Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores” (viomundo)

Publicado em 14 de janeiro de 2013 às 12:04

Criador do RSS, Reddit e Creative Commons suicida-se aos 26 anos, sob os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos EUA

por Magaly Pazello, especial para o Viomundo

Este foi um final de semana muito triste, perdemos Selarón no Rio de Janeiro e, em Nova York, aos 26 anos, Aaron Swartz se suicidou.

A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores, ativista, prodígio da computação, escritor. Essa perda trágica repercute intensamente pela internet, como uma onda de dor, espanto e indignação. Mais e mais sites publicam relatos, declarações, notícias.

Esse rapaz, os quais os sites de notícia não se cansam de sublinhar que sofria de depressão, sofreu os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Acusado de “roubar” milhões de artigos científicos ele enfrentava um processo judicial que poderia resultar em 35 anos de prisão caso fosse considerado culpado. No centro desse processo se instalou uma séria controvérsia que deixa uma marca indelével sobre o direito de todas as pessoas ao acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Aaron Swartz, aos 13 anos foi o ganhador do ArsDigita Prize, uma competição para jovens criadores de websites não-comerciais que fossem úteis, colaborativos e voltados para atividades educacionais. O prêmio incluiu uma visita ao famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), que mais tarde seria protagonista dos eventos que o levaram ao suicídio.

Aos 14 anos, Aaron integrou a equipe de criadores do RSS 1.0, um recurso bacana de leitura de sites através de atualizações em tempo real, os famosos feeds. Eu adoro!

Aos 15 anos, integrou a equipe que desenhou as licenças Creative Commons.

Na sequência, fundou uma start-up, que depois se fundiu à rede social Reddit, onde ele desenvolveu a plataforma que a levaria ao sucesso. E cujo desenho também resultou na base de sites Open Library, ou seja, bibliotecas abertas, e no Archive.org, uma espécie de máquina do tempo da internet. E esta seria sua vida e sua bandeira a partir de então: o acesso ao conhecimento e à informação, sua disponibilização online gratuita através de plataformas abertas, o desenvolvimento técnico dessas plataformas. Especialmente o acesso ao conhecimento e à informação públicas e geradas a partir de recursos públicos. Suas atividades profissionais nunca visaram à obtenção de lucro e promoção pessoal. Sua genialidade está presente em dezenas de projetos semelhantes.

Crítico de filmes e pesquisador, seu blog tinha um enorme público. Entre 2010 e 2011, foi bolsista do Laboratório de Ética Edmond J. Safra na Harvard University, onde pesquisava sobre corrupção institucional. Fundou e era líder do DemandProgress.org, uma plataforma inteligente de ciberativismo.

Aaron foi uma das vozes fortes contra o SOPA-Stop Online Piracy Act, um projeto de lei contra a pirataria online proposto pelo poderoso setor de propriedade intelectual e direitos de autor, a indústria fonográfica e de cinema. Mas o projeto de lei, de fato, iria endurecer as leis a tal ponto que sequer mencionar um texto num blog seria considerado um ato ilegal, estrangulando o direito à liberdade de expressão.

Aaron, junto com Shireen Barday, “baixou” e analisou por volta de 440 mil artigos acadêmicos da área de Direito para determinar o tipo de financiamento que os autores receberam. Os resultados, publicados noStanford Law Review, levaram a trilhar os caminhos dos fundos públicos para pesquisa. Por causa de sua capacidade de processar grandes quantidades de dados era requisitado para colaborar com vários outros pesquisadores. Disto resultou o projeto theinfo.org, que chamou a atenção do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

theinfo.org tornou livre e aberto o acesso a uma imensa base de dados públicos somente disponível gratuitamente através de máquinas instaladas em 17 bibliotecas em todo o país, o que obrigava as pessoas interessadas a se deslocar até os pontos de acesso ou, então, pagar 10 centavos por peça. Foram aproximadamente 20 milhões de páginas da Corte Federal, algo de tirar o fôlego. Ele deixou muita gente brava com essa façanha, a tal ponto que começou a ser investigado pelo FBI, contudo sem consequências.

Mas a história foi bem diferente com o MIT. Ainda no Laboratório de Ética de Harvard, em 2011, Aaron se utilizou do acesso aberto do MIT para coletar por volta de 4,8 milhões de artigos científicos, incluindo arquivos  da base JSTOR muito conhecida no mundo acadêmico. O caso veio a público, creio, quando ele foi preso em julho de 2011.

A controvérsia sobre se seria roubo ou não foi substituída pelo debate sobre se era correto a cobrança por artigos científicos cujas pesquisas são financiadas com dinheiro público. Sobre a mercantilização e privatização do conhecimento científico, direitos de autor e os custos para tornar esses materiais disponíveis. Uma campanha de apoio a Aaron e o manifesto Guerrilla Open Access, escrito por ele em 2008, ganhou outra vez visibilidade (uma tradução pode ser encontrada aqui).

Segundo a ONG Electronic Frontier Foundation, embora os métodos de Aaron fossem provocativos, os seus objetivos eram justos. Ele lutava para libertar a literatura científica de um sistema de publicação que tornava inacessível essa produção para a maior parte das pessoas que realmente pagaram por isso, quer dizer, todas as pessoas que pagam impostos. Essa luta deveria ser apoiada por todos.

As coisas começaram a tomar outros rumos com o declínio do debate. Após a devolução das cópias digitais dos artigos, a JSTOR decidiu não apresentar queixa contra Aaron. Mas a façanha desta vez resultou num processo por crime cibernético por parte do governo dos Estados Unidos munido pelo MIT. Em seu desabafo ao saber do suicídio, Lawrence Lessig escreveu:

Logo no início, para seu grande mérito, JSTOR compreendeu que era “apropriado” desistir: eles declinaram de dar prosseguimento à sua própria ação contra Aaron e pediram ao governo para fazer o mesmo. O MIT, para sua grande vergonha, não foi limpo, e então o promotor teve a desculpa que ele precisava para continuar sua guerra contra o “criminoso” que nós amamos e conhecemos como Aaron.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos interpretou a ação de Aaron como crime de roubo e a demanda foi levada ao grande júri que decidiu que ele deveria ir a julgamento. Então, a máquina de fazer moer do governo começou a funcionar.

Primeiramente, Aaron foi acusado de quatro crimes todos relativos à violação de sistema informático. Mas depois o Departamento de Justiça, numa atitude de “exemplaridade”, acrescentou mais nove acusações, todas contidas na Lei de Abuso e Fraude Informática, e atos de conspiração.

Além disto, familiares e amigos, como Lawrence Lessig, relatam situações de intimidação por parte do Departamento de Justiça. Alex Stamos, especialista em crimes cibernéticosalém de inúmeras outras vozes, desmontam item por item o exagero forçado na perseguição a Aaron, a verdade sobre o “crime”.

O efeito cascata dessas acusações resultaram na possibilidade real de Aaron Swartz ser condenadoa 35 anos de prisão e multa de 1 milhão de dólares!!!

Lawrence Lessig diz:

Aqui, é onde nós precisamos de um melhor sentido de justiça e de vergonha. O que é ultrajante nesta história não é apenas [o que aconteceu com] Aaron. É também o absurdo do comportamento do promotor. Bem desde o início, o governo trabalhou tão  duro quanto pode para caracterizar o que Aaron fez da forma mais extrema e absurda. A “propriedade” que Aaron “roubou”,  nós fomos informados, valia “milhão de dólares” — com a dica, e então a sugestão, que o seu objetivo de obter lucro com o seu crime. Mas qualquer um que diga que se pode ganhar dinheiro com um estoque de ARTIGOS ACADÊMICOS é idiota ou mentiroso. Estava claro o que disto não se tratava, mas o nosso governo continuou a pressionar como se tivesse agarrado terroristas do 11/09  com a boca na botija.

Não consigo imaginar o que passou com esse rapaz de personalidade introvertida, apresentando um quadro de depressão, à medida que a data do julgamento se aproximava. Sua solidão, seu medo diante deste quadro kafkiano. Sua morte me pareceu daqui de longe uma forma de exílio. Como o exílio do protagonista das tragédias gregas. A morte é a condenação ao exílio da República que não permite a existência dos poetas.

