Repercussões do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

Brasil já se prepara para adaptações às mudanças climáticas, diz especialista (Agência Brasil)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Com base no relatório do IPCC,dirigente do INPE disse que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas

Com o título Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, o relatório divulgado ontem (31) pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sinaliza que os efeitos das mudanças do clima já estão sendo sentidos em todo o mundo. O relatório aponta que para se alcançar um aquecimento de apenas 2 graus centígrados, que seria o mínimo tolerável para que os impactos não sejam muito fortes, é preciso ter emissões zero de gases do efeito estufa, a partir de 2050.

“O compromisso é ter emissões zero a partir de 2040 /2050, e isso significa uma mudança de todo o sistema de desenvolvimento, que envolve mudança dos combustíveis”, disse hoje (1º) o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestr,e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, um dos autores do novo relatório do IPCC. Marengo apresentou o relatório na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, e destacou que alguns países interpretam isso como uma tentativa de frear o crescimento econômico. Na verdade, ele assegurou que a intenção é chegar a um valor para que o aquecimento não seja tão intenso e grave.

Com base no relatório do IPCC, Marengo comentou que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas. “Eu acho que o Brasil já escutou a mensagem. Já está começando a preparar o plano nacional de adaptação, por meio dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação”. Essa adaptação, acrescentou, é acompanhada de avaliações de vulnerabilidades, “e o Brasil é vulnerável às mudanças de clima”, lembrou.

A adaptação, segundo ele, atenderá a políticas governamentais, mas a comunidade científica ajudará a elaborar o plano para identificar regiões e setores considerados chave. “Porque a adaptação é uma coisa que muda de região e de setor. Você pode ter uma adaptação no setor saúde, no Nordeste, totalmente diferente do Sul. Então, essa é uma política que o governo já está começando a traçar seriamente”.

O plano prevê análises de risco em setores como agricultura, saúde, recursos hídricos, regiões costeiras, grandes cidades. Ele está começando a ser traçado como uma estratégia de governo. Como as vulnerabilidades são diferentes, o plano não pode criar uma política única para o país. Na parte da segurança alimentar, em especial, José Marengo ressaltou a importância do conhecimento indígena, principalmente para os países mais pobres.

Marengo afiançou, entretanto, que esse plano não deverá ser concluído no curto prazo. “É uma coisa que leva tempo. Esse tipo de estudo não pode ser feito em um ou dois anos. É uma coisa de longo prazo, porque vai mudando continuamente. Ou seja, é um plano dinâmico, que a cada cinco anos tem que ser reavaliado e refeito. Poucos países têm feito isso, e o Brasil está começando a elaborar esse plano agora”, manifestou.

Marengo admitiu que a adaptação às mudanças climáticas tem que ter também um viés econômico, por meio da regulação. “Quando eu falo em adaptação, é uma mistura de conhecimento científico para identificar que área é vulnerável. Mas tudo isso vem acompanhado de coisas que não são climáticas, mas sim, econômicas, como custos e investimento. Porque adaptação custa dinheiro. Quem vai pagar pela adaptação? “, indagou.

O IPCC não tem uma posição a respeito, embora Marengo mencione que os países pobres querem que os ricos paguem pela sua adaptação às mudanças do clima. O tema deverá ser abordado na próxima reunião da 20ª Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima COP-20, da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá em Lima, no Peru, no final deste ano.

Entretanto, o IPCC aponta situações sobre o que está ocorrendo nas diversas partes do mundo, e o que poderia ser feito. As soluções, salientou, serão indicadas no próximo relatório do IPCC, cuja divulgação é aguardada para este mês. O relatório, segundo ele, apontará que “a solução está na mitigação”. Caso, por exemplo, da redução das emissões de gases de efeito estufa, o uso menor de combustíveis fósseis e maior uso de fontes de energia renováveis, novas opções de combustíveis, novas soluções de tecnologia, estabilização da população. “Tudo isso são coisas que podem ser consideradas”. Admitiu, porém, que são difíceis de serem alcançadas, porque alguns países estão dispostos a isso, outros não. “É uma coisa que depende de acordo mundial”.

De acordo com o relatório do IPCC, as tendências são de aumento da temperatura global, aumento e diminuição de precipitações (chuvas), degradação ambiental, risco para as áreas costeiras e a fauna marinha, mudança na produtividade agrícola, entre outras. A adaptação a essas mudanças depende do lugar e do contexto. A adaptação para um setor pode não ser aplicável a outro. As medidas visando a adaptação às mudanças climáticas devem ser tomadas pelos governos, mas também pela sociedade como um todo e pelos indivíduos, recomendam os cientistas que elaboraram o relatório.

Para o Nordeste brasileiro, por exemplo, a construção de cisternas pode ser um começo no sentido de adaptação à seca. Mas isso tem de ser uma busca permanente, destacou José Marengo. Observou que programas de reflorestamento são formas de mitigação e, em consequência, de adaptação, na medida em que reduzem as emissões e absorvem as emissões excedentes.

No Brasil, três aspectos se distinguem: segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. As secas no Nordeste e as recentes enchentes no Norte têm ajudado a entender o problema da vulnerabilidade do clima, acrescentou o cientista. Disse que, de certa forma, o Brasil tem reagido para enfrentar os extremos. “Mas tem que pensar que esses extremos podem ser mais frequentes. A experiência está mostrando que alguns desses extremos devem ser pensados no longo prazo, para décadas”, salientou.

O biólogo Marcos Buckeridge, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e membro do IPCC, lembrou que as queimadas na Amazônia, apesar de mostrarem redução nos últimos anos, ainda ocorrem com intensidade. “O Brasil é o país que mais queima floresta no mundo”, e isso leva à perda de muitas espécies animais e vegetais, trazendo, como resultado, impactos no clima.

Para a pesquisadora sênior do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas – Centro Clima da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carolina Burle Schmidt Dubeux, a economia da adaptação deve pensar o gerenciamento também do lado da demanda. Isso quer dizer que tem que englobar não só investimentos, mas também regulação econômica em que os preços reflitam a redução da oferta de bens. “Regulação econômica é muito importante para que a gente possa se adaptar [às mudanças do clima]. As políticas têm que refletir a escassez da água e da energia elétrica e controlar a demanda”, apontou.

Segundo a pesquisadora, a internalização de custos ambientais nos preços é necessária para que a população tenha maior qualidade de vida. “A questão da adaptação é um constante gerenciamento do risco das mudanças climáticas, que é desconhecido e imprevisível”, acrescentou. Carolina defendeu que para ocorrer a adaptação, deve haver uma comunicação constante entre o governo e a sociedade. “A mídia tem um papel relevante nesse processo”, disse.

(Agência Brasil)

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Mudanças climáticas ameaçam produtos da cesta básica brasileira (O Globo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Dieta será prejudicada por queda das safras e da atividade pesqueira

Os impactos das mudanças climáticas no país comprometerão o rendimento das safras de trigo, arroz, milho e soja, produtos fundamentais da cesta básica do brasileiro. Outro problema desembarca no litoral. Segundo prognósticos divulgados esta semana pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), grandes populações de peixes deixarão a zona tropical nas próximas décadas, buscando regiões de alta latitude. Desta forma, a pesca artesanal também é afetada.

A falta de segurança alimentar também vai acometer outros países. Estima-se que a atividade agrícola da União Europeia caia significativamente até o fim do século. Duas soluções já são estudadas. Uma seria aumentar as importações – o Brasil seria um importante mercado, se conseguir nutrir a sua população e, além disso, desenvolver uma produção excedente. A outra possibilidade é a pesquisa de variedades genéticas que deem resistência aos alimentos diante das novas condições climáticas.

