Bank 2009.

Interview with Nobel prize winner Elinor Ostrom on climate change (Integrated Regional Information Networks)

Photo: Indiana University. Elinor Ostrom: A champion of people power

JOHANNESBURG, 25 April 2012 (IRIN) – The governance of natural resources like land, the oceans, rivers and the atmosphere, can affect the impact of some of the world’s biggest crises caused by natural events like droughts and floods. How best to manage those resources has been at the heart of the work by Nobel Prize winner (economics) Elinor Ostrom.

She has been looking at how communities across the world, from developing and rural economies like Nepal and Kenya to developed ones like the USA and Switzerland, manage their commonly shared resources such as fisheries, pasture land and water sustainably.

Ostrom’s faith in the ability of the individual and community to be able to trust each other, take the right course of action and not wait for governments to make the first move is pivotal to her thinking.

Ostrom works with the concept of “polycentrism”, which she developed with her husband Vincent Otsrom. She advocates vesting authority in individuals, communities, local governments, and local NGOs as opposed to concentrating power at global or national levels.

Ostrom recently suggested using this “polycentric approach” to address man-made climate change. She talked to IRIN by email about “polycentrism”, Rio+20, climate change, trust and the power of local action.

QYou have suggested a polycentric approach as opposed to single policies at a global level to reduce greenhouse gas emissions. Could you explain how that would work? Do you think a similar approach would work to get all countries and their people to believe in, and adopt, sustainable development?

A: We have modelled the impact of individual actions on climate change incorrectly and need to change the way we think about this problem. When individuals walk a distance rather than driving it, they produce better health for themselves. At the same time that they reduce the amount of greenhouse gas emissions that they are generating. There are benefits for the individual and small benefits for the globe. When a building owner re-does the way the building is insulated and the heating system, these actions can dramatically change the amount of greenhouse gas emissions made. This has an immediate impact on the neighbourhood of the building as well as on the globe.

When cities and counties decide to rehabilitate their energy systems so as to produce less greenhouse gas emissions, they are reducing the amount of pollution in the local region as well as greenhouse gas emissions on the globe. In other words, the key point is that there are multiple externalities involved for many actions related to greenhouse gas emissions. While in the past the literature has underplayed the importance of local effects, we need to recognize – as more and more individuals, families, communities, and states are seeing – that they will gain a benefit, as well as the globe, and that cumulatively a difference can be made at the global level if a number of small units start taking action. We have a much greater possibility of impacting global change problems if we start locally.

“the solutions that are evolved by local people have a chance of being more imaginative and better ways of solving these problems…”

Q: The earth is our common resource system – yet many countries including China and India feel they also have a right to grow, burn coal to get to where the developed world is – how do you get them out of that frame of mind without compromising the question of equity?

A: We may not be able to convince India and China of all of this. Part of my discouragement with the international negotiations is that we have gotten riveted into battles at the very big level over who caused global change in the first place and who is responsible for correcting [it]. It will take a long time to resolve some of these conflicts. Meanwhile, if we do not take action, the increase to greenhouse gas collection at a global level gets larger and larger. While we cannot solve all aspects of this problem by cumulatively taking action at local levels, we can make a difference, and we should.

Q: Do you think sustainable development did not gain much currency as it was directed at governments and a top-down approach? You think the world is about to repeat that mistake (if you would call it that?) at Rio+20? What would you do – would you ever call such a gathering of governments?

A: Yes, I do think that directing the question of climate change primarily at governments misses the point that actions that reduce greenhouse gas emissions must be taken by individuals, communities, cities, states, residents of entire nations, and the world. Yet, it is important that public officials recognize that there is a role for an international agreement and that they should be working very hard on getting an agreement that establishes international regimes that has a chance to reduce emissions across countries.

Q: You are a great believer in ordinary people’s ability to organize and use their commonly shared resources wisely, but I take it that does not work all the time? But ultimately collective action at the grassroots can force change at the top?

A: I am a believer of the capabilities of people to organize at a local level. That does not mean that they always do. There are a wide variety of collective action problems that exist at a small scale. The important thing is that people at a small scale, who know what the details of the problems are, organize, rather than calling on officials at a much larger scale.

Officials at a larger scale may have many collective-action problems of their own that they need to address. They do not have the detailed information about problems at a small scale that people who are confronting those every day do have. Thus, the solutions that are evolved by local people have a chance of being more imaginative and better ways of solving these problems than allowing them to go unsolved and eventually asking a much larger scale unit to solve it for them.

Q: This approach probably works better in a rural setting where there is a sense of community and of a shared responsibility to take care of their common resources. But how do you get that sense of ownership of the planet in an urban setting?