No sábado, ainda sob o impacto do acontecimento, sua família fez um comunicado público, culpando as autoridades judiciais e o MIT. O documento afirma que essa morte não é apenas uma tragédia pessoal, mas sim um produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidações, o qual iria punir uma pessoa por um alegado crime que não fez vítimas.

Essa última parte é a chave de todo o enredo, pois para a aplicabilidade da lei com a qual Aaron seria julgado era necessário uma série de aspectos todos ausentes dos atos cometidos.

Um memorial online está sendo construído em homenagem a Aaron.

O funeral será realizado nessa terça-feira, 15 de janeiro, em Illinois.

Como tributo a comunidade ciberativista criou uma página com o objetivo de ser um grande e espontâneo repositório de produção acadêmica colocada a disposição  de todas as pessoas de forma gratuita e aberta.

Todas as pessoas estão convidadas a disponibilizar seus trabalhos em qualquer idioma. No twitter acompanhe pela hashtag #pdftribute.

JSTOR publicou suas condolências imediatamente e o MIT anunciou que vai investigar sua responsabilidade na morte de Aaron, mas  para mim este anúncio beira o cinismo.

E o que nós aqui no Brasil temos com isso?

Bom, a internet foi concebida como uma plataforma sem fronteiras físicas e territoriais. E quando ocorre um evento, triste ou alegre, seja onde for, que está relacionado ao âmago do funcionamento desse incrível sistema isso nos interessa.

O aperfeiçoamento técnico da internet e seu sistema regulatório é, também, de grande interesse de todos, sobretudo quando este aperfeiçoamento está relacionado com o acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Em relação à produção científica vale lembrar que o governo brasileiro tem tido uma participação importante na formação de uma cultura de acesso aberto e gratuito. Embora de maneira, por vezes, contraditória.

Mas deixando as idiossincrasias de lado… a área de saúde é um belo exemplo de acesso compartilhado ao conhecimento com a instalação, no Brasil, da BIREME, em 1967, cujo objetivo é contribuir com o desenvolvimento da saúde fortalecendo e ampliando o fluxo de informação em ciências da Saúde.  Dela, em 2002, surgiu o projeto Scielo, uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros que se expande pela América Latina.

No início dos anos 2000, em consonância com a o debate global, é lançado o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica com vários setores e órgãos do governo brasileiro entre os apoiadores da inicitiava (leia aqui e aqui).

Contudo, a sucessão de eventos desde a cópia dos milhares de artigos científicos até o processo judicial e o incremento da pena — resultando na absurda possibilidade de Aaron ser condenado a 35 anos de prisão mais multa — serve de alerta para a necessidade de nós mesmos repensarmos e revisarmos estrategicamente as recentes leis aprovadas no nosso Congresso Nacional sobre cibercrime, além da debilidade política e conceitual a que chegou o Marco Civil.

Nós não estamos distantes de absurdos como o caso de Aaron! Em terras tupiniquins outros absurdos já acontecem por causa do uso excessivo das leis de difamação e persistência das leis de desacato.

Magaly Pazello é pesquisadora do Emerge — Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência da Universidade Federal Fluminense (UFF), sendo responsável pela área de pesquisa de governança na internet. É ciberativista e feminista.

Search Technology That Can Gauge Opinion and Predict the Future (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 16, 2012) — Inspired by a system for categorising books proposed by an Indian librarian more than 50 years ago, a team of EU-funded researchers have developed a new kind of internet search that takes into account factors such as opinion, bias, context, time and location. The new technology, which could soon be in use commercially, can display trends in public opinion about a topic, company or person over time — and it can even be used to predict the future.

‘Do a search for the word “climate” on Google or another search engine and what you will get back is basically a list of results featuring that word: there’s no categorisation, no specific order, no context. Current search engines do not take into account the dimensions of diversity: factors such as when the information was published, if there is a bias toward one opinion or another inherent in the content and structure, who published it and when,’ explains Fausto Giunchiglia, a professor of computer science at the University of Trento in Italy.

But can search technology be made to identify and embrace diversity? Can a search engine tell you, for example, how public opinion about climate change has changed over the last decade? Or how hot the weather will be a century from now, by aggregating current and past estimates from different sources?

It seems that it can, thanks to a pioneering combination of modern science and a decades-old classification method, brought together by European researchers in the LivingKnowledge (1) project. Supported by EUR 4.8 million in funding from the European Commission, the LivingKnowledge team, coordinated by Prof. Giunchiglia, adopted a multidisciplinary approach to developing new search technology, drawing on fields as diverse as computer science, social science, semiotics and library science.

Indeed, the so-called father of library science, Sirkali Ramamrita Ranganathan, an Indian librarian, served as a source of inspiration for the researchers. In the 1920s and 1930s, Ranganathan developed the first major analytico-synthetic, or faceted, classification system. Using this approach, objects — books, in the case of Ranganathan; web and database content, in the case of the LivingKnowlege team — are assigned multiple characteristics and attributes (facets), enabling the classification to be ordered in multiple ways, rather than in a single, predetermined, taxonomic order. Using the system, an article about the effects on agriculture of climate change written in Norway in 1990 might be classified as ‘Geography; Climate; Climate change; Agriculture; Research; Norway; 1990.’

In order to understand the classification system better and implement it in search engine technology, the LivingKnowledge researchers turned to the Indian Statistical Institute, a project partner, which uses faceted classification on a daily basis.

‘Using their knowledge we were able to turn Ranganathan’s pseudo-algorithm into a computer algorithm and the computer scientists were able to use it to mine data from the web, extract its meaning and context, assign facets to it, and use these to structure the information based on the dimensions of diversity,’ Prof. Giunchiglia says.

Researchers at the University of Pavia in Italy, another partner, drew on their expertise in extracting meaning from web content — not just from text and multimedia content, but also from the way the information is structured and laid out — in order to infer bias and opinions, adding another facet to the data.

‘We are able to identify the bias of authors on a certain subject and whether their opinions are positive or negative,’ the LivingKnowledge coordinator says. ‘Facts are facts, but any information about an event, or on any subject, is often surrounded by opinions and bias.’

From libraries of the 1930s to space travel in 2034…

The technology was implemented in a testbed, now available as open source software, and used for trials based around two intriguing application scenarios.

Working with Austrian social research institute SORA, the team used the LivingKnowledge system to identify social trends and monitor public opinion in both quantitative and qualitative terms. Used for media content analysis, the system could help a company understand the impact of a new advertising campaign, showing how it has affected brand recognition over time and which social groups have been most receptive. Alternatively, a government might use the system to gauge public opinion about a new policy, or a politician could use it to respond in the most publicly acceptable way to a rival candidate’s claims.

With Barcelona Media, a non-profit research foundation supported by Yahoo!, and with the Netherlands-based Internet Memory Foundation, the LivingKnowledge team looked not only at current and past trends, but extrapolated them and drew on forecasts extracted from existing data to try to predict the future. Their Future Predictor application is able to make searches based on questions such as ‘What will oil prices be in 2050?’ or ‘How much will global temperatures rise over the next 100 years?’ and find relevant information and forecasts from today’s web. For example, a search for the year 2034 turns up ‘space travel’ as the most relevant topic indexed in today’s news.

‘More immediately, this application scenario provides functionality for detecting trends even before these trends become apparent in daily events — based on integrated search and navigation capabilities for finding diverse, multi-dimensional information depending on content, bias and time,’ Prof. Giunchiglia explains.

Several of the project partners have plans to implement the technology commercially, and the project coordinator intends to set up a non-profit foundation to build on the LivingKnowledge results at a time when demand for this sort of technology is only likely to increase.

As Prof. Giunchiglia points out, Google fundamentally changed the world by providing everyone with access to much of the world’s information, but it did it for people: currently only humans can understand the meaning of all that data, so much so that information overload is a common problem. As we move into a ‘big data’ age in which information about everything and anything is available at the touch of a button, the meaning of that information needs to be understandable not just by humans but also by machines, so quantity must come combined with quality. The LivingKnowledge approach addresses that problem.