- Os eventos extremos, mesmo quando têm curta duração, reduzem o tamanho da safra – contou Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da USP e coautor do relatório do IPCC, em uma apresentação realizada ontem na Academia Brasileira de Ciências. – Além disso, somos o país que mais queima florestas no mundo, e a seca é maior justamente na Amazônia Oriental, levando a perdas na agricultura da região.

O aquecimento global também enfraquecerá a segurança hídrica do país.

- É preciso encontrar uma forma de garantir a disponibilidade de água no semiárido, assim como estruturas que a direcione para as áreas urbanas – recomenda José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e também autor do relatório.

Marengo lembra que o Nordeste enfrenta a estiagem há três anos. Segundo ele, o uso de carros-pipa é uma solução pontual. Portanto, outras medidas devem ser pensadas. A transposição do Rio São Francisco também pode não ser suficiente, já que a região deve passar por um processo de desertificação até o fim do século.

De acordo com um estudo realizado em 2009 por diversas instituições brasileiras, e que é citado no novo relatório do IPCC, as chuvas no Nordeste podem diminuir até 2,5mm por dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreiro dos bovinos de corte. O retrocesso da pecuária é outro ataque à dieta do brasileiro.

- O Brasil perderá entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões em 2050, se nada fizer . Enfrentaremos perda agrícola e precisaremos de mais recursos para o setor hidrelétrico – alerta Carolina Dubeux, pesquisadora do Centro Clima da Coppe/UFRJ, que assina o documento. – A adaptação é um constante gerenciamento de risco.

(Renato Grandelle / O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/mudancas-climaticas-ameacam-produtos-da-cesta-basica-brasileira-12061170#ixzz2xjSEUoVy

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Impactos mais graves no clima do país virão de secas e de cheias (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Brasileiros em painel da ONU dizem que país precisa se preparar para problemas opostos em diferentes regiões

As previsões regionais do novo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) aponta como principais efeitos da mudança climática no país problemas na disponibilidade de água, com secas persistentes em alguns pontos e cheias recordes em outros. Lançado anteontem no Japão, o documento do grupo de trabalho 2 do IPCC dá ênfase a impactos e vulnerabilidades provocados pelo clima ao redor do mundo. Além de listar os principais riscos, o documento ressalta a necessidade de adaptação aos riscos projetados. No Brasil, pela extensão territorial, os efeitos serão diferentes em cada região.

Além de afetar a floresta e seus ecossistemas, a mudança climática deve prejudicar também a geração de energia, a agricultura e até a saúde da população. “Tudo remete à água. Onde nós tivermos problemas com a água, vamos ter problemas com outras coisas”, resumiu Marcos Buckeridge, professor da USP e um dos autores do relatório do IPCC, em entrevista coletiva com outros brasileiros que participaram do painel.

Na Amazônia, o padrão de chuvas já vem sendo afetado. Atualmente, a cheia no rio Madeira já passa dos 25 m –nível mais alto da história– e afeta 60 mil pessoas. No Nordeste, que nos últimos anos passou por secas sucessivas, as mudanças climáticas podem intensificar os períodos sem chuva, e há um risco de que o semiárido vire árido permanentemente.

Segundo José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e um dos autores principais do documento, ainda é cedo para saber se a seca persistente em São Paulo irá se repetir no ano que vem ou nos outros, mas alertou que é preciso que o Brasil se prepare melhor.

MITIGAR E ADAPTAR
O IPCC fez previsões para diferentes cenários, mas, basicamente, indica que as consequências são mais graves quanto maiores os níveis de emissões de gases-estufa. “Se não dá para reduzir as ameaças, precisamos pelo menos reduzir os riscos”, disse Marengo, destacando que, no Brasil, nem sempre isso acontece. No caso das secas, a construção de cisternas e a mobilização de carros-pipa seriam alternativas de adaptação. Já nos locais onde deve haver aumento nas chuvas, a remoção de populações de áreas de risco, como as encostas, seria a alternativa.

Carolina Dubeux, da UFRJ, que também participa do IPCC, afirma que, para que haja equilíbrio entre oferta e demanda, é preciso que a economia reflita a escassez dos recursos naturais, sobretudo em áreas como agricultura e geração de energia. “É necessário que os preços reflitam a escassez de um bem. Se a água está escassa, o preço dela precisa refletir isso. Não podemos só expandir a oferta”, afirmou.

Neste relatório, caiu o grau de confiança sobre projeções para algumas regiões, sobretudo em países em desenvolvimento. Segundo Carlos Nobre, secretário do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, isso não significa que o documento tenha menos poder político ou científico.

Everton Lucero, chefe de clima no Itamaraty, diz que o documento será importante para subsidiar discussões do próximo acordo climático mundial. “Mas há um desequilíbrio entre os trabalhos científicos levados em consideração pelo IPCC, com muito mais ênfase no que é produzido nos países ricos. As nações em desenvolvimento também produzem muita ciência de qualidade, que deve ter mais espaço”, disse.

(Giuliana Miranda/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/159305-impactos-mais-graves-no-clima-do-pais-virao-de-secas-e-de-cheias.shtml

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Relatório do IPCC aponta riscos e oportunidades para respostas (Ascom do MCTI)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) diz que os efeitos das mudanças climáticas já estão ocorrendo em todos os continentes e oceanos e que o mundo, em muitos casos, está mal preparado para os riscos. O documento também conclui que há oportunidades de repostas, embora os riscos sejam difíceis de gerenciar com os níveis elevados de aquecimento.

O relatório, intitulado Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, foi elaborado pelo Grupo de Trabalho 2 (GT 2) do IPCC e detalha os impactos das mudanças climáticas até o momento, os riscos futuros e as oportunidades para uma ação eficaz para reduzir os riscos. Os resultados foram apresentados à imprensa brasileira em entrevista coletiva no Rio de Janeiro nesta terça-feira (1º).

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório. Eles contaram com a ajuda de 436 autores contribuintes e 1.729 revisores especialistas.

Os autores concluem que a resposta às mudanças climáticas envolve fazer escolhas sobre os riscos em um mundo em transformação, assinalando que a natureza dos riscos das mudanças climáticas é cada vez mais evidente, embora essas alterações também continuem a produzir surpresas. O relatório identifica as populações, indústrias e ecossistemas vulneráveis ao redor do mundo.

Segundo o documento, o risco da mudança climática provém de vulnerabilidade (falta de preparo), exposição (pessoas ou bens em perigo) e sobreposição com os riscos (tendências ou eventos climáticos desencadeantes). Cada um desses três componentes pode ser alvo de ações inteligentes para diminuir o risco.

“Vivemos numa era de mudanças climáticas provocadas pelo homem”, afirma o copresidente do GT 2 Vicente Barros, da Universidade de Buenos Aires, Argentina. “Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos relacionados com o clima que já enfrentamos. Investimentos num melhor preparo podem melhorar os resultados, tanto para o presente e para o futuro.”

Reação
A adaptação para reduzir os riscos das mudanças climáticas começa a ocorrer, mas com um foco mais forte na reação aos acontecimentos passados do que na preparação para um futuro diferente, de acordo com outro copresidente do GT, Chris Field, da Carnegie Institution for Science, dos Estados Unidos.

“A adaptação às mudanças climáticas não é uma agenda exótica nunca tentada. Governos, empresas e comunidades ao redor do mundo estão construindo experiência com a adaptação”, explica Field. “Esta experiência constitui um ponto de partida para adaptações mais ousadas e ambiciosas, que serão importantes à medida que o clima e a sociedade continuam a mudar”.