A: To solve these delicate problems at any scale requires individuals to trust that others are also going to contribute to their solution. Building trust is not something that can be done overnight. Thus, the crucial thing is that successful efforts at a local scale be advertised and well known throughout a developing country.

Developing associations of local communities, where very serious discussions can be held of the problems they are facing and creative ways that some communities, who have faced these problems, have adopted solutions that work. That does not mean that the solutions that work in one environment in a particular country will work in all others, but posing it as a solution that fits a local environment and that the challenge that everyone faces is to know enough about the social-ecological features of the problems they are facing that they can come up with good solutions that fit that local social-ecological system.

Q: I have been covering the recent drought in Niger – I came across people who were going to pack up and leave their village for good… Would that motivate people, countries, governments to take action to reduce emissions? But how do you make people in Europe, the US or Asia think about the people in Niger as their own?

A: There is no simple answer to this question. It is here that churches and NGOs can play a particular role in knowing about the problems being faced by villagers in Niger and other developing countries and trying to help. They can then also write stories about these problems in a way that people in Britain, Europe, and the US may understand better. It is a problem in some cases that officials in developing countries are corrupt, and direct aid to the country may only go into private bank accounts. We have to rethink how we organize governance at multiple scales so as to reduce the likelihood of some individuals having very strong powers and capability of using their public office primarily for private gain.

Q: Do you see the world moving in unison towards sustainability in the next five years? Do you think the world is prepared to take on this question and specially now when we are in a recession?

A: No, I do not see the world moving in unison. I do see some movements around the world that are very encouraging, but they are nowhere the same everywhere. We need to get out of thinking that we have to be moving the same everywhere. We need to be recognizing the complexity of the different problems being faced in a wide diversity of regions of the world. Thus, really great solutions that work in one environment do not work in others. We need to understand why, and figure out ways of helping to learn from good examples as well as bad examples of how to move ahead.

New Classroom Science Standards Up for Review (Dot Earth, N.Y.Times)

May 18, 2012, 11:46 AM

By ANDREW C. REVKIN

The first substantial update to national science teaching standards in roughly 15 years — and the first including the science of human-driven climate change — is open for public comment through this month. Here’s a short video description:

The effort has been directed by Achieve, an organization created by states and corporate backers eager to boost student performance and prospects as science and technology increasingly drive economies. The final (optional) standards will help guide states in shaping science curricula and requirements.

The foundation for the standards was laid in a National Academy of Sciences report. Other groups involved in the effort are the American Association for the Advancement of Science, the National Science Teachers Association and theCarnegie Corporation of New York, which has provided much of the money.

The standards were drafted by a team of 41 writers from 26 states, range from Bob Friend, a Boeing aerospace engineer, to Ramon Lopez, a physics professor at the University of Texas at Arlington to Rita Januszyk, an elementary school teacher from Willowbrook, Ill.

Click here for middle school standards on weather and climate and here for a section for high schools on managing human environmental impacts, including greenhouse-gas emissions. I like the way each such section links directly to the relevant section of the underlying National Academy of Sciences report — “A Framework for K-12 Science Education: Practices, Crosscutting Concepts, and Core Ideas.”

The National Science Teachers Association has posted heaps of valuable background and context.

Juanita Constible, a wildlife ecologist who’s spent time in Antarctica, has a piece summarizing the climate context at the Web site of the Climate Reality Project. Here’s an excerpt from Constible’s post:

The Next Generation Science Standards lay out core ideas K-12 students should understand about the basics of science – from biology, to physics and chemistry, to earth science. The last national standards were released back in 1996, and manmade climate change wasn’t mentioned. However, the new standards recognize that students need to know human activities are changing our climate. They also recognize that schools are training the next generation of engineers and scientists who can help solve the problem.

In the standards for middle school, for example, one of the core ideas is that “human activities, such as the release of greenhouse gases from burning fossil fuels, are major factors in the current rise in Earth’s mean surface temperature (‘global warming’).” The standards for high school note that “changes in the atmosphere due to human activity have increased carbon dioxide concentrations and thus affect climate.” [Read the rest.]

Explore the standards and weigh in with your reaction, both on the Nextgenscience.org site and here.

Conflict abounds in climate education (The Daily Climate)

Teachers are loath to teach climate science because it exposes them to charges of politicizing the classroom. They have reason to be cautious.

By Lisa Palmer
For the Daily Climate

The battles over teaching climate change science in schools are diverse, myriad and, like teaching evolution, being fought mostly district by district, classroom by classroom.

No-150Unlike evolution, climate change doesn’t have a U.S. Supreme Court ruling requiring that teaching efforts be accurate.