‘When we started the project, no one was talking about big data. Now everyone is and there is increasing interest in this sort of technology,’ Prof. Giunchiglia says. ‘The future will be all about big data — we can’t say whether it will be good or bad, but it will certainly be different.’

TATU OR NOT TATU Manifesto Uninômade +10

TATU OR NOT TATU
Manifesto Uninômade +10
15 de Junho de 2012
 
A palavra revolução voltou a circular. Nas ruas, nas praças, na internet, e até mesmo nas páginas de jornal, que a olha com olhos temerosos. Mas, principalmente, em nossos espíritos e corpos. Da mesma maneira, a palavra capitalismo saiu de sua invisibilidade: já não nos domina como dominava. Assistimos ao final de um ciclo – o ciclo neoliberal implementado a partir dos anos 80, mas cujo ápice se deu com a queda do muro de Berlim e o consenso global em torno da expansão planetária do mercado. Muitos dentre nós (principalmente os jovens) experimentam seu primeiro deslocamento massivo das placas tectônicas da história. 

Mas nossa era não é apenas crepuscular. Ao fim de um ciclo abrem-se amplas oportunidades, e cabe a nós transformar a crise da representação e do capitalismo cognitivo em novas formas de democracia absoluta. Para além das esferas formais, dos Estados e nacionalidades. Para além do capitalismo financeiro e flexível. Lá onde brilha nossa singularidade comum: a mulher, o negro, o índio, o amarelo, o pobre, o explorado, o precário, o haitiano, o boliviano, o imigrante, o favelado, o trabalhador intelectual e manual. Não se trata de um recitar de excluídos, mas de uma nova inclusão híbrida. A terra, enfim, nossa. Nós que somos produzidos por esta chuva, esta precipitação de encontros de singularidades em que nos fazemos divinos nesta terra.

É pelo que clama a multidão na Grécia, na Espanha e os occupy espalhados pelos Estados Unidos; é pelo que clamam as radicalidades presentes na primavera árabe, esta multidão situada para além da racionalidade ocidental. É o mesmo arco que une a primavera árabe, as lutas dos estudantes no Chile e as lutas pela radicalização da democracia no Brasil. Nossas diferenças é o que nos torna fortes.

A luta pela mestiçagem racial, simbólica, cultural e financeira passa pela materialidade do cotidiano, pela afirmação de uma longa marcha que junte nossa potência de êxodo e nossa potência constituinte. Acontecimento é o nome que nos anima para o êxodo perpétuo das formas de exploração. Êxodo para dentro da terra. Fidelidade à terra. Tatu or not tatu.

É preciso ouvir em nós aquele desejo que vai para além da vida e da sua conservação: para além do grande terror de uma vida de merda que nos impõe o estado de precariedade e desfiliação extrema. É preciso re-insuflar o grito que nos foi roubado à noite, resistir aos clichês que somos, e que querem fazer de nós: para além de nossas linhas de subjetivação suspensas entre o luxo excedente do 1% ou do lixo supérfluo dos 99%. 

É preciso não precisar de mais nada, a não ser nossa coragem, nosso intelecto e nossos corpos, que hoje se espraiam nas redes de conhecimentos comuns apontando para nossa autonomia. Somos maiores do que pensamos e desejamos tudo.  Não estamos sozinhos! É preciso resistir na alegria, algo que o poder dominador da melancolia é incapaz de roubar. Quando o sujeito deixa de ser um mero consumidor-passivo para produzir ecologias. Um corpo de vozes fala através de nós porque a crise não é apenas do capital, mas sim do viver. Uma profunda crise antropológica. Manifesta-se no esvaziamento de corpos constrangidos, envergonhados, refletidos na tela da TV, sem se expandir para ganhar as ruas. Nossos corpos paralisam, sentem medo, paranóia: o outro vira o grande inimigo. Não criam novos modos de vida. Permanecem em um estado de vidaMenosvida: trabalho, casa, trem, ônibus, trabalho, casa. A vida individual é uma abstração. Uma vida sem compartilhamento afetivo, onde a geração do comum se torna impossível. É preciso criar desvios para uma vidaMaisvida: sobrevida, supervida, overvida. Pausa para sentir parte do acontecimento, que é a vida.  Somos singularidades cooperativas. Pertencemos a uma esfera que nos atravessa e nos constrói a todo o momento.

O capitalismo cognitivo e financeiro instaura um perpétuo estado de exceção que busca continuamente reintegrar e modular a normalidade e a diferença: lei e desordem coincidem dentro de uma mesma conservação das desigualdades que produz e reproduz as identidades do poder: o “Precário” sem direitos, o Imigrante “ilegal”, o “Velho” abandonado, o “Operário” obediente, a “Mulher” subjugada, a “Esposa” dócil, o “Negro” criminalizado e, enfim, o “Depressivo” a ser medicalizado. As vidas dos pobres e dos excluídos passam a ser mobilizadas enquanto tais. Ao mesmo tempo em que precisam gerar valor econômico, mantêm-se politicamente impotentes.

O pobre e o louco. O pobre – figura agora híbrida e modulada de inclusão e exclusão da cadeia do capital -  persiste no cru da vida, até usando seu  próprio corpo como moeda. E o louco, essa figura que vive fora da história, “escolhe” a exclusão. Esse sujeito que se recusa a produzir, vive sem lugar. Onde a questão de exclusão e inclusão é diluída no delírio. Ninguém delira sozinho, delira-se o mundo. Esses dois personagens vivem e sobrevivem à margem, mas a margem transbordou e virou centro. O capital passa a procurar valor na subjetividade e nas formas de vida das margens e a potência dos sem-dar-lucro passa a compor o sintoma do capital: a crise da lei do valor, o capitalismo cognitivo como crise do capitalismo.

A crise dos contratos subprimes em 2007, alastrando-se para a crise da dívida soberana europeia, já não deixa dúvidas: a forma atual de governabilidade é a crise perpétua, repassada como sacrifício para os elos fragilizados do arco social. Austeridade, cortes, desmonte do welfare, xenofobia, racismo. Por detrás dos ternos cinza dos tecnocratas pós-ideológicos ressurgem as velhas bandeiras do biopoder: o dinheiro volta a ter rosto, cor, e não lhe faltam ideias sobre como governar: “que o Mercado seja louvado”, “In God we trust”. O discurso neutro da racionalidade econômica é obrigado a mostrar-se em praça pública, convocando o mundo a dobrar-se ao novo consenso, sem mais respeitar sequer a formalidade da democracia parlamentar. Eis o homo œconomicus: sacrifício, nação, trabalho, capital! É contra este estado de sítio que as redes e a ruas se insurgem. Nas mobilizações auto-convocadas em redes, nas praças das acampadas, a exceção aparece como criatividade do comum, o comum das singularidades que cooperam entre si.

No Brasil são muitos os que ainda se sentem protegidos diante da crise global. O consenso (neo) desenvolvimentista produzido em torno do crescimento econômico e da construção de uma nova classe média consumidora cria barreiras artificiais que distorcem nossa visão da topologia da crise: a crise do capitalismo mundial é, imediatamente, crise do capitalismo brasileiro. Não nos interessa que o Brasil ensine ao mundo, junto à China, uma nova velha forma de capitalismo autoritário baseado no acordo entre Estados e grandes corporações! 