Riscos futuros decorrentes das mudanças no clima dependem fortemente da quantidade de futuras alterações climáticas. Magnitudes crescentes de aquecimento aumentam a probabilidade de impactos graves e generalizados que podem ser surpreendentes ou irreversíveis.

“Com níveis elevados de aquecimento, que resultam de um crescimento contínuo das emissões de gases de efeito estufa, será um desafio gerenciar os riscos e mesmo investimentos sérios e contínuos em adaptação enfrentarão limites”, afirma Field.

Problemas
Impactos observados da mudança climática já afetaram a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas terrestres e marítimos, abastecimento de água e a vida de algumas pessoas. A característica marcante dos impactos observados é que eles estão ocorrendo a partir dos trópicos para os polos, a partir de pequenas ilhas para grandes continentes e dos países mais ricos para os mais pobres.

“O relatório conclui que as pessoas, sociedades e ecossistemas são vulneráveis em todo o mundo, mas com vulnerabilidade diferentes em lugares diferentes. As mudanças climáticas muitas vezes interagem com outras tensões para aumentar o risco”, diz Chris Field.

A adaptação pode desempenhar um papel-chave na redução destes riscos, observa Vicente Barros. “Parte da razão pela qual a adaptação é tão importante é que, devido à mudança climática, o mundo enfrenta uma série de riscos já inseridos no sistema climático, acentuados pelas emissões passadas e infraestrutura existente”.

Field acrescenta: “A compreensão de que a mudança climática é um desafio na gestão de risco abre um leque de oportunidades para integrar a adaptação com o desenvolvimento econômico e social e com as iniciativas para limitar o aquecimento futuro. Nós definitivamente enfrentamos desafios, mas compreender esses desafios e ultrapassá-los de forma criativa pode fazer da adaptação à mudança climática uma forma importante de ajudar a construir um mundo mais vibrante em curto prazo e além”.

Conteúdo
O relatório do GT 2 é composto por dois volumes. O primeiro contém Resumo para Formuladores de Políticas, Resumo Técnico e 20 capítulos que avaliam riscos por setor e oportunidades para resposta. Os setores incluem recursos de água doce, os ecossistemas terrestres e oceânicos, costas, alimentos, áreas urbanas e rurais, energia e indústria, a saúde humana e a segurança, além dos meios de vida e pobreza.

Em seus dez capítulos, o segundo volume avalia os riscos e oportunidades para a resposta por região. Essas regiões incluem África, Europa, Ásia, Australásia (Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia), América do Norte, América Central e América do Sul, regiões polares, pequenas ilhas e oceanos.

Acesse a contribuição do grupo de trabalho (em inglês) aqui ou no site da instituição.

A Unidade de Apoio Técnico do GT 2 é hospedada pela Carnegie Institution for Science e financiada pelo governo dos Estados Unidos.

Mapa
“O relatório do Grupo de Trabalho 2 é outro importante passo para a nossa compreensão sobre como reduzir e gerenciar os riscos das mudanças climáticas”, destaca o presidente do IPCC, RajendraPachauri. “Juntamente com os relatórios dos grupos 1 e 3, fornece um mapa conceitual não só dos aspectos essenciais do desafio climático, mas as soluções possíveis.”

O relatório do GT 1 foi lançado em setembro de 2013, e o do GT 3 será divulgado neste mês. O quinto relatório de avaliação (AR5) será concluído com a publicação de uma síntese em outubro.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima é o organismo internacional para avaliar a ciência relacionada à mudança climática. Foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma), para fornecer aos formuladores de políticas avaliações regulares da base científica das mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros, e opções para adaptação e mitigação.

Foi na 28ª Sessão do IPCC, realizada em abril de 2008, que os membros do painel decidiram preparar o AR5. O documento envolveu 837 autores e editores de revisão.

(Ascom do MCTI, com informações do IPCC)
http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/353700/Relatorio_do_IPCC_aponta_riscos_e_oportunidades_para_respostas.html

Exoesqueleto do projeto ‘Walk Again’ funciona em teste documentado no Facebook (O Globo)

JC e-mail 4924, de 01 de abril de 2014

Voluntários já estão treinando em um laboratório de São Paulo para usar a veste robótica

Um paraplégico se levanta da cadeira de rodas, anda e dá o primeiro chute da Copa do Mundo de 2014 vestindo um exoesqueleto robótico controlado pela mente. O traje robótico complexo, construído a partir de ligas leves e alimentado por sistema hidráulico, foi construído por Gordon Cheng, da Universidade Técnica de Munique, e tem a função de trabalhar os músculos da perna paralisada.

O exoesqueleto é fruto de anos de trabalho de uma equipe internacional de cientistas e engenheiros do projeto “Walk Again”, liderado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, que lança nesta terça-feira, em sua página no Facebook, a documentação do projeto até as vésperas da Copa do Mundo. Nicolelis já está treinando em um laboratório de São Paulo nove homens e mulheres paraplégicos, com idades de 20 a 40 anos, para usar o exoesqueleto. Três deles serão escolhidos para participar do jogo de abertura entre Brasil e Croácia.

No mês passado, a equipe de pesquisadores foi a jogos de futebol em São Paulo para verificar se a radiação do telefone móvel das multidões pode interferir com o processo. As ondas eletromagnéticas poderiam fazer o exoesqueleto se comportar mal, mas os testes foram animadores. As chances de mau funcionamento são poucas.

O voluntário que usar o exoesqueleto vestirá também um boné equipado com eletrodos para captar suas ondas cerebrais. Estes sinais serão transmitidos para um computador em uma mochila, onde serão descodificados e usados para mover condutores hidráulicos na roupa. O exoesqueleto é alimentado por uma bateria que permite a duas horas de uso contínuo.

Sob os pés do operador estarão placas com sensores para detectar quando o contato é feito com o solo. A cada pisada, um sinal dispara até um dispositivo vibratório costurado no antebraço da camisa do usuário. O dispositivo parece enganar o cérebro, que pensar que a sensação vem de seu pé. Em simulações de realidade virtual, os pacientes sentiram que suas pernas estavam se movendo e tocando alguma coisa. Em outros testes, os pacientes usaram o sistema para andar em uma esteira.

http://oglobo.globo.com/ciencia/exoesqueleto-do-projeto-walk-again-funciona-em-teste-documentado-no-facebook-12053200#ixzz2xe8W6LR5

Relatório do IPCC sugere adaptação baseada em ecossistemas (Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Modelo adotado no Brasil e região foi indicado como alternativa a infraestutura cara

Além das recomendações usuais para que os países invistam mais em infraestrutura para aumentar sua resiliência às mudanças climáticas, no novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado neste domingo, 30, ganhou espaço uma alternativa mais barata que pode, em alguns locais, conseguir efeitos parecidos: a adaptação baseada em ecossistemas.

O tema aparece em maior ou menor profundidade em cerca de metade dos capítulos e teve destaque especial no capítulo regional de América Central e do Sul, onde técnicas como criação de áreas protegidas, acordos para conservação e manejos comunitários de áreas naturais estão sendo testadas.

Mas o que isso tem a ver com adaptação? De acordo com o ecólogo Fabio Scarano, da Conservação Internacional, e um dos autores do capítulo, a ideia é fortalecer serviços ecossistêmicos que são fundamentais. Um ambiente bem preservado tem a capacidade de prover um clima estável, o fornecimento de água, a presença de polinizadores. “Como se fosse uma infraestrutura da própria natureza”, diz.

Como premissa, está a conservação da natureza aliada ao incentivo do seu uso sustentável – a fim também de evitar a pobreza, que é um dos principais motores da vulnerabilidade de populações.