Some recent conflicts around the nation:

  • This spring the Tennessee Legislature passed a bill, with broad, bi-partisan support, to protect teachers who do not agree with accepted climate science and want to teach alternative explanations. Gov. Bill Haslam, acknowledging the veto-proof majority in a press release, allowed the bill to become law without his signature but noted that the measure won’t change state education standards.
  • Last year the southern California town of Los Alamitos, the school board passed but then rescinded a policy identifying climate science as a controversial topic requiring special instructional oversight.
  • Earlier this year an Oklahoma House committee approved a bill permitting teachers to review “scientific weaknesses of existing scientific theories” such as evolution, the origins of life, global warming and human cloning. It remains stuck in the Senate, with the Legislature adjourning this week.
  • A 2007 study found that 20 percent of Colorado’s earth science teachers disagreed that “recent global warming is caused mostly by things people do,” while nearly half agreed that “there is substantial disagreement among scientists about the cause of recent global warming.” Meanwhile in Mesa County, in western Colorado, tea party activists tried to prohibit the teaching of manmade climate change.
  • An earth science teacher in Clifton Park, N.Y., taught a global warming unit but inserted his own view that climate change is not caused by humans. A parent complained, pointing to the New York State Regents science standards, considered among the best in the nation. The teacher relented after the school’s science administrator clarified what was expected according to the standards.

Earlier this year the National Center for Science Education stepped into the climate arena, announcing it would apply techniques it honed in the evolution wars to defend and promote climate science education.

McCaffrey-150“It’s one thing to have climate in the standards and assessments, and another thing altogether to make sure the teachers are well prepared, are not teaching the debate, if they teach about climate change at all, and are using effective practices,” said Mark McCaffrey, the center’s program director. 

The Oakland-based nonprofit’s effort hit a snag in February after Peter Gleick, a prominent scientist recruited to help advise the organization’s climate education effort, disclosed that he had improperly obtained internal strategy documents from the Heartland Institute, a libertarian think tank. Gleick withdrew his nomination to the NCSE’s board a few days before his term was scheduled to begin.

But the Heartland memos show that the institute, known for undermining climate science in political and scientific arenas, is working to influence climate education in schools, too. The budget memos Gleick obtained indicated the group had raised an initial $100,000 for a “global warming curriculum” designed by a part-time consultant at the Department of Energy.

The curriculum, designed for grades 10 through 12, according to the Heartland memos, would emphasize that climate change is a “major scientific controversy” and that models underlying the science are questionable.

Lisa Palmer is a freelance reporter in Maryland. Her work has appeared in Scientific American, Nature Climate Change, Fortune, and The Yale Forum, among other outlets. DailyClimate.org is a foundation-funded news service that covers climate change.

Photos: “No” icon created by Paula Spence for the National Center for Science Education. Photo of Mark McCaffrey courtesy NCSE.

Heartland Institute facing uncertain future as staff depart and cash dries up (The Guardian)

Free-market thinktank’s conference opens in Chicago with president admitting defections are hurting group’s finances

, US environment correspondent
guardian.co.uk, Sunday 20 May 2012 17.09 BST

Leo blog : The Heartland Institute conference billboard in Chicago

The billboard ads comparing climate change believers to the Unabomber Ted Kaczunski. Photograph: The Heartland Institute

The first Heartland Institute conference on climate change in 2008 had all the trappings of a major scientific conclave – minus large numbers of real scientists. Hundreds of climate change contrarians, with a few academics among them, descended into the banquet rooms of a lavish Times Square hotel for what was purported to be a reasoned debate about climate change.

But as the latest Heartland climate conference opens in a Chicago hotel on Monday, the thinktank’s claims to reasoned debate lie in shreds and its financial future remains uncertain.

Heartland’s claims to “stay above the fray” of the climate wars was exploded by a billboard campaign earlier this month comparing climate change believers to the Unabomer Ted Kaczynski, and a document sting last February that revealed a plan to spread doubt among kindergarteners on the existence of climate change.

Along with the damage to its reputation, Heartland’s financial future is also threatened by an exodus of corporate donors as well as key members of staff.

In a fiery blogpost on the Heartland website, the organisation’s president Joseph Bast admitted Heartland’s defectors were “abandoning us in this moment of need”.

Over the last few weeks, Heartland has lost at least $825,000 in expected funds for 2012, or more than 35% of the funds its planned to raise from corporate donors, according to the campaign group Forecast the Facts, which is pushing companies to boycott the organisation.

The organisation has been forced to make up those funds by taking its first publicly acknowledged donations from the coal industry. The main Illinois coal lobby is a last-minute sponsor of this week’s conference, undermining Heartland’s claims to operate independently of fossil fuel interests.

Its entire Washington DC office, barring one staffer, decamped, taking Heartland’s biggest project, involving the insurance industry, with them.

Board directors quit, conference speakers cancelled at short-notice, and associates of long standing demanded Heartland remove their names from its website. The list of conference sponsors shrank by nearly half from 2010, and many of those listed sponsors are just websites operating on the rightwing fringe.