O governo Lula, a partir das cotas, do Prouni, da política cultural (cultura viva, pontos de cultura) e da distribuição de renda (programas sociais, bolsa família, valorização do salário mínimo) pôde apontar, em sua polivalência característica, para algo que muitos no mundo, hoje, reivindicam: uma nova esquerda, para além dos partidos e Estados (sem excluí-los). Uma esquerda que se inflame dos movimentos constituintes que nascem do solo das lutas, e reverta o Estado e o mercado em nomes  do comum. Uma esquerda que só pode acontecer “nessa de todos nós latino-amarga américa”. Mais do que simples medidas governamentais, nestas políticas intersticiais, algo de um acontecimento histórico teve um mínimo de vazão: aqueles que viveram e morreram por transformações, os espectros das revoluções passadas e futuras, convergiram na construção incipiente de nossa emancipação educacional, racial, cultural e econômica. Uma nova memória e um novo futuro constituíram-se num presente que resistira ao assassinato simbólico da história perpetrado pelo neoliberalismo. A popularidade dos governos Lula tinha como lastro esses interstícios onde a política se tornava uma poética. Já hoje, nas taxas de aprovação do governo Dilma, podemos facilmente reconhecer também as cores deslavadas de um consenso prosaico. O “país rico” agora pacifica-se no mantra desenvolvimentista, retrocedendo em muitas das políticas que tinham vazado. Voltam as velhas injunções progressistas: crescimento econômico para redistribuir! Estado forte! As nuvens ideológicas trazem as águas carregadas do gerencialismo e do funcionalismo tecnocrático: menos política, mais eficiência! Desta maneira, removem-se e expropriam-se os pobres: seja em nome de um Brasil Maior e se seu interesse “público” (Belo Monte, Jirau, Vila Autódromo), seja em nome de um Mercado cada vez Maior e de seu interesse “privado” (Pinheirinho, TKCSA, Porto do Açu). Juntando-se entusiasticamente às equações do mercado, os tratores do progresso varrem a sujeira na construção de um novo “País Rico (e) sem pobreza”. Os pobres e as florestas, as formas de vida que resistem e persistem, se tornam sujeira. A catástrofe ambiental (das florestas e das metrópoles) e cultural (dos índios e dos pobres) é assim pacificada sob o nome do progresso. Dominação do homem e da natureza conjugam-se num pacto fáustico presidido por nenhum Mefistófeles, por nenhuma crise de consciência: já somos o país do futuro!
 
Na política de crescer exponencialmente, só se pensa em eletricidade e esqueceu-se a democracia (os Soviets : Conselhos). Assim, governa-se segundo a férrea lógica – única e autoritária – da racionalidade capitalista. Ataca-se enfim a renda vergonhosa dos “banquiplenos”, mas a baixa dos juros vai para engordar os produtores de carros, essas máquinas sagradas de produção de individualismo, em nome da moral do trabalho. Dessa maneira, progredir significa, na realidade, regredir: regressão política como acontece na gestão autoritária das revoltas dos operários das barragens; regressão econômica e biológica, como acontece com uma expansão das fronteiras agrícolas que serra a duração das relações entre cultura e natureza; regressão da vida urbana, com a remoção de milhares de pobres para abrir o caminho dos megaeventos; regressão da política da cultura viva, em favorecimento das velhas oligarquias e das novas indústrias culturais. O progresso que nos interessa não contém nenhuma hierarquia de valor, ele é concreta transformação qualitativa, “culturmorfologia”.

Este é o imaginário moderno em que a dicotomia prevalece: corpo e alma, natureza e cultura, nós e os outros; cada macaco no seu galho! Estes conceitos resultam em uma visão do mundo que distancia o homem da ecologia e de si mesmo. O que está em questão é a maneira de viver no planeta daqui em diante. É preciso encontrar caminhos para reconciliar estes mundos. Perceber outras configurações relacionais mais móveis, ativar sensibilidades. Fazer dessa revolução um grande caldeirão de desejos que crie formas de cooperação e modos de intercâmbio, recombine e componha novas práticas e perspectivas: mundos. Uma mestiçagem generalizada: nossa cultura é nossa economia e nosso ambiente é nossa cultura: três ecologias!

As lutas da primavera Árabe, do 15M Espanhol, do Occupy Wall Street e do #ocupabrasil gritam por transformação, aonde a base comum que somos nos lança para além do estado de exceção econômico: uma dívida infinita que busca manipular nossos corações e manter-nos acorrentados aos medos. Uma dívida infinita que instaura a perpétua transferência de renda dos 99% dos devedores ao 1% dos credores. Não deixemos que tomem por nós a decisão sobre o que queremos! 

A rede Universidade Nômade se formou há mais de dez anos, entre as mobilizações de Seattle e Gênova, os Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e a insurreição Argentina de 2001 contra o neoliberalismo. Foram dois momentos constituintes: o manifesto inicial que chamava pela nomadização das relações de poder/saber, com base nas lutas dos pré-vestibulares comunitários para negros e pobres (em prol da política de cotas raciais e da democratização do acesso ao ensino superior); e o manifesto de 2005 pela radicalização democrática. Hoje, a Universidade Nômade acontece novamente: seu Kairòs (o aqui e agora) é aquele do capitalismo global como crise. Na época da mobilização de toda a vida dentro da acumulação capitalista, o capitalismo se apresenta como crise e a crise como expropriação do comum, destruição do comum da terra. Governa-se a vida: a catástrofe financeira e ambiental é o fato de um controle que precisa separar a vida de si mesma e opõe a barragem aos índios e ribeirinhos de Belo Monte,  as obras aos operários, os megaeventos aos favelados e aos pobres em geral, a dívida aos direitos, a cultura à natureza. Não há nenhum determinismo, nenhuma crise terminal. O capital não tem limites, a não ser aqueles que as lutas sabem e podem construir. A rede Universidade Nômade é um espaço de pesquisa e militância, para pensar as brechas e os interstícios onde se articulam as lutas que determinam esses limites do capital e se abrem ao possível: pelo reconhecimento das dimensões produtivas da vida através da renda universal, pela radicalização democrática através da produção de novas instituições do comum, para além da dialética entre público e privado, pelo ressurgimento da natureza como produção da diferença, como luta e biopolítica de fabricação de corpos pós-econômicos. Corpos atravessados pela antropofagia dos modernistas, pelas cosmologias ameríndias, pelos êxodos quilombolas, pelas lutas dos sem teto, sem terra, precários, índios, negros, mulheres e hackers: por aqueles que esboçam outras formas de viver, mais potentes, mais vivas.

II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20 (Revista Fórum)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 11h08

por Por Mikaele Teodoro, da Revista Fórum.

Capa62 II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20Evento acontece no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de junho.

Nos dias 16 e 17 de junho acontece, no Rio de Janeiro, o II Fórum Mundial de Mídia Livre. O evento vai reunir “midialivristas” tais como: representantes de sites, ativistas, rádios e TVs comunitárias, pontos de cultura, coletivos atuantes nas redes sociais e também agências, revistas e emissoras alternativas comprometidas com a luta pelo conhecimento livre. O encontro fará parte da Cúpula dos Povos da Rio+20, evento paralelo à Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, explica que o momento é ideal para discutir a mídia livre. “O II Fórum Mundial de Mídia Livre acontecerá num momento em que a mídia livre e todas as suas formas de organização e expressão ganham espaço no contexto das mobilizações globais por um mundo mais justo, como ocorreu na Primavera Árabe e também nas ocupações realizadas, no último ano, em diversas partes do globo”, destaca.

No II FML, midialivristas de diversos países discutirão temas como alternativas de produção de informação, maneiras de estruturar politicamente a mídia livre internacional, discutir alternativas de financiamento e de compartilhamento de conteúdo, propagar novas possibilidades de atuação disponibilizadas pelas novas tecnologias, entre outros. “Vai ter gente de varias partes do mundo, um grupo grande de pessoas do norte da África, representantes do Uruguai, França, Alemanha e muitos outros”, afirma Bia. “A intenção dos organizadores é atrair diferentes públicos para as discussões. Não queremos tornar o debate muito técnico, comum apenas para os profissionais da comunicação.”

O encontro contará com atividades autogestionadas, além de painéis, debates livres, oficinas e plenárias, e será na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao lado do Aterro do Flamengo.