“Normalmente quando se fala em adaptação se pensa na construção de grandes estruturas, como um dique, por exemplo, para evitar uma inundação. O que em geral é muito caro, mas em uma adaptação baseada em ecossistemas, conservar a natureza e usá-la bem é uma forma de diminuir a vulnerabilidade das pessoas às mudanças climáticas”, afirma.

Ele cita como exemplo uma região costeira em que o mangue tenha sido degradado. “Esse ecossistema funciona como uma barreira. Em um cenário de ressacas mais fortes, elevação do nível do mar, a costa vai ficar mais vulnerável, será necessário construir diques. Mas se mantém o mangue em pé e se oferece um auxílio para que as pessoas possam ter uma economia básica desse mangue, com técnicas mais sustentáveis, e elas recebam para mantê-lo assim, vai ser mais barato do que depois ter de fazer um dique.”

Segundo o pesquisador, para ser mais resiliente é importante acabar com a pobreza e preservar a natureza. “Se for possível ter os dois, a gente consegue o tão falado desenvolvimento sustentável”, opina.

(Giovana Girardi / Estado de S.Paulo)

http://www.estadao.com.br/noticias/vida,relatorio-do-ipcc-sugere-adaptacao-baseada-em-ecossistemas,1147134,0.htm

Outras matérias sobre o assunto:

O Globo
Painel da ONU apresenta medidas contra aquecimento global
http://oglobo.globo.com/ciencia/painel-da-onu-apresenta-medidas-contra-aquecimento-global-12038245#ixzz2xXy60bbZ

Valor Econômico
Mudança do clima afeta a todos e está acontecendo agora, alerta IPCC
http://www.valor.com.br/internacional/3500174/mudanca-do-clima-afeta-todos-e-esta-acontecendo-agora-alerta-ipcc#ixzz2xYAtWVsg

Esqueleto-robô da Copa usará técnica já criticada por criador (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Cientista Miguel Nicolelis muda método para fazer criança paraplégica dar chute inicial na competição

Na abertura da Copa do Mundo do Brasil, uma criança com lesão medular usando um exoesqueleto dará o pontapé inicial da competição. A demonstração pública será o primeiro resultado do projeto “Andar de Novo”, liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Mas uma recente mudança na maneira como serão captados os sinais cerebrais que controlarão o exoesqueleto traz dúvidas sobre os avanços do projeto no campo da neurociência.

Em sua carreira, Nicolelis sempre fez uma defesa intransigente do implante de eletrodos dentro do cérebro para captar a atividade simultânea de neurônios individuais. Era crítico de métodos não invasivos, como a eletroencefalografia (EEG) –técnica desenvolvida no começo do século passado que usa eletrodos colocados no couro cabeludo para obter tais registros.

Até pelo menos maio do ano passado, Nicolelis ainda dava declarações públicas sobre o desenvolvimento de eletrodos para serem implantados. Mas a partir de outubro de 2013, passou a dizer que usaria sinais obtidos por EEG. Críticas a essa técnica estão em seu livro, em artigos e já rendeu até embates públicos.

Em artigo publicado em 2008 na revista “Scientific American Brasil” e assinado com John Chapin, Nicolelis diz: “Os sinais de EEG, no entanto, não podem ser usados diretamente em próteses de membros, pois mostram a atividade elétrica média de populações amplas de neurônios. É difícil extrair desses sinais as pequeníssimas variações necessárias para codificar movimentos precisos dos braços ou das mãos.”

Em um debate da Associação Americana para o Avanço da Ciência de 2013, o brasileiro dirigiu provocações a Todd Coleman, da Universidade da Califórnia em San Diego, que pesquisa a EEG para controlar próteses. Na ocasião, Nicolelis disse que “haverá aplicações de implantes invasivos porque eles são muito melhores do que dispositivos de superfície”.

Segundo Márcio Dutra Moraes, neurocientista da UFMG, a mudança de metodologia é uma modificação “conceitual em como abordar a questão”. Ele aponta que isso ocorreu não porque a EEG é melhor, mas porque a proposta original era “estupidamente mais complexa” e o uso da EEG simplifica muito as coisas, ainda que não traga nenhum avanço substancial. Segundo Moraes, a mudança “certamente se deu pela impossibilidade de resolver de forma satisfatória e ética o projeto inicial dentro do limite de tempo imposto pela Copa”.

Segundo um cientista com experiência internacional que não quis se identificar, o projeto atual, como será apresentado na Copa, não justificaria os R$ 33 milhões investidos pelo governo.

Edward Tehovnik, pesquisador do Instituto do Cérebro da UFRN, chegou a trabalhar com Nicolelis, mas rompeu com o cientista, que o demitiu. Ele questiona quanto da demonstração de junho será controlada pelo exoesqueleto e quanto será controlada pelo cérebro da criança.

“Minha análise, baseada nos dados publicados, sugere que menos de 1% do sinal virá do cérebro da criança. Os outros 99% virão do robô”. E ele pergunta: “Será mesmo a criança paralisada que vai chutar a bola?”.

Sergio Neuenschwander, professor titular da UFRN, diz que a opção pelo EEG é uma mudança muito profunda no projeto original. Ele diz que é possível usar sinais de EEG para dar comandos ao robô, mas isso é diferente de obter o que seria o código neural de andar, sentar, chutar etc.

“O fato de ele ter optado por uma mudança de técnica mostra o tamanho do desafio pela frente.”

(Fernando Tadeu Moraes/Folha de S.Paulo)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/158644-esqueleto-robo-da-copa-usara-tecnica-ja-criticada-por-criador.shtml

Global warming dials up our risks, UN report says (AP)