“It’s haemorrhaging,” said Kert Davies, research director of Greenpeace, who has spent years tracking climate contrarian outfits. “Heartland’s true colours finally came through, and now people are jumping ship in quick order.”

It does not look like Heartland is about to adopt a corrective course of action.

In his post, Bast defended the ads, writing: “Our billboard was factual: the Unabomber was motivated by concern over man-made global warming to do the terrible crimes he committed.” He went on to describe climate scientist Michael Mann and activist Bill McKibben as “madmen”.

The public unravelling of Heartland began last February when the scientist Peter Gleick lied to obtain highly sensitive materials, including a list of donors.

The publicity around the donors’ list made it difficult for companies with public commitment to sustainability, such as the General Motors Foundation, to continue funding Heartland. The GM Foundation soon announced it was ending its support of $15,000 a year.

But what had been a gradual collapse gathered pace when Heartland advertised its climate conference with a billboard on a Chicago expressway comparing believers in climate science to the Unabomber.

The slow trickle of departing corporate donors turned into a gusher.

Even Heartland insiders, such as Eli Lehrer, who headed the organisation’s Washington group, found the billboard too extreme. Lehrer, who headed the biggest project within Heartland, on insurance, immediately announced his departure along with six other staff.

“The ad was ill advised,” he said. “I’m a free-market conservative with a long rightwing resumé and most, if not all, of my team fits the same description and of us found it very problematic. Staying with Heartland was simply not workable in the wake of this billboard.”

Heartland took down the billboard within 24 hours, but by then the ad had gone viral.

Lehrer, who maintains the split was amicable, said the billboard had undermined Heartland’s claims to be a serious conservative thinktank.

“It didn’t reflect the seriousness which I want to bring to public policy,” Lehrer said in the telephone interview. “As somebody who deals mostly with insurance I believe all risk have to be taken seriously and there certainly are some important climate and global warming related risks that must be taken account of in the insurance market. Trivialising them is not consistent with free-market thought. Suggesting they are only thought about by people who are crazy is not good for the free market.”

Other Heartland allies came to a similar conclusion. In a letter to Heartland announcing he was backing out from the conference, Ross McKitrick, a Canadian economist wrote: “You can not simultaneously say that you want to promote a debate while equating the other side to terrorists and mass murderers.”

A number of other experts meanwhile began cutting their ties with Heartland, according to a tally kept by a Canadian blogger BigCityLiberal.

Meanwhile, there was growing anger that Bast failed to consult with colleagues before ordering up the Kaczynski attack ads.

Four board members told the Guardian they had not been consulted in advance about the ad. “I did not have prior approval of the billboard and was in favor of discontinuing the billboard when I was made aware of it,” Jeff Judson, a Texas lobbyist and board member wrote in an email.

Could the turmoil and discontent at Heartland eventually prove its undoing? Campaigners would certainly hope so. “We are watching the consequences of organisation that acts quite randomly and that is actually an extremist organisation in the end,” said Davies. “They are not built to be at the hump of the climate denial movement.”

But while more mainstream corporate entities are deserting Heartland, others are stepping into the breach, including the coal lobby and conservative groups such as the Heritage Foundation.

Both the Illinois Coal Association and Heritage stepped in to fund this week’s conference, after other corporate donors began backing out in protest at the offensive Kaczynski ad.

Meanwhile, a Greenpeace analysis of the other smaller conference sponsors suggests they have collectively received $5m in funds from Exxon and other oil companies.

The Coal Association and Heritage were not listed on the original conference sponsor list, but appeared to come in about a week or so after the appearance of the offending Kaczynski ad.

Phil Gonet, the chief lobbyist for the 20 coal companies in the association, said he had no qualms about stepping in to fund the Heartland conference.

“We support the work they are doing and so we thought we would finally make a contribution to the organisation,” he said, calling criticism of the ad “moot”, “pointless” and “absurd”.

Gonet went on: “I made a contribution mainly in support of a conference that is designed to make balanced information available to the public on the issue of global warming … In general, the message of the Heartland Institute is something the Illinois Coal Association supports.”

Bom da Rio+20 é a sociedade, dizem especialistas (O Estado de São Paulo)

JC e-mail 4501, de 21 de Maio de 2012.

A um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos em debate ontem (20) em São Paulo disseram que o melhor que se pode esperar da conferência para o desenvolvimento sustentável é que ela sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo (20).

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma. “A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

Rio+20: ONU lista 56 recomendações para um mundo sustentável (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4501, de 21 de Maio de 2012/Folha de São Paulo – 19/5

Documento apresentado no Rio foi preparado por 22 especialistas convocados pelas Nações Unidas.