Confira abaixo a programação:

Dia 16

9h: Abertura – Auditório Pedro Calmon (campus da UFRJ – Urca)
O II Fórum Mundial de Mídia Livre e a Rio+20: A luta da comunicação e da cultura como bens comuns

11h: Painéis simultâneos

Eixo 1 – Direito à Comunicação – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: acesso à informação; liberdade de expressão; agressões a jornalistas; criminalização da mídia livre; conglomerados mundiais de comunicação e o discurso hegemônico sobre desenvolvimento

Eixo 2 – Apropriação Tecnológica – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: novos modelos organizacionais e econômicos; protocolos livres; liberdade de internet; espectro livre e tecnologia digital (rádio e TV digital); formação para apropriação tecnológica

13h – Almoço

14h – Painel eixo 3: Políticas Públicas – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: comunicação e democracia; marcos regulatórios; padrões internacionais e boas práticas de regulação; sistema público de comunicação; rádios comunitárias; rádios livres; sustentabilidade das mídias livres

16h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Dia 17

9h – Painéis simultâneos

Eixo 4 – Movimentos Sociais – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: Produção de conteúdo e informação pela sociedade civil (incluindo o debate sobre a disputa de valores em torno do desenvolvimento sustentável); as lutas nas redes e nas ruas e o ativismo global; como aumentar o impacto da mídia livre nas lutas sociais; sinergia entre plataformas regionais de informação; troca de experiências e iniciativas; os midialivristas e o processo do Fórum Social Mundial

Mulher, mídia e bens comuns – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: invisibilidade e exclusão da história das mulheres; liberdade de expressão e negação da memória; lutas das mulheres nas redes sociais; das Marchas das Vadias às denúncias de discriminação das mulheres na Primavera Árabe; produção de conteúdo pelo direito à igualdade e diversidade de gênero e raça na rede; regulação de mídia e a questão da representação da imagem da mulher; o potencial de impacto desse debate nas redes sociais.

10h30 – Plenária Geral – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Organização de estratégias e encaminhamento de propostas para a Plenária de Convergência da Cúpula dos Povos sobre Bens Comuns

13h – Almoço

14h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Inscrição de atividades para o II Fórum Mundial de Mídia Livre: http://cupuladospovos.org.br/fmml/

Outras informações:
http://medias-libres.rio20.net
http://forumdemidialivre.org
http://freemediaforum.org

* Publicado originalmente no site da Revista Fórum.

New climate emails leaked ahead of talks (CBS)

November 22, 2011 2:15 PM

The Climatic Research Unit at the University of East Anglia in Norwich, England. (AP)  

LONDON – The British university whose leaked emails caused a global climate science controversy in 2009 says it has discovered a potentially much larger data breach.

University of East Anglia spokesman Simon Dunford said that while academics didn’t have the chance yet to examine the roughly 5,000 emails apparently dumped into the public domain Tuesday, a small sample examined by the university “appears to be genuine.”

The university said in a statement that the emails did not appear to be the result of a new hack or leak. Instead, the statement said that the emails appeared to have been stolen two years ago and held back until now “to cause maximum disruption” to the imminent U.N. climate talks next week in Durban, South Africa.

If that is confirmed, the timing and nature of the leak would follow the pattern set by the so-called “Climategate” emails, which caught prominent scientists stonewalling critics and discussing ways to keep opponents’ research out of peer-reviewed journals.

Those hostile to mainstream climate science claimed the exchanges proved that the threat of global warming was being hyped, and their publication helped destabilize the failed U.N. climate talks in Copenhagen, Denmark, which followed several weeks later.

Although several reviews have since vindicated the researchers’ science, some of their practices – in particular efforts to hide data from critics – have come under strong criticism.

The content of the new batch of emails couldn’t be immediately verified – The Associated Press has not yet been able to secure a copy – but climate skeptic websites carried what they said were excerpts.

Although their context couldn’t be determined, the excerpts appeared to show climate scientists talking in conspiratorial tones about ways to promote their agenda and freeze out those they disagree with. There are several mentions of “the cause” and discussions of ways to shield emails from freedom of information requests.

Penn State University Prof. Michael Mann – a prominent player in the earlier controversy whose name also appears in the latest leak – described the latest leak as “a truly pathetic episode,” blaming agents of the fossil fuel industry for “smear, innuendo, criminal hacking of websites, and leaking out-of-context snippets of personal emails.”

He said the real story in the emails was “an attempt to dig out 2-year-old turkey from Thanksgiving ’09. That’s how desperate climate change deniers have become.”

Bob Ward, with the London School of Economics’ Grantham Research Institute on Climate Change, said in an email that he wasn’t surprised by the leak.

“The selective presentation of old email messages is clearly designed to mislead the public and politicians about the strength of the evidence for man-made climate change,” he said. “But the fact remains that there is very strong evidence that most the indisputable warming of the Earth over the past half century is due to the burning of fossil fuels and other human activities.”

The source of the latest leaked emails was unclear. The perpetrator of the original hack has yet to be unmasked, although British police have said their investigation is still active.

Climate researchers cleared of malpractice
An End to Climategate? Penn State Clears Michael Mann
Why climate change skeptics remain skeptical

Next Buddha Will Be A Collective (p2pfoundation.net)

Religious and spiritual expression is always embedded in societal structures. If social structures are moving towards the form of distributed networks, what kind of evolution of spiritual expression can we expect? In this essay, we will first describe the general societal changes that we see emerging, and expect to become more prevalent in the future, then examine to what degree these changes will have an impact on individual and collective spiritual expression. The reader has to bear with us in the first general part, which explains the peer to peer dynamic, in order to understand its application to spirituality, which is the subject of the second part of the essay. Finally, in the third and final part, we will discuss a few concrete examples.

Read it here.

Desafios do “tsunami de dados” (FAPESP)

Lançado pelo Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI, o livro O Quarto Paradigma debate os desafios da eScience, nova área dedicada a lidar com o imenso volume de informações que caracteriza a ciência atual

07/11/2011

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Se há alguns anos a falta de dados limitava os avanços da ciência, hoje o problema se inverteu. O desenvolvimento de novas tecnologias de captação de dados, nas mais variadas áreas e escalas, tem gerado um volume tão imenso de informações que o excesso se tornou um gargalo para o avanço científico.

Nesse contexto, cientistas da computação têm se unido a especialistas de diferentes áreas para desenvolver novos conceitos e teorias capazes de lidar com a enxurrada de dados da ciência contemporânea. O resultado é chamado de eScience.

Esse é o tema debatido no livro O Quarto Paradigma – Descobertas científicas na era da eScience, lançado no dia 3 de novembro pelo Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI.

Organizado por Tony Hey, Stewart Tansley, Kristin Tolle – todos da Microsoft Research –, a publicação foi lançada na sede da FAPESP, em evento que contou com a presença do diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Durante o lançamento, Roberto Marcondes Cesar Jr., do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a palestra “eScience no Brasil”. “O Quarto Paradigma: computação intensiva de dados avançando a descoberta científica” foi o tema da palestra de Daniel Fay, diretor de Terra, Energia e Meio Ambiente da MSR.

Brito Cruz destacou o interesse da FAPESP em estimular o desenvolvimento da eScience no Brasil. “A FAPESP está muito conectada a essa ideia, porque muitos dos nossos projetos e programas apresentam essa necessidade de mais capacidade de gerenciar grandes conjuntos de dados. O nosso grande desafio está na ciência por trás dessa capacidade de lidar com grandes volumes de dados”, disse.

Iniciativas como o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), o BIOTA-FAPESP e o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) são exemplos de programas que têm grande necessidade de integrar e processar imensos volumes de dados.

“Sabemos que a ciência avança quando novos instrumentos são disponibilizados. Por outro lado, os cientistas normalmente não percebem o computador como um novo grande instrumento que revoluciona a ciência. A FAPESP está interessada em ações para que a comunidade científica tome consciência de que há grandes desafios na área de eScience”, disse Brito Cruz.

O livro é uma coleção de 26 ensaios técnicos divididos em quatro seções: “Terra e meio ambiente”, “Saúde e bem-estar”, “Infraestrutura científica” e “Comunicação acadêmica”.

“O livro fala da emergência de um novo paradigma para as descobertas científicas. Há milhares de anos, o paradigma vigente era o da ciência experimental, fundamentada na descrição de fenômenos naturais. Há algumas centenas de anos, surgiu o paradigma da ciência teórica, simbolizado pelas leis de Newton. Há algumas décadas, surgiu a ciência computacional, simulando fenômenos complexos. Agora, chegamos ao quarto paradigma, que é o da ciência orientada por dados”, disse Fay.