By SETH BORENSTEIN, 30 March 2014

FILE – In this Aug. 20, 2013 file photo, Syrian refugees cross into Iraq at the Peshkhabour border point in Dahuk, 260 miles (430 kilometers) northwest of Baghdad, Iraq. In an authoritative report due out Monday, March 31, 2014, a United Nations climate panel for the first time is connecting hotter global temperatures to hotter global tempers. Top scientists are saying that climate change will complicate and worsen existing global security problems, such as civil wars, strife between nations and refugees. (AP Photo/Hadi Mizban, File)
FILE – In this Dec. 17, 2011 file photo, an Egyptian protester throws a stone toward soldiers, unseen, as a building burns during clashes near Tahrir Square, in Cairo, Egypt. In an authoritative report due out Monday, March 31, 2014, a United Nations climate panel for the first time is connecting hotter global temperatures to hotter global tempers. Top scientists are saying that climate change will complicate and worsen existing global security problems, such as civil wars, strife between nations and refugees. (AP Photo/Ahmad Hammad, File).
FILE – In this Nov. 10, 2013 file photo, a survivor walks by a large ship after it was washed ashore by strong waves caused by powerful Typhoon Haiyan in Tacloban city, Leyte province, central Philippines. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/Aaron Favila, File).
FILE – This Nov. 9, 2013 file photo provided by NASA shows Typhoon Haiyan taken by astronaut Karen L. Nyberg aboard the International Space Station. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/NASA, Karen L. Nyberg, File).
FILE – This May 6, 2008 file photo, shows an aerial view of devastation caused by Cyclone Nargis, seen at an unknown location in Myanmar. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/File).
FILE – This Oct. 31, 2012 file photo, shows an aerial view of the damage to an amusement park left in the wake of Superstorm Sandy, in Seaside Heights, N.J. Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies said. Global warming is driving humanity toward a whole new level of many risks, a United Nations scientific panel reports, warning that the wild climate ride has only just begun. (AP Photo/Mike Groll, File)
FILE – In this Oct. 22, 2005 file photo, a motorcyclist rides past a mountain of trash, sheet rock and domestic furniture, removed from homes damaged by Hurricane Katrina, at one of three dump areas setup for that purpose, in New Orleans, LA. In the cases of the big storms like Haiyan, Sandy and Hurricane Katrina in 2005, the poor were the most vulnerable, a United Nations scientific panel reports said. The report talks about climate change helping create new pockets of poverty and “hotspots of hunger” even in richer countries, increasing inequality between rich and poor. (AP Photo/Nati Harnik, File)
FILE – In this Aug. 7, 2010 file photo, a firefighter tries to stop a forest fire near the village of Verkhnyaya Vereya in Nizhny Novgorod region, some 410 km (255 miles) east of Moscow. Twenty-first century disasters such as killer heat waves in Europe, wildfires in the United States, droughts in Australia and deadly flooding in Mozambique, Thailand and Pakistan highlight how vulnerable humanity is to extreme weather, says a massive new report from a Nobel Prize-winning group of scientists released early Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Alexander Zemlianichenko Jr., File)
FILE - This Nov. 13, 2013 file photo, shows typhoon damaged fuel tanks along the coast in Tanawan, central Philippines. A United Nations panel of scientists has drafted a list of eight ``key risks” about climate change that’s easy to understand and illustrates the issues that have the greatest potential to cause harm to the planet. The list is part of a massive report on how global warming is affecting humans and the planet and how the future will be worse unless something is done about it. The report is being finalized at a meeting on the weekend of March 29, 2014 by the Intergovernmental Panel on Climate Change. (AP Photo/Wally Santana, File)
FILE – This Nov. 13, 2013 file photo, shows typhoon damaged fuel tanks along the coast in Tanawan, central Philippines. A United Nations panel of scientists has drafted a list of eight “key risks” about climate change that’s easy to understand and illustrates the issues that have the greatest potential to cause harm to the planet. The list is part of a massive report on how global warming is affecting humans and the planet and how the future will be worse unless something is done about it. The report is being finalized at a meeting on the weekend of March 29, 2014 by the Intergovernmental Panel on Climate Change. (AP Photo/Wally Santana, File)
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Renate Christ, Secretary of the IPCC attends a press conference during the 10th Plenary of Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Renate Christ, Secretary of the IPCC attends a press conference during the 10th Plenary of Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Rajendra Pachauri (L) Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and Christopher Field (R), IPCC Working Group II Co-Chair attend a press conference during the tenth Plenary IPCC Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Rajendra Pachauri (L) Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and Christopher Field (R), IPCC Working Group II Co-Chair attend a press conference during the tenth Plenary IPCC Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Christopher Field, IPCC Working Group II Co-Chair, speaks at a press conference during the tenth Plenary of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
CJ. Yokohama (Japan), 31/03/2014.- Christopher Field, IPCC Working Group II Co-Chair, speaks at a press conference during the tenth Plenary of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Working Group II and 38th Session of the IPCC in Yokohama, south of Tokyo, Japan, 31 March 2014. The IPCC announced that the effects of climate change are already taking place globally on all continents and across ocean waters. Although the world today is not prepared for risks resulting from a climate change, there are opportunities to act on such risks. EFE/EPA/CHRISTOPHER JUE
Smoke is discharged from chimneys at a plant in Tokyo, Tuesday, March 25, 2014. Along with the enormous risks global warming poses for humanity are opportunities to improve public health and build a better world, scientists gathered in Yokohama for a climate change conference said Tuesday. (AP Photo/Eugene Hoshiko)
Smoke is discharged from chimneys at a plant in Tokyo, Tuesday, March 25, 2014. Along with the enormous risks global warming poses for humanity are opportunities to improve public health and build a better world, scientists gathered in Yokohama for a climate change conference said Tuesday. (AP Photo/Eugene Hoshiko)
Demonstrators participate in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Demonstrators participate in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Rajendra K. Pachauri, center, speaks during a press conference in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
Chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Rajendra K. Pachauri, center, speaks during a press conference in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
A guard speaks on a mobile phone in front of demonstrators participating in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
A guard speaks on a mobile phone in front of demonstrators participating in a silence protest in front of a conference hall where the Intergovernmental Panel on Climate Change is meeting in Yokohama, near Tokyo, Monday, March 31, 2014. (AP Photo/Shizuo Kambayashi)
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YOKOHAMA, Japan (AP) — If the world doesn’t cut pollution of heat-trapping gases, the already noticeable harms of global warming could spiral “out of control,” the head of a United Nations scientific panel warned Monday.

And he’s not alone. The Obama White House says it is taking this new report as a call for action, with Secretary of State John Kerry saying “the costs of inaction are catastrophic.”

Rajendra Pachauri, chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change that issued the 32-volume, 2,610-page report here early Monday, told The Associated Press: “it is a call for action.” Without reductions in emissions, he said, impacts from warming “could get out of control.”

One of the study’s authors, Maarten van Aalst, a top official at the International Federation of the Red Cross and Red Crescent Societies, said, “If we don’t reduce greenhouse gases soon, risks will get out of hand. And the risks have already risen.”

Twenty-first century disasters such as killer heat waves in Europe, wildfires in the United States, droughts in Australia and deadly flooding in Mozambique, Thailand and Pakistan highlight how vulnerable humanity is to extreme weather, according to the report from the Nobel Prize-winning group of scientists. The dangers are going to worsen as the climate changes even more, the report’s authors said.

“We’re now in an era where climate change isn’t some kind of future hypothetical,” said the overall lead author of the report, Chris Field of the Carnegie Institution for Science in California. “We live in an area where impacts from climate change are already widespread and consequential.”

Nobody is immune, Pachauri and other scientists said.

“We’re all sitting ducks,” Princeton University professor Michael Oppenheimer, one of the main authors of the report, said in an interview.

After several days of late-night wrangling, more than 100 governments unanimously approved the scientist-written 49-page summary — which is aimed at world political leaders. The summary mentions the word “risk” an average of about 5 1/2 times per page.

“Changes are occurring rapidly and they are sort of building up that risk,” Field said.

These risks are both big and small, according to the report. They are now and in the future. They hit farmers and big cities. Some places will have too much water, some not enough, including drinking water. Other risks mentioned in the report involve the price and availability of food, and to a lesser and more qualified extent some diseases, financial costs and even world peace.

“Things are worse than we had predicted” in 2007, when the group of scientists last issued this type of report, said report co-author Saleemul Huq, director of the International Centre for Climate Change and Development at the Independent University in Bangladesh. “We are going to see more and more impacts, faster and sooner than we had anticipated.”

The problems have gotten so bad that the panel had to add a new and dangerous level of risks. In 2007, the biggest risk level in one key summary graphic was “high” and colored blazing red. The latest report adds a new level, “very high,” and colors it deep purple.

You might as well call it a “horrible” risk level, said van Aalst: “The horrible is something quite likely, and we won’t be able to do anything about it.”

The report predicts that the highest level of risk would first hit plants and animals, both on land and the acidifying oceans.

Climate change will worsen problems that society already has, such as poverty, sickness, violence and refugees, according to the report. And on the other end, it will act as a brake slowing down the benefits of a modernizing society, such as regular economic growth and more efficient crop production, it says.

“In recent decades, changes in climate have caused impacts on natural and human systems on all continents and across the oceans,” the report says.

And if society doesn’t change, the future looks even worse, it says: “Increasing magnitudes of warming increase the likelihood of severe, pervasive, and irreversible impacts.”