A ONU lançou, na última sexta-feira (18), no Rio, a versão em português de um relatório com 56 recomendações para que o mundo avance em direção ao desenvolvimento sustentável. O documento, elaborado por 22 especialistas ao longo de um ano e meio, traz sugestões mais ousadas do que aquelas que devem ser acordadas na Rio+20, a conferência da ONU sobre o tema que ocorre em junho na cidade.

Entre as propostas estão o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e a precificação do carbono, com a cobrança, por exemplo, de impostos sobre as emissões de gases do efeito estufa. Espera-se assim estimular a disseminação de tecnologias verdes. “É um relatório com frases e recomendações muito diretas”, diz o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil para a Rio+20.

Para ele, o documento final do encontro de cúpula da ONU deverá trazer formulações “mais sóbrias”.

Outras medidas sugeridas são a criação de um fundo apoiado por governos, ONGs e empresas para garantir acesso universal à educação primária até 2015 e a inclusão dos temas consumo e desenvolvimento sustentáveis nos currículos escolares.

As recomendações são divididas em três grupos, de acordo com seus objetivos principais. O primeiro visa a capacitar as pessoas a fazerem escolhas sustentáveis; o segundo, a tornar a economia sustentável; e o terceiro, a fortalecer a governança institucional para o desenvolvimento sustentável.

“As pessoas participaram desse painel a título pessoal, ou seja, elas não estavam representando governos. Isso dá mais força [ao documento], porque o painel pode dizer certas coisas que não são consenso [entre os mais de 190 países da ONU]“, diz Corrêa do Lago.

O coordenador do relatório, porém, disse esperar que as recomendações sejam levadas em consideração pelos negociadores da Rio+20. Janos Pasztor citou o estabelecimento de metas numéricas para o desenvolvimento sustentável como uma sugestão que pode ser adotada no curto prazo. O tema está em discussão na Rio+20.

A ex-primeira-ministra da Noruega Gro Brundtland, considerada “mãe” do conceito de desenvolvimento sustentável, participou da elaboração do relatório.

O documento completo pode ser acessado pelo link http://www.onu.org.br/docs/gsp-integra.pdf.

José Goldemberg: Cotas raciais – quem ganha, quem perde? (OESP)

JC e-mail 4501, de 21 de Maio de 2012.

José Goldemberg é professor emérito da Universidade de São Paulo. Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (21).

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu recentemente, por unanimidade, que a introdução de cotas raciais no acesso às universidades públicas federais não viola a Constituição da República, seguindo a linha adotada nos Estados Unidos há algumas décadas de introduzir “ações afirmativas” para corrigir injustiças feitas no passado. A decisão flexibiliza a ideia básica de que todos são iguais perante a lei, um dos grandes objetivos da Revolução Francesa.

Ela se origina na visão de que é preciso aceitar a “responsabilidade histórica” dos malefícios causados pela escravidão e compensar, em parte, as vítimas e seus descendentes. A mesma ideia permeia negociações entre países, entre ex-colônias e as nações industrializadas, na área comercial e até nas negociações sobre o clima.

Sucede que, de modo geral, “compensar” povos ou grupos sociais por violências, discriminações e até crimes cometidos no passado raramente ocorreu ao longo da História. Um bom exemplo é o verdadeiro “holocausto” resultante da destruição dos Impérios Inca e Asteca, na América Latina, ou até da destruição de Cartago pelos romanos, que nunca foram objeto de compensações. Se o fossem, a Espanha deveria estar compensando até hoje o que Hernán Cortez fez ao conquistar o México e destruir o Império Asteca.

É perfeitamente aceitável e desejável que grupos discriminados, excluídos ou perseguidos devam ser objeto de tratamento especial pelos setores mais privilegiados da sociedade e do próprio Estado, por meio de assistência social, educação, saúde e criação de oportunidades. Contudo, simplificar a gravidade dos problemas econômicos e sociais que afligem parte da população brasileira, sobretudo os descendentes de escravos, estabelecendo cotas raciais para acesso às universidades públicas do País, parece-nos injustificado e contraprodutivo, porque revela uma falta de compreensão completa do papel que essas instituições de ensino representam.

Universidades públicas e gratuitas atendem apenas a um terço dos estudantes que fazem curso superior no Brasil, que é uma rota importantíssima para a progressão social e o sucesso profissional. As demais universidades são pagas, o que prejudica a parte mais pobre da população estudantil. Essa é uma distorção evidente do sistema universitário do País. Mas o custo do ensino superior é tão elevado que apenas países ricos como a França, a Suécia ou a Alemanha podem oferecer ensino superior gratuito para todos. Não é o nosso caso. Essa é a razão por que existem vestibulares nas universidades públicas, onde a seleção era feita exclusivamente pelo mérito até recentemente.