Com o advento do novo paradigma, segundo ele, houve uma mudança completa na natureza da descoberta científica. Entraram em cena modelos complexos, com amplas escalas espaciais e temporais, que exigem cada vez mais interações multidisciplinares.

“Os dados, em quantidade incrível, são provenientes de diferentes fontes e precisam também de abordagem multidisciplinar e, muitas vezes, de tratamento em tempo real. As comunidades científicas também estão mais distribuídas. Tudo isso transformou a maneira como se fazem descobertas”, disse Fay.

A ecologia, uma das áreas altamente afetadas pelos grandes volumes de dados, é um exemplo de como o avanço da ciência, cada vez mais, dependerá da colaboração entre pesquisadores acadêmicos e especialistas em computação.

“Vivemos em uma tempestade de sensoriamento remoto, sensores terrestres baratos e acesso a dados na internet. Mas extrair as variáveis que a ciência requer dessa massa de dados heterogêneos continua sendo um problema. É preciso ter conhecimento especializado sobre algoritmos, formatos de arquivos e limpeza de dados, por exemplo, que nem sempre é acessível para o pessoal da área de ecologia”, explicou.

O mesmo ocorre em áreas como medicina e biologia – que se beneficiam de novas tecnologias, por exemplo, em registros de atividade cerebral, ou de sequenciamento de DNA – ou a astronomia e física, à medida que os modernos telescópios capturam terabytes de informação diariamente e o Grande Colisor de Hádrons (LHC) gera petabytes de dados a cada ano.

Instituto Virtual

Segundo Cesar Jr., a comunidade envolvida com eScience no Brasil está crescendo. O país tem 2.167 cursos de sistemas de informação ou engenharia e ciências da computação. Em 2009, houve 45 mil formados nessas áreas e a pós-graduação, entre 2007 e 2009, tinha 32 cursos, mil orientadores, 2.705 mestrandos e 410 doutorandos.

“A ciência mudou do paradigma da aquisição de dados para o da análise de dados. Temos diferentes tecnologias que produzem terabytes em diversos campos do conhecimento e, hoje, podemos dizer que essas áreas têm foco na análise de um dilúvio de dados”, disse o membro da Coordenação da Área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

Em 2006, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) organizou um encontro a fim de identificar os problemas-chave e os principais desafios para a área. Isso levou a diferentes propostas para que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criasse um programa específico para esse tipo de problema.

“Em 2009, realizamos uma série de workshops na FAPESP, reunindo, para discutir essa questão, cientistas de áreas como agricultura, mudanças climáticas, medicina, transcriptômica, games, governo eletrônico e redes sociais. A iniciativa resultou em excelentes colaborações entre grupos de cientistas com problemas semelhantes e originou diversas iniciativas”, disse César Jr.

As chamadas do Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI, segundo ele, têm sido parte importante do conjunto de iniciativas para promover a eScience, assim como a organização da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Processamento e Visualização de Imagens Computacionais. Além disso, a FAPESP tem apoiado diversos projetos de pesquisa ligados ao tema.

“A comunidade de eScience em São Paulo tem trabalhado com profissionais de diversas áreas e publicado em revistas de várias delas. Isso é indicação de qualidade adquirida pela comunidade para encarar o grande desafio que teremos nos próximos anos”, disse César Jr., que assina o prefácio da edição brasileira do livro.

  • O Quarto Paradigma
    Organizadores: Tony Hey, Stewart Tansley e Kristin Tolle
    Lançamento: 2011
    Preço: R$ 60
    Páginas: 263
    Mais informações: www.ofitexto.com.br

Copyright: A Conceptual Battle in a Digital Age (Science Daily)

ScienceDaily (Nov. 3, 2011) — What is it about copyright that doesn’t work in the digital society? Why do millions of people think it’s OK to break the law when it comes to file sharing in particular? Sociology of law researcher Stefan Larsson from Lund University believes that legal metaphors and old-fashioned mindsets contribute to the confusion and widening gaps between legislation and the prevailing norms.

Our language is made up of metaphors, even in our legal texts. Stefan Larsson has studied what consequences this has when digital phenomena, such as file sharing and downloading, are limited by descriptions intended for an analogue world. “When legal arguments equate file sharing with theft of physical objects, it sometimes becomes problematic,” says Stefan Larsson, who doesn’t think it is possible to equate an illegal download with theft of a physical object, as has been done in the case against The Pirate Bay.

Using the compensation model employed in the case against The Pirate Bay, the total value of such a site could be calculated at over SEK 600 billion. This is almost as much as Sweden’s national budget, says Stefan Larsson. The prosecutor in the Pirate Bay case chose to pursue a smaller number of downloads and the sum of the fines therefore never reached these proportions.

In Stefan Larsson’s view, the word ‘copies’ is a hidden legal metaphor that causes problematic ideas in the digital society. For example, copyright does not take into account that a download does not result in the owner losing his or her own copy. Neither is it possible to equate number of downloads with lost income for the copyright holder, since it is likely that people download a lot more than they would purchase in a shop.

Other metaphors that are used for downloading are infringement, theft and piracy. “The problem is that these metaphors make us equate copyright with ownership of physical property,” says Stefan Larsson.

Moreover, there are underlying mindsets which guide the whole of copyright, according to Stefan Larsson. One such mindset is the idea that creation is a process undertaken by sole geniuses and not so much in a cultural context. In Stefan Larsson’s view, this has the unfortunate consequence of making stronger copyright protection with longer duration and a higher degree of legal enforcement appear reasonable. The problem is that it is based on a misconception of how a lot of things are created, says Stefan Larsson: “Borrowing and drawing inspiration from other artists is essential to a lot of creative activity. This is the case both online and offline.”

Stefan Larsson has also studied the consequences when public perception of the law, or social norms, is not in line with what the law says. One consequence is that the State needs to exercise more control and issue more severe penalties in order to ensure that the law is followed. The European trend in copyright law is heading in this direction. Among other things, it is being made easier to track what individuals do on the Internet. This means that the integrity of the many is being eroded to benefit the interests of a few, according to Stefan Larsson: “When all’s said and done, it is about what we want the Internet to be. The fight for this is taking place, at least partially, through metaphorical expressions for underlying conceptions, but also through practical action on the role of anonymity online.”

Stefan Larsson’s thesis is entitled Metaphors and Norms – Understanding Copyright Law in a Digital Society.

O futuro da ciência está na colaboração (Valor Econômico)

JC e-mail 4376, de 01 de Novembro de 2011.

Texto de Michael Nielsen publicado no The Wall Street Journal e divulgado pelo Valor Econômico.

Um matemático da Universidade de Cambridge chamado Tim Gowers decidiu em janeiro de 2009 usar seu blog para realizar um experimento social inusitado. Ele escolheu um problema matemático difícil e tentou resolvê-lo abertamente, usando o blog para apresentar suas ideias e como estava progredindo. Ele convidou todo mundo para contribuir com ideias, na esperança de que várias mentes unidas seriam mais poderosas que uma. Ele chamou o experimento de Projeto Polímata (“Polymath Project”).

Quinze minutos depois de Gowers abrir o blog para discussão, um matemático húngaro-canadense publicou um comentário. Quinze minutos depois, um professor de matemática do ensino médio dos Estados Unidos entrou na conversa. Três minutos depois disso, o matemático Terence Tao, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também comentou. A discussão pegou fogo e em apenas seis semanas o problema foi solucionado.

Embora tenham surgido outros desafios e os colaboradores dessa rede nem sempre tenham encontrado todas as soluções, eles conseguiram criar uma nova abordagem para solucionar problemas. O trabalho deles é um exemplo das experiências com ciência colaborativa que estão sendo feitas para estudar desde de galáxias até dinossauros.

Esses projetos usam a internet como ferramenta cognitiva para amplificar a inteligência coletiva. Essas ferramentas são um meio de conectar as pessoas certas com os problemas certos na hora certa, ativando o que é um conhecimento apenas latente.