While the problems from global warming will hit everyone in some way, the magnitude of the harm won’t be equal, coming down harder on people who can least afford it, the report says. It will increase the gaps between the rich and poor, healthy and sick, young and old, and men and women, van Aalst said.

But the report’s authors say this is not a modern day version of the Four Horsemen of the Apocalypse. Much of what they warn of are more nuanced troubles that grow by degrees and worsen other societal ills. The report also concedes that there are uncertainties in understanding and predicting future climate risks.

The report, the fifth on warming’s impacts, includes risks to the ecosystems of the Earth, including a thawing Arctic, but it is far more oriented to what it means to people than past versions.

The report also notes that one major area of risk is that with increased warming, incredibly dramatic but ultra-rare single major climate events, sometimes called tipping points, become more possible with huge consequences for the globe. These are events like the melting of the Greenland ice sheet, which would take more than 1,000 years.

“I can’t think of a better word for what it means to society than the word ‘risk,'” said Virginia Burkett of the U.S. Geological Survey, one of the study’s main authors. She calls global warming “maybe one of the greatest known risks we face.”

Global warming is triggered by heat-trapping gases, such as carbon dioxide, that stay in the atmosphere for a century. Much of the gases still in the air and trapping heat came from the United States and other industrial nations. China is now by far the No. 1 carbon dioxide polluter, followed by the United States and India.

Unlike in past reports, where the scientists tried to limit examples of extremes to disasters that computer simulations can attribute partly to man-made warming, this version broadens what it looks at because it includes the larger issues of risk and vulnerability, van Aalst said.

Freaky storms like 2013’s Typhoon Haiyan, 2012’s Superstorm Sandy and 2008’s ultra-deadly Cyclone Nargis may not have been caused by warming, but their fatal storm surges were augmented by climate change’s ever rising seas, he said.

And in the cases of the big storms like Haiyan, Sandy and Hurricane Katrina in 2005, the poor were the most vulnerable, Oppenheimer and van Aalst said. The report talks about climate change helping create new pockets of poverty and “hotspots of hunger” even in richer countries, increasing inequality between rich and poor.

Report co-author Maggie Opondo of the University of Nairobi said that especially in places like Africa, climate change and extreme events mean “people are going to become more vulnerable to sinking deeper into poverty.” And other study authors talked about the fairness issue with climate change.

“Rich people benefit from using all these fossil fuels,” University of Sussex economist Richard Tol said. “Poorer people lose out.”

Huq said he had hope because richer nations and people are being hit more, and “when it hits the rich, then it’s a problem” and people start acting on it.

Part of the report talks about what can be done: reducing carbon pollution and adapting to and preparing for changing climates with smarter development.

The report echoes an earlier U.N. climate science panel that said if greenhouse gases continue to rise, the world is looking at another about 6 or 7 degrees Fahrenheit (3.5 or 4 degrees Celsius) of warming by 2100 instead of the international goal of not allowing temperatures to rise more than 2 degrees Fahrenheit (1.2 degrees Celsius). The difference between those two outcomes, Princeton’s Oppenheimer said, “is the difference between driving on an icy road at 30 mph versus 90 mph. It’s risky at 30, but deadly at 90.”

Tol, who is in the minority of experts here, had his name removed from the summary because he found it “too alarmist,” harping too much on risk.

But the panel vice chairman, Jean-Pascal van Ypersele, said that’s not quite right: “We are pointing for reasons for alarm … It’s because the facts and the science and the data show that there are reasons to be alarmed. It’s not because we’re alarmist.”

The report is based on more than 12,000 peer reviewed scientific studies. Michel Jarraud, secretary general of the World Meteorological Organization, a co-sponsor of the climate panel, said this report was “the most solid evidence you can get in any scientific discipline.”

Michael Mann, a climate scientist at Pennsylvania State University who wasn’t part of this report, said he found the report “very conservative” because it is based on only peer reviewed studies and has to be approved unanimously.

There is still time to adapt to some of the coming changes and reduce heat-trapping emissions, so it’s not all bad, said study co-author Patricia Romero-Lankao of the National Center for Atmospheric Research in Colorado.

“We have a closing window of opportunity,” she said. “We do have choices. We need to act now.”

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Online:

The Intergovernmental Panel on Climate Change: http://www.ipcc.ch

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Seth Borenstein can be followed at http://twitter.com/borenbears

Um oceano nos ares (Fapesp)

Radares e sobrevoos detalham os mecanismos de formação de chuva e o efeito da poluição urbana sobre o clima da Amazônia

CARLOS FIORAVANTI | Edição 217 – Março de 2014

O mundo das águas: nuvens escuras cobrem o rio Negro e Manaus no dia 18 de fevereiro de 2014, antecipando mais uma chuva amazônica

De Manaus

Aqui em Manaus e por esta vasta região Norte chove muito o ano todo, mas as chuvas são diferentes. No início do ano – fevereiro e março – chove quase todo dia, com poucos relâmpagos, e o aguaceiro lava a floresta e as cidades durante horas seguidas. Já no final do ano – de setembro a novembro – as tempestades são mais intensas, com muitos relâmpagos, acordando medos atávicos, e as chuvas são localizadas e mais breves. Para confirmar e detalhar os mecanismos de formação da chuva – diferente em cada região do país e mesmo dentro de uma mesma região – e o efeito da poluição de Manaus sobre o clima da Amazônia, um grupo de 100 pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha começou a escrutinar o céu da região de Manaus com radares e aviões, por meio do programa Green OceanAmazon (GOAmazon). Lançado oficialmente no dia 18 de fevereiro em Manaus, o GOAmazon conta com orçamento de R$ 24 milhões e apoio financeiro da FAPESP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Departamento de Energia e Fundação Nacional de Ciência (NSF) dos Estados Unidos.

A expressão green ocean nasceu em 1999, na primeira grande campanha do programa Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). Sobrevoando a floresta de Ji-Paraná, em Rondônia, os pesquisadores – muitos deles integrantes deste novo programa – notaram que as nuvens não se comportavam como o esperado. Nessa região da Amazônia já próxima à Bolívia, imaginava-se que as nuvens tivessem até 20 quilômetros (km) de altura e apresentassem alta concentração de material particulado e de gotas pequenas de chuva, características das chamadas nuvens continentais. Em vez disso, elas tinham características das nuvens oceânicas, com pouco material particulado, de formação mais rápida e topos relativamente baixos, como em áreas oceânicas – era um oceano, não azul, mas verde, por estar sobre a floresta. Antonio Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que participou daquela e de outras expedições do LBA e agora integra o GOAmazon, lembra-se de que foi também em 1999 que verificaram que as chamadas nuvens quentes, que não formam cristais de gelo, eram as predominantes na região – um fato inesperado em áreas continentais.

 

016-021_CAPA_Chuva_217-extraO volume de chuva que cai sobre a bacia amazônica equivale a um oceano. Segundo Manzi, são em média 27 trilhões de toneladas de água por ano. Em termos mais concretos, a chuva, se se acumulasse em vez de escoar no solo, formaria uma lâmina d’água com uma espessura de 2,3 metros ao longo dos 6,1 milhões de quilômetros quadrados da bacia amazônica, que se espalha pelo Brasil e por vários países vizinhos. Luiz Augusto Machado, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), calculou o volume médio da água de chuva em todo o país: são 14 trilhões de toneladas por ano. Caso se acumulasse, essa água da chuva formaria uma camada de 1,7 metro de altura cobrindo todo o país. Machado é também o coordenador do Projeto Chuva, que integra o GOAmazon e fará agora em Manaus a última etapa de um levantamento sobre os tipos e distribuição de nuvens de chuva no Brasil. 