A decisão recente do Supremo Tribunal Federal deixa de reconhecer o mérito como único critério para admissão em universidades públicas. E abre caminho para a adoção de outras cotas, além das raciais, talvez, no futuro.

Acontece que o sistema universitário tem sérios problemas de qualidade e desempenho, como bem o demonstra o resultado dos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – garantia da qualidade dos profissionais dessa área -, que reprova sistematicamente a maioria dos que se submetem a ele, o mesmo ocorrendo com os exames na área médica.

Órgãos do governo como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, ou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, têm feito esforços para melhorar o desempenho das universidades brasileiras por meio de complexos processos de avaliação, que têm ajudado, mas não se mostraram suficientes.

Esses são mecanismos externos às universidades. Na grande maioria delas, os esforços internos são precários em razão da falta de critérios e de empenho do Ministério da Educação, que escolhe os reitores, alguns dos quais, como os da Universidade de Brasília, iniciaram o processo de criação de cotas raciais como se esse fosse o principal problema das universidades e do ensino superior no Brasil.

O populismo que domina muitas dessas universidades, há décadas, é a principal razão do baixo desempenho das universidades brasileiras na classificação mundial. Somente a Universidade de São Paulo (USP) conseguiu colocar-se entre as melhores 50 nesse ranking.

O problema urgente das universidades brasileiras é, portanto, melhorar de nível, e não resolver problemas de discriminação racial ou corrigir “responsabilidades históricas”, que só poderão ser solucionadas por meio do progresso econômico e educacional básico.

O governo federal parece ter tomado consciência desse problema ao lançar o programa Ciência sem Fronteiras, que se propõe a enviar ao exterior, anualmente, milhares de estudantes universitários, imitando o que o Japão fez no século 19 ou a China no século 20 e foi a base da modernização e do rápido progresso desses países.

Daí o desapontamento com a decisão da Suprema Corte não só por ter sido unânime, mas também por não ter sido objeto de uma tomada de posição de muitos intelectuais formadores de opinião, exceto notáveis exceções, como Eunice R. Durham, Simon Schwartzman, Demétrio Magnoli e poucos outros que se manifestaram sobre a inconveniência da decisão.

O único aspecto positivo na decisão do Supremo Tribunal Federal foi o de que simplesmente aceitou a constitucionalidade das cotas raciais, cabendo aos reitores, em cada universidade, adotá-las e implementá-las.

Há aqui uma oportunidade para que os professores mais esclarecidos assumam a liderança e se esforcem para manter elevado o nível de suas universidades sem descuidar de tornar o acesso pelo mérito mais democrático, e sem a adoção de cotas raciais, como algumas universidades estaduais de São Paulo estão fazendo.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Bill Maher: “… praying away hurricanes is (not) meteorology” (TheHuffington Post)

Bill Maher: Liberty University Is Not A Real School

By  Posted: 05/19/2012 11:10 pm Updated: 05/20/2012 11:18 am

Bill Maher Liberty University

At the end of “Real Time” Friday night, Bill Maher lambasted Liberty University, the Virginia religious university that has become a mandatory stop for Republican presidential candidates. (Watch above.)

“You can’t expect me to believe anything Mitt Romney said last week at Liberty University, because a) he’s a liar and b) Liberty University isn’t really a university,” Maher began. “It’s not like an actual statesman visited a real college. It’s more like the Tupac hologram visited Disneyland and said what he would do as president during the Main Street Electrical Parade.”

Romney delivered Liberty’s commencement speech on May 12.

Maher noted that Liberty teaches “creation science,” and the idea that earth was created 5,000 years ago. “This is a school you flunk out of when you get the answers right,” he joked.

Much as conservatives believe gay marriage cheapens their own vows, “I think a diploma from Liberty cheapens my diploma from a real school,” he continued. “I worked really hard for four years and sold a lot of drugs to get that thing.”

Liberty’s diploma may look real, Maher said, but “when you confuse a church with a school, Maher went on, “it mixes up the things you believe — religion — with the things we know — education. Then you start thinking that creationism is science, and gay aversion is psychology, and praying away hurricanes is meteorology.”

Carta aberta à presidenta Dilma Rousseff – Mudanças climáticas: hora de se recobrar o bom senso

Carta aberta à presidenta Dilma Rousseff
Mudanças climáticas: hora de se recobrar o bom senso
São Paulo, 14 de maio de 2012

CartaAbertaPresidDilmaAR

A Negação das Mudanças Climáticas e a Direita Organizada – Parte 3 – E o Professor Molion?

by Alexandre Araújo Costa on Sunday, May 20, 2012 at 10:45pm.
Postado no Facebook

Ricardo Felício fez aparição meteórica no programa do Jô Soares e, naturalmente, não se sabe que alcance isso pode ter em termos de sua carreira de militante negador. Como mostramos em dois textos anteriores (http://www.facebook.com/note.php?note_id=384583481583550 e http://www.facebook.com/note.php?note_id=385757404799491), academicamente trata-se de alguém com atuação evidentemente limitada, trajetória que não demonstra produtividade acadêmica. Desnudamos, porém, sua vinculação com a direita organizada, seja através da MSIa (vide as outras notas), seja via colaboração direta com o site “midia a mais” (idem), que, por sinal, é citado no Lattes de Ricardo Felício como um dos locais em que ele, deixando é claro a conotação acadêmica do termo, “publica”.