A colaboração em rede tem o potencial de acelerar extraordinariamente o número de descobertas da ciência como um todo. É provável que assistiremos a uma mudança mais fundamental na pesquisa científica nas próximas décadas do que a ocorrida nos últimos três séculos.

Mas há obstáculos grandes para alcançar essa meta. Embora pareça natural que os cientistas adotem essas novas ferramentas de descobrimento, na verdade eles têm demonstrado uma inibição surpreendente. Iniciativas como o Projeto Polímata continuam sendo exceção, não regra.

Considere a simples ideia de compartilhar dados científicos on-line. O melhor exemplo disso é o projeto do genoma humano, cujos dados podem ser baixados por qualquer um. Quando se lê no noticiário que um certo gene foi associado a alguma doença, é praticamente certo que é uma descoberta possibilitada pela política do projeto de abrir os dados.

Apesar do valor enorme de divulgar abertamente os dados, a maioria dos laboratórios não faz um esforço sistemático para compartilhar suas informações com outros cientistas. Como me disse um biólogo, ele estava “sentado no genoma” de uma nova espécie inteira há mais de um ano. Uma espécie inteira! Imagine as descobertas cruciais que outros cientistas poderiam ter feito se esse genoma tivesse sido carregado num banco de dados aberto.

Por que os cientistas não gostam de compartilhar?

Se você é um cientista buscando um emprego ou financiamento de pesquisa, o maior fator para determinar seu sucesso será o número de publicações científicas que já conseguiu. Se o seu histórico for brilhante, você se dará bem. Se não for, terá problemas. Então você dedica seu cotidiano de trabalho à produção de artigos para revistas acadêmicas.

Mesmo que ache pessoalmente que seria muito melhor para a ciência como um todo se você organizasse e compartilhasse seus dados na internet, é um tempo que o afasta do “verdadeiro” trabalho de escrever os artigos. Compartilhar dados não é algo a que seus colegas vão dar crédito, exceto em poucas áreas.

Há outras áreas em que os cientistas ainda estão atrasados no uso das ferramentas on-line. Um exemplo são os “wikis” criadas por pioneiros corajosos em assuntos como computação quântica, teoria das cordas e genética (um wiki permite o compartilhamento e edição colaborativa de um conjunto de informações interligadas, e o site Wikipedia é o mais conhecido deles).

Os wikis especializados podem funcionar como obras de referência atualizadas sobre as pesquisas mais recentes de um campo, como se fossem livros didáticos que evoluem ultrarrápido. Eles podem incluir descrições de problemas científicos importantes que ainda não foram resolvidos e podem servir de ferramenta para encontrar soluções.

Mas a maioria desses wikis não deu certo. Eles têm o mesmo problema que o compartilhamento de dados: mesmo se os cientistas acreditarem no valor da colaboração, sabem que escrever um único artigo medíocre fará muito mais por suas carreiras. O incentivo está completamente errado.

Para a ciência em rede alcançar seu potencial, os cientistas precisam abraçar e recompensar o compartilhamento aberto de todos os conhecimentos científicos, não só o publicado nas revistas acadêmicas tradicionais. A ciência em rede precisa ser aberta.

Michael Nielsen é um dos pioneiros da computação quântica e escreveu o livro “Reinventing Discovery: The New Era of Networked Science” (Reinventando a Descoberta: A Nova Era da Ciência em Rede, sem tradução para o português), de onde esse texto foi adaptado.

After Pregnancy Loss, Internet Forums Help Women Understand They Are Not Alone (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 20, 2011) — Nearly one in six pregnancies end in miscarriage or stillbirth, but parents’ losses are frequently minimized or not acknowledged by friends, family or the community.

“Women who have not gone through a stillbirth don’t want to hear about my birth, or what my daughter looked like, or anything about my experience,” said one woman, responding in a University of Michigan Health System-led study that explored how Internet communities and message boards increasingly provide a place for women to share feelings about these life-altering experiences.

The anonymous survey of more than 1,000 women on 18 message boards opens a new window into who is using the forums and why. The findings will be published in Women’s Health Issues.

The researchers were surprised to find that only half of the women surveyed were in their first year of loss after a pregnancy. Many were still coping with the emotional impacts five, 10 and even 20 years later.

“To my family and most friends, the twins have been gone for nearly a year and are entirely a subject for the past,” another woman wrote.

A second unexpected finding was that only 2 percent of survey respondents were African American, despite nearly 60 percent of African Americans having internet access and despite black women having twice the risk of stillbirth as white women.

“This is the largest study to look at who uses Internet message boards after a pregnancy loss and it demonstrates a significant disparity between the women who experience loss and those who responded to the survey,” says lead study author Katherine J. Gold, M.D., M.S.W., M.S., assistant professor of family medicine at the U-M Medical School. “This suggests an important gap in support for African American parents that should be explored further.”

By far, the most common reason women gave for participating in the message boards was that it helped them to feel that their experience wasn’t unique.

One woman explained that the most important aspect of the forums was knowing “that I am not the only one this has happened to and that I am not alone in this horrible nightmare.” Another common theme was that the online environments provided a safe and validating space for the women to express themselves. Others appreciated the ease and convenience of the Internet and their ability to spend more time composing their thoughts than they would be able to in a face-to-face conversation.

Most participants agreed that boards should have a moderator or facilitator, and that health care professionals should participate. Of the 908 women who answered the question, 82 percent said they had learned new medical information from one of the forums.

“The fact that so many women learned new medical information from the message boards shows what an important resource they can be in this regard,” says study senior author Christie Palladino, M.D., M.Sc., an obstetrician/gynecologist with Georgia Health Sciences University’s Education Discovery Institute.

Gold and her colleagues are currently pursuing similar research with bereaved parents who attend in-person support groups and plan to compare and contrast the results.

Number of Facebook Friends Linked to Size of Brain Regions, Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 20, 2011) — Scientists funded by the Wellcome Trust have found a direct link between the number of ‘Facebook friends’ a person has and the size of particular brain regions. Researchers at University College London (UCL) also showed that the more Facebook friends a person has, the more ‘real-world’ friends they are likely to have.

The researchers are keen to stress that they have found a correlation and not a cause, however: in other words, it is not possible from the data to say whether having more Facebook friends makes the regions of the brain larger or whether some people are ‘hardwired’ to have more friends.

The social networking site Facebook has more than 800 million active users worldwide. Nearly 30 million of these are believed to be in the UK.

The site allows people to keep in touch online with a network of friends. The sizes of individual networks vary considerably, and some users have only a handful of online friends while others have over a thousand; however, whether this variability is reflected in the size of real-world social networks has not been clear.

Professor Geraint Rees, a Wellcome Trust Senior Clinical Research Fellow at UCL, said: “Online social networks are massively influential, yet we understand very little about the impact they have on our brains. This has led to a lot of unsupported speculation that the internet is somehow bad for us.

“Our study will help us begin to understand how our interactions with the world are mediated through social networks. This should allow us to start asking intelligent questions about the relationship between the internet and the brain — scientific questions, not political ones.”

Professor Rees and colleagues at the UCL Institute of Cognitive Neuroscience and the Wellcome Trust Centre for Neuroimaging studied brain scans of 125 university students — all active Facebook users — and compared them against the size of the students’ network of friends, both online and in the real world. Their findings, which they replicated in a further group of 40 students, are published October 20 in the journal Proceedings of the Royal Society B.

Professor Rees and colleagues found a strong connection between the number of Facebook friends an individual had and the amount of grey matter (the brain tissue where the processing is done) in several regions of the brain. One of these regions was the amygdala, a region associated with processing memory and emotional responses. A study published recently showed that the volume of grey matter in this area is larger in people with a larger network of real-world friends — the new study shows that the same is true for people with a larger network of online friends.
The size of three other regions — the right superior temporal sulcus, the left middle temporal gyrus and the right entorhinal cortex — also correlated with online social networks but did not appear to correlate with real-world networks.