Ainda não está claro como esse oceano aéreo se forma. “As nuvens podem ou não gerar chuva”, diz Gilberto Fisch, do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos, e pesquisador do Projeto Chuva. “Costuma-se dizer que, quando há vapor-d’água, a chuva se forma e cai, mas não é bem assim.” A maioria das gotículas que formam as nuvens, com dezenas de micrômetros de diâmetro, se dispersa na forma de vapor. Só uma minoria consegue ganhar volume e se transformar em gotas com diâmetro de 1 a 5 milímetros e cair, por ação da gravidade. Entender como as nuvens se formam e crescem e em quais a chuva efetivamente se forma é uma das metas da equipe do GOAmazon.

Em um dos locais de coleta de informações, no município de Manacapuru, 80 km a oeste de Manaus, 120 equipamentos estão funcionando dia e noite – alguns expostos, outros no interior de 15 contêineres – para levantar informações sobre o clima na região, com o reforço dos balões meteorológicos, soltados a cada seis horas. Sobre um dos contêineres está um radar com alcance de 100 km que examina o formato e a constituição de nuvens formadoras de chuva e, desde 2010, fez o mesmo serviço em outras cidades brasileiras. As informações apuradas sobre as nuvens serão confrontadas com as do satélite GPM, que deve ser lançado em 27 de fevereiro do Japão e permanecer em uma órbita de 400 km de altura, enviando informações sobre as nuvens de chuva em quase todo o planeta. “O GPM vai passar duas vezes por dia sobre Manaus, complementando nossas informações”, diz Machado.

Um avião de pesquisa vindo dos Estados Unidos chegou a Manaus no dia 16 de fevereiro com a previsão de começar a voar nos dias seguintes para examinar diretamente os tipos de cristais de gelo do interior das nuvens e os teores de gás carbônico (CO2) e material particulado. O avião norte-americano e outro da Alemanha devem sobrevoar a cidade e a floresta em setembro para medir as eventuais alterações do clima na estação seca.

Os experimentos, previstos para terminarem em dezembro de 2015, devem resultar em previsões meteorológicas de curto prazo (duas horas) e modelos computacionais de circulação atmosférica mais apurados. Em algumas regiões do país o monitoramento do volume de chuvas, dependente de satélites meteorológicos, ainda é muito impreciso, adiando as medidas de alerta que poderiam salvar vidas antes de as chuvas fortes chegarem.

Varrendo o céu: o radar de nuvem (esquerda) e o de chuva, instalados em Manacapuru, a 80 km de Manaus

Uma metrópole na floresta
Com forte base industrial,  uma frota de 700 mil veículos e quase 2 milhões de habitantes, Manaus, capital do estado do Amazonas, é a maior metrópole tropical do mundo cercada por centenas de quilômetros de floresta. Como a pluma de poluentes produzida por essa megacidade no centro da Amazônia altera o ciclo de vida dos aerossóis e das nuvens em áreas de mata preservada e como esses elementos interagem na atmosfera e provocam mais ou menos chuvas na região?

Essas são as questões centrais que o experimento internacional GOAmazon tentará responder nos próximos anos. Um conjunto detalhado de medidas sobre aerossóis, gases traço (gás carbônico, metano e outros) e nuvens será realizado em seis diferentes sítios. Três se encontram a leste, antes de o vento passar por Manaus, e, portanto, sua atmosfera ainda não foi contaminada pela pluma de poluição da capital. Um quarto posto de medição será na própria metrópole e os dois últimos se situam em Iranduba e Manacapuru, a oeste, onde a atmosfera já carrega a influência dos poluentes emitidos em Manaus.

“Não há outra cidade com uma situação similar à da capital do Amazonas”, afirma Paulo Artaxo, coordenador de projeto temático ligado ao GOAmazon. “Sabemos que a poluição altera a precipitação, mas em que tipo de nuvem e em que circunstância?” Os estudos de Scott Martin, pesquisador da Universidade Harvard e integrante do GOAmazon, indicaram que o efeito dos aerossóis sobre o clima da Amazônia varia de acordo com a época do ano. Já se viu também que as nuvens que passam sobre a cidade recebem poluição e apresentam uma refletividade maior que as sem poluição. As nuvens da floresta têm uma carga de material particulado equivalente à da era pré-industrial.

Maria Assunção da Silva Dias, pesquisadora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) que coordenou a campanha do LBA em 1999, vai modelar a influência da brisa fluvial originada pelos rios Negro, Solimões e Amazonas sobre o vento que carrega a pluma de poluentes da capital amazonense. A brisa sopra do rio para a terra durante o dia. À noite, ela inverte o sentido.  “Em rios com margens largas, como o Negro, a brisa pode ser um fator capaz de alterar a direção e a intensidade dos ventos, modificando o regime de chuvas em áreas próximas”, diz Maria Assunção, que em 2004 realizou um estudo semelhante sobre a brisa do rio Tapajós, em Santarém, no Pará.

Neve no nordeste
Dispostos a entender melhor a formação de chuva pelo país e a evitar tragédias climáticas, a equipe do Inpe coletou nos últimos quatro anos dados em cinco pontos de amostragem: Alcântara, no Maranhão; Fortaleza, no Ceará; Belém, no Pará; São José dos Campos, em São Paulo; e Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Um radar e outros equipamentos agora instalados em Manaus medem o tamanho das gotas nas nuvens e os tipos de cristais que as formam. As formas das gotas, a propósito, são bem diferentes: podem ser horizontais, elípticas ou oblongas, mas todas longe do formato abaulado com que normalmente se representam as gotas de chuva.

Preparando balão meteorológico para soltura

“Esse é o primeiro recenseamento da distribuição de gotas de chuvas e cristais de gelo no território nacional”, diz Machado. O que se notou, em linhas gerais, é que diferentes tipos de nuvens (mais altas ou mais baixas), com diferentes tipos de cristais de gelo (em forma de estrela, coluna ou cone), se formam e se desfazem continuamente em todas as regiões do país. Também se viu que há particularidades regionais, que indicam processos distintos de formação de chuvas e fenômenos surpreendentes. As formas e os humores da chuva pelo país ao longo do ano são diversificados a ponto de lembrarem o poema Caso pluvioso, no qual o poeta Carlos Drummond de Andrade descobre que Maria é que chovia (ele não conta quem era Maria) e a chama de chuvadeira, chuvadonha, chuvinhenta, chuvil e pluvimedonha. E em seguida: “Choveu tanto Maria em minha casa / que a correnteza forte criou asa / e um rio se formou, ou mar, não sei, / sei apenas que nele me afundei”.

A realidade também exibiu um pouco de poesia. “Detectamos neve nas nuvens mais altas sobre a cidade de Fortaleza”, diz Machado. Para decepção dos moradores locais, porém, a neve derrete e cai como chuva comum. No Nordeste predominam as nuvens quentes, assim chamadas porque o topo está abaixo do limite de temperatura de 0oCelsius (ºC) e, por essa razão, nelas não se formam cristais de gelo, como nas regiões mais altas dos outros tipos de nuvens. Por não abrigarem gelo, essas nuvens passam despercebidas pelos satélites meteorológicos e pelos equipamentos de micro-ondas usados para prever a formação de chuvas, resultando em medições imprecisas. As medições de nuvens quentes feitas por radar em Alcântara indicaram que os valores de volume de água, comparados com as medições feitas por satélite, estavam subestimados em mais de 50%, como descrito por Carlos Morales, pesquisador da USP que integra o Projeto Chuva.