Mas evidentemente Ricardo Felicio não é o único negador brasileiro. Atuante há bem mais tempo, com bem mais trânsito na comunidade acadêmica, ainda envolvido de certo modo com a meteorologia, através do Departamento ao qual é vinculado, na UFAL, o principal negador brasileiro continua a ser o velho Luis Baldicero Molion. Aliás, algumas pessoas me indagaram exatamente da maneira como consta no título (“e o Prof. Molion”?) e este texto visa responder a tal pergunta.

Molion é bastante conhecido na comunidade brasileira de meteorologia. Sempre foi afeito a posições excêntricas e teses que cientificamente poderiam ser chamadas, no mínimo, de marginais (como a influência de vulcões submarinos sobre o El Niño-Oscilação Sul). Sempre foi tido como controvertido e polemista na comunidade, mas quero deixar claro que, conhecendo Molion há certamente mais de uma década e meia, isso parecia ser até um traço simpático. Quero, portanto, deixar claro que este texto aqui, longe de pretender atacar a sua figura ponto de vista pessoal, Ele tem como objetivo expor as movimentações de Molion para além do mundo acadêmico, mas que evidentemente levarão à conclusão de que qualquer ilusão de isenção em torno de suas opiniões seria condescendência para com ele.

Sabe-se que o professor da UFAL tem ministrado um sem-número de palestras nos últimos anos, sempre dedicadas ao mesmo tema, isto é, combater o consenso científico em torno do papel antrópico sobre as mudanças observadas no sistema climático. Não é meu objetivo neste breve texto abordar as questões de mérito, o que fiz com um relativo aprofundamento em http://www.facebook.com/note.php?note_id=384584698250095 e em diversos posts em minha página, mas devo frisar que, longe de representar um negador mais sofisticado, Molion também é grosseiro e desrespeitoso em seus ataques ao restante da comunidade e não preza pela coerência científica, fazendo uso da amálgama variada e inconsistente de pseudo-argumentos negacionistas. Num momento, negando todos os dados observados, diz que não há aquecimento, mas resfriamento; noutro, afirma que há aquecimento, mas que este não é antrópico e que – contrariando novamente tudo que foi medido nas últimas décadas – é um efeito do sol; ou ainda, que estamos diante de algo benéfico.

Especificamente essa combinação de isentar os fatores antrópicos e de afirmar que o aumento da concentração de CO2 é benéfica tem caído como uma luva para que Molion transite confortavelmente junto a um público específico: o do agronegócio e do ruralismo. Afinal, se a pecuária não contribui com emissões de metano e se as emissões de dióxido de carbono (e também de metano) associadas ao desmatamento não são um problema, o discurso de Molion representa um tipo de armadura e escudo pseudo-científicos que o agronegócio precisa. Afinal, se ninguém consegue defender os ruralistas dos crimes perpetrados contra trabalhadores rurais e ambientalistas; se a concentração de terra e renda no campo continua sendo uma mácula revoltante desde os tempos das capitanias em um Brasil que nunca fez uma Reforma Agrária de verdade; se o uso massivo de agrotóxicos e o envenenamento cotidiano de nossas mesas também desperta antipatia do grande público… pelo menos com os argumentos “moliônicos”, o agronegócio e os reis do gado e soja ficam livres de acusações quanto à questão do clima…