O limite – ou isoterma – de 0ºC separa cristais de gelo (acima) e água líquida (abaixo): é uma espécie de porta invisível da chuva, onde o gelo derrete e forma água. Não é lá muito rigorosa, porque no Sudeste, por causa das fortes correntes ascendentes, a água permanece líquida a temperaturas de até 20 graus negativos, acima da camada de derretimento do gelo. “A combinação entre água e gelo em altitudes mais elevadas é a principal razão da maior incidência das descargas elétricas na região Sudeste”, diz Machado.

Manaus sob chuva

Por meio do radar, pode-se examinar a proporção de água e de gelo no interior das nuvens, desse modo obtendo informações que escapam dos satélites usados na previsão do tempo. “Os satélites não detectam as gotas grandes de água e de baixa concentração que vêm do Atlântico e formam as nuvens das regiões Nordeste e Sudeste”, Machado exemplifica. No Nordeste as nuvens, que se concentram na zona costeira, são alimentadas pelas massas de ar vindas de regiões próximas ao equador, que se movem do oceano para o continente. Já no Sul e no Sudeste as chuvas se devem principalmente às massas de ar frio (frentes frias) que vêm da Argentina. Os especialistas dizem que os satélites também não detectam fenômenos que não escapariam ao radar, como a transformação de um vento quente que veio do oceano, esfriou rapidamente ao encontrar as regiões mais frias do alto das serras no Sul do Brasil e desabou como uma chuva impiedosa sobre Blumenau e toda a região leste de Santa Catarina em 2008.

O radar de dupla polarização, em conjunto com outros instrumentos, envia ondas horizontais e verticais que, por reflexão, indicam o formato dos cristais de gelo e das gotas de chuva, desse modo elucidando a composição das nuvens e os mecanismos de formação e intensificação das descargas elétricas (raios) durante as tempestades. Os pesquisadores verificaram que as nuvens com muitos raios são mais altas e abrigam uma diversidade maior de cristais de gelo e mais granizo (pedras de gelo) do que aquelas que produzem menos raios. Além disso, de acordo com esse levantamento, as cargas elétricas negativas permanecem na mesma altura, logo acima do limite de 0oC, e as positivas podem ficar mais altas, acompanhando o topo das nuvens e o aumento da intensidade da descarga elétrica (ver detalhes no infográfico).

“Quem não quer saber onde vai chover antes de sair de casa?”, indaga Machado. Os especialistas acreditam que os dados coletados, combinados com a modelagem computacional já utilizada para a previsão do clima, podem criar uma base sólida de conhecimento teórico e aplicado sobre a chuva continental. Em uma das ramificações do Projeto Chuva – o SOS, Sistema de Observação de Tempo Severo –, o grupo do Inpe trabalhou com equipes da Defesa Civil e de universidades em cada uma das cidades em que se instalaram com os equipamentos para prever a chegada de chuvas com duas horas de antecedência e uma resolução espacial que define possíveis pontos de alagamentos nos bairros, complementando as previsões fornecidas por supercomputadores como o Tupã, instalado no Inpe. Com base nessas experiências, Machado acredita que o radar, acoplado a um sistema de informação geográfica (SIG) e às tecnologias já em uso de previsão de chuva em alta resolução, da ordem de centenas de metros, viabiliza a previsão imediata de tempestades e desastres climáticos, para que o morador de um bairro possa saber, antes de sair de casa, se está chovendo no bairro vizinho, para onde está indo. “Para isso”, ele diz, “precisamos conhecer o tamanho das gotas de chuva e dos fenômenos que se passam no interior das nuvens, como já estamos fazendo”. Eles continuam trabalhando, enquanto agora, como na canção de Tom Jobim, chegam as águas de março, fechando o verão.

Com colaboração de Marcos Pivetta

Projetos
1. Processos de nuvens associados aos principais sistemas precipitantes no Brasil: uma contribuição a modelagem da escala de nuvens e ao GPM (medida global de precipitação) (nº 2009/15235-8); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Luiz Augusto Toledo Machado – Inpe; Investimento R$ 2.188.914,06 (FAPESP).
2. GoAmazon: interação da pluma urbana de Manaus com emissões biogênicas da floresta amazônica (nº 2013/05014-0); Modalidade Projeto temático; Pesquisador responsável Paulo Eduardo Artaxo Netto – IF-USP; Investimento R$ 3.236.501,79 (FAPESP).

Northern and southern hemisphere climates follow the beat of different drummers (Science Daily)

Date: March 30, 2014

Source: University of Bern

Summary: Over the last 1000 years, temperature differences between the Northern and Southern Hemispheres were larger than previously thought. Using new data from the Southern Hemisphere, researchers have shown that climate model simulations overestimate the links between the climate variations across the Earth with implications for regional predictions.

Field work in the Indian Ocean. The corals off the Broome coast, Western Australia, store information about past climate. Credit: Copyright Eric Matson, Australian Institute of Marine Science

Over the last 1000 years, temperature differences between the Northern and Southern Hemispheres were larger than previously thought. Using new data from the Southern Hemisphere, researchers have shown that climate model simulations overestimate the links between the climate variations across Earth with implications for regional predictions.

These findings are demonstrated in a new international study coordinated by Raphael Neukom from the Oeschger Centre of the University of Bern and the Swiss Federal Research Institute WSL and are published today in the journal Nature Climate Change.

The Southern Hemisphere is a challenging place for climate scientists. Its vast oceans, Antarctic ice, and deserts make it particularly difficult to collect information about present climate and, even more so, about past climate. However, multi-centennial reconstructions of past climate from so-called proxy archives such as tree-rings, lake sediments, corals, and ice-cores are required to understand the mechanisms of the climate system. Until now, these long-term estimates were almost entirely based on data from the Northern Hemisphere.

Over the past few years, an international research team has made a coordinated effort to develop and analyse new records that provide clues about climate variation across the Southern Hemisphere. Climate scientists from Australia, Antarctic-experts, as well as data specialists and climate modellers from South and North America and Europe participated in the project. They compiled climate data from over 300 different locations and applied a range of methods to estimate Southern Hemisphere temperatures over the past 1000 years. In 99.7 percent of the results, the warmest decade of the millennium occurs after 1970.

Surprisingly, only twice over the entire last millennium have both hemispheres simultaneously shown extreme temperatures. One of these occasions was a global cold period in the 17th century; the other one was the current warming phase, with uninterrupted global warm extremes since the 1970s. “The ‘Medieval Warm Period’, as identified in some European chronicles, was a regional phenomenon,” says Raphael Neukom. “At the same time, temperatures in the Southern Hemisphere were only average.” The researchers ascribe these large differences to so-called “internal variability.” This term describes the chaotic interplay of the ocean and atmosphere within the climate system that leads to temperatures changing in one or the other direction. Regional differences in these fluctuations appear to be larger than previously thought.

The scientists discovered that most climate models are unable to satisfactorily simulate the considerable differences between the hemispheres. The models appear to underestimate the influence of internal variability, in comparison with external forcings like solar irradiation, volcanic eruptions or human greenhouse gas emissions. “Regional differences in the climatic evolution of the next decades could therefore be larger than the current models predict,” says Neukom.

Journal Reference:

  1. Raphael Neukom, Joëlle Gergis, David J. Karoly, Heinz Wanner, Mark Curran, Julie Elbert, Fidel González-Rouco, Braddock K. Linsley, Andrew D. Moy, Ignacio Mundo, Christoph C. Raible, Eric J. Steig, Tas van Ommen, Tessa Vance, Ricardo Villalba, Jens Zinke, David Frank. Inter-hemispheric temperature variability over the past millenniumNature Climate Change, 2014; DOI:10.1038/NCLIMATE2174