E de fato, Molion tem falado muito para esse público. Em 24/06/2008, palestrou no “Seminário Cooplantio” (divulgado pela Rádio Rural em http://wp.clicrbs.com.br/radioruralam/2008/06/24/diario-de-gramado-ii-seminario-cooplantio/). Outra entrevista foi divulgada junto ao SINCAL (Assoc. Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtoras de Café e Leite), vide http://sincal.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=940:prof-molion-desfaz-falsas-acusacoes-contra-a-pecuaria&catid=1:noticias-ultimas&Itemid=19. Em 30/03/2009, outra palestra, ministrada na Fenicafé 2009, com o “tema” “Aquecimento global: mitos e verdades. Quais os efeitos para a agricultura?” No evento afirmou que “o aquecimento global é totalmente questionável e amparado em “imbecilidades” (http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?pub_id=49547). Em 01/02/2010, concede entrevista divulgada como “Prof. Molion desfaz falsas acusações contra a pecuária” em MFRural, site que se auto-apresenta como “O MF Rural é um site desenvolvido com a finalidade de facilitar as negociações e promover o encontro entre produtores rurais”. Na home, a chamada é “MF Rural – O Agronegócio passa por aqui!”
http://noticias.mfrural.com.br/noticia-agricola/prof.-molion-desfaz-falsas-acusacoes-contra-a-pecuaria-16151.aspx. Em 26/03/2010, ministrou palestra patrocinada pela Câmara especializada de agronomia do CREA-RJ. Na chamada, no site abaixo, diz-se que “o alarmismo ambientalista, assim como o multiculturalismo, o antitabagismo e a “anti-homofobia”, é hoje uma das principais armas utilizadas na construção do poder mundial”
(http://libertadmatters.blogspot.com.br/2010/03/convite-palestra-aquecimento-global.html). Em 11/02/2011, foi a vez do Conselho Federal de Medicina Veterinária (http://www.cfmv.org.br/portal/destaque.php?cod=443). Nele, Molion diz exatamente o que o público quer ouvir, ao afirmar que “a Pecuária, uma das principais atividades econômicas do Brasil, na qual a Medicina Veterinária e Zootecnia atuam diretamente, sofre uma penalização excessiva como agente causador de poluição”. O site complementa, afirmando que “De acordo com dados de Molion, a relação não pode ser justificada, já que os rebanhos estão em crescimento, com aumento de 17 milhões de ruminantes ao ano e, no mesmo período, as taxas de metano seguem estáveis”.

Mas imbatível mesmo é o que está por vir em poucos dias. Em 26/05/2012, conforme divulgado em http://fakeclimate.files.wordpress.com/2012/05/palestra_adesg-sp1.png, Molion palestrará na XV Assembléia do “Foro do Brasil”, organização de direita cujos ataques à Comissão da Verdade, à constitucionalidade das cotas, à “ofensiva indigenista” e cuja defesa do agronegócio e do novo Código Florestal não deixam dúvidas de se tratar do mais duro e radical neo-fascismo tupiniquim. O site anuncia, altissonante, que “você terá oportunidade de saber como os conceitos de aquecimento global e poluição pelo CO2 são uma grande farsa que movimenta bilhões de Euros, beneficiando empresas, e ongs” e que “conhecerá muitas das verdades e a história desse crime que está sendo cometido”.

Quem é esse tal Foro do Brasil? Em 31 de Março (atentem para a data), tinha a idéia de fundar o POP – “Partido Ordem e Progresso” (http://forodobrasil.info/fb/?p=2361#comment-122). Refere-se à “Começão da Inverdade”, para defender torturadores e assassinos. Os links do “Foro do Brasil”, claro, não poderiam deixar de incluir a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, o Blog do conhecido direitista, ator Carlos Vereza, o “Cavaleiro do Templo”, o “Levante-se Brasil”, os delirantes do “Verde:A Nova Cor Do Comunismo”, o site da Monarquia e, é claro, o indefectível “Midia sem Máscara” (aquele pessoal maluco que diz que a Globo e toda a mídia são “de esquerda”, que a universidade é toda “comunista”, etc.) e outros desse naipe…

E novamente fica claro. Há sempre algo por trás do discurso negador das mudanças climáticas, da postura de ignorar todas as evidências concretas, de passar por cima de tudo que se conhece até de leis da Física, dos ataques grosseiros e virulentos à comunidade científica e da tentativa de gerar descrédito junto à opinião pública em relação à Ciência e aos Cientistas. Quem trabalha realmente em busca da verdade científica disputa seu ponto de vista fazendo valer o método. Coleta dados, faz experimentos, desenvolve e usa modelos. Escreve artigos que, se estiverem corretos metodologicamente, serão apreciados e podem servir de evidência. Se aquilo que Molion traz ao que ele chama de “debate” realmente fossem hipóteses científicas, ele teria bastante espaço. A comunidade ainda tem por ele, até de forma condescendente, apreço e respeito (pela pessoa, eu tenho, mas pela conduta, não). Molion foi chamado para, 4 dias após acusar a todos nós de farsantes e desonestos num evento da extrema-direita, discutir sobre “Extremos Climáticos, Zona Costeira e Semi-Árido”, num evento em Natal, do qual também participarei, sobre Mudanças Climáticas e Vulnerabilidade (http://www.ccet.ufrn.br/cciv2012/). Molion seria ouvido na comunidade, se sua postura fosse de fidelidade ao método científico. Mas, assim como no caso de Ricardo Felício, a ciência anda longe. Há muito foi abandonada, em nome da agenda política. O agronegócio e os neo-fascistas, claro, aplaudem.