The superior temporal sulcus has a role in our ability to perceive a moving object as biological, and structural defects in this region have been identified in some children with autism. The entorhinal cortex, meanwhile, has been linked to memory and navigation — including navigating through online social networks. Finally, the middle temporal gyrus has been shown to activate in response to the gaze of others and so is implicated in perception of social cues.

Dr Ryota Kanai, first author of the study, added: “We have found some interesting brain regions that seem to link to the number of friends we have — both ‘real’ and ‘virtual’. The exciting question now is whether these structures change over time — this will help us answer the question of whether the internet is changing our brains.”
As well as examining brain structure, the researchers also examined whether there was a link between the size of a person’s online network of friends and their real-world network. Previous studies have looked at this, but only in relatively small sample sizes.

The UCL researchers asked their volunteers questions such as ‘How many people would send a text message to you marking a celebratory event (e.g. birthday, new job, etc.)?’, ‘What is the total number of friends in your phonebook?’ and ‘How many friends have you kept from school and university that you could have a friendly conversation with now?’ The responses suggest that the size of their online networks also related to the size of their real world networks.

“Our findings support the idea that most Facebook users use the site to support their existing social relationships, maintaining or reinforcing these friendships, rather than just creating networks of entirely new, virtual friends,” adds Professor Rees.

Commenting on the study, Dr John Williams, Head of Neuroscience and Mental Health at the Wellcome Trust, said: “We cannot escape the ubiquity of the internet and its impact on our lives, yet we understand little of its impact on the brain, which we know is plastic and can change over time. This new study illustrates how well-designed investigations can help us begin to understand whether or not our brains are evolving as they adapt to the challenges posed by social media.”

Will the information superhighway turn into a cul-de-sac because of automated filters? (The Wall Street Journal)

BOOKSHELFMAY 20, 2011
Your Results May Vary

By PAUL BOUTIN

Last year Eli Pariser, president of the board of the liberal-activist site MoveOn.org, had a shocking realization. A heavy Facebook user, he had become friends—at least on Facebook—with an assortment of conservative thinkers and pundits. As a serious thinker, he wanted to have his opinions on current events challenged by those with opposing political ideologies.

But it struck Mr. Pariser one day that he hadn’t seen a single status update from any of the loyal opposition in a while. Had his sources of conservative thought stopped posting? Had they unfriended him? No, Facebook had quietly stopped inserting their updates into his news feed on the site. Had the social-networking giant figured out that he was a liberal?

It turned out that Facebook had changed the algorithm for its news feeds, in response to its users’ complaints that they were being overwhelmed by updates from “friends” whom they hardly knew. The 600-million-member social network now filters status updates so that, by default, users see only those from Facebook friends with whom they’ve recently interacted—say, by sending a message or commenting on a friend’s post.

For Mr. Pariser, the algorithm change meant that his news feed was filtered to let him know about only the mostly left-leaning people with whom he bantered, leaving out conservative voices that he simply monitored. Facebook’s algorithm has no political parameters, but for Mr. Pariser it effectively muffled the people he most disagreed with but wanted to hear.

This sifting-out of seemingly dead connections—which might strike many people as a wonderful service—spurred Mr. Pariser to undertake a months-long exploration of the growing trend of personalized content on websites. In “The Filter Bubble,” he recounts what he found. “I was struck by the degree to which personalization is already upon us. Not only on Facebook and Google, but on almost every major site on the Web.”

It’s no secret that Amazon, for example, customizes its pages to suggest products that are most likely to be of interest, based on shoppers’ past purchases. But most Google users don’t realize that, since 2009, their search results have been gradually personalized based on the user’s location, search history and other parameters. By tracking individual Web browsers with cookies, Google has been able to personalize results even for users who don’t create a personal Google account or are not logged into one. Mr. Pariser asked two friends to search for “BP” shortly after the Deepwater Horizon oil spill last year. The two were shown strikingly different pages—one full of news about the disaster, the other mostly investor information about the energy company.

Personalization is meant to make Internet users happy: It shows them information that mathematical calculations indicate is more likely than generalized content to be of interest. Google’s personalized search results track dozens of variables to deliver the links that a user is predicted to be most likely to click on. As a result, Google users click on more of the results that they get. That’s good for Google, good for its advertisers, good for other websites and presumably good for the user.

But Mr. Pariser worries that there’s a dark downside to giving people their own custom version of the Internet. “Personalization isn’t just shaping what we buy,” he writes. “Thirty-six percent of Americans under thirty get their news through social networking sites.” As we become increasingly dependent on the Internet for our view of the world, and as the Internet becomes more and more fine-tuned to show us only what we like, the would-be information superhighway risks becoming a land of cul-de-sacs, with each of its users living in an individualized bubble created by automated filters—of which the user is barely aware.

To Mr. Pariser, these well-intended filters pose a serious threat to democracy by undermining political debate. If partisans on either side of the issues seem uninterested in the opposition’s thinking nowadays, wait until Google’s helpful sorters really step up their game.

Through interviews with influential Internet experts including Google News chief Krishna Bharat, Search Engine Land editor Danny Sullivan and Microsoft researcher Danah Boyd, Mr. Pariser exposes the problem with personalization: It’s hard enough for an army of researchers to create algorithms that can match each of us with things we like. It’s nearly impossible, by contrast, to craft a formula that will show us something we wouldn’t seek out but really ought to read—and will be glad we did. Beyond throwing random links onto a screen, it’s hard to model serendipity on a computer.

And there’s another problem with filters: People like them. The Internet long ago became overwhelming. Filters help make it manageable without our having to do the work of sorting through its content entirely by ourselves.

What to do? Mr. Pariser’s opening argument in “The Filter Bubble” is a powerful indictment of the current system. But his closing chapters fumble around in search of a solution—from individuals, from companies like Google or from government oversight. How do you tell the Internet to back it off a bit on the custom content?

For now, the best Mr. Pariser can hope for is to educate readers who don’t want to live in a solipsistic subset of the Internet, especially regarding political matters. Just knowing that Google and Facebook personalize what you see, and that you can turn it off if you want—on Facebook, click Most Recent instead of Top News atop your feed; for Google, get instructions by searching “deleting Web history”—is a good start. “The Filter Bubble” is well-timed: The threat is real but not yet pandemic. Major news sites are toying with personalization but haven’t rolled it out en masse. And in a test I conducted myself, I enlisted a handful of heavy Google users across America to search for “Bin Laden raid” soon after the event. The search results that came back were all nearly identical. To tell the truth, we were kind of disappointed.

Mr. Boutin writes about Internet technology and culture for MIT Technology Review, Wired and the New York Times.

The Filter Bubble
By Eli Pariser
The Penguin Press, 294 pages, $25.95

I am, therefore I’m right (Christian Science Monitor)

By Jim Sollisch / July 29, 2011

If you’ve ever been on a jury, you might have noticed that a funny thing happens the minute you get behind closed doors. Everybody starts talking about themselves. They say what they would have done if they had been the plaintiff or the defendant. They bring up anecdote after anecdote. It can take hours to get back to the points of law that the judge has instructed you to consider.

Being on a jury (I recently served on my fourth) reminds me why I can’t stomach talk radio. We Americans seem to have lost the ability to talk about anything but our own experiences. We can’t seem to generalize without stereotyping or to consider evidence that goes against our own experience.

I heard a doctor on a radio show the other day talking about a study that found that exercise reduces the incidence of Alzheimer’s. And caller after caller couldn’t wait to make essentially the opposite point: “Well, my grandmother never exercised and she lived to 95, sharp as a tack.” We are in an age summed up by the aphorism: “I experience, therefore I’m right.”

This isn’t a new phenomenon, except by degree. Historically, the hallmarks of an uneducated person were the lack of ability to think critically, to use deductive reasoning, to distinguish the personal from the universal. Now that seems an apt description of many Americans. The culture of “I” is everywhere you look, from the iPod/iPhone/iPad to the fact that memoir is the fastest growing literary genre.

How’d we get here? The same way we seem to get everywhere today: the Internet. The Internet has allowed us to segregate ourselves based on our interests. All cat lovers over here. All people who believe President Obama wasn’t born in the United States over there. For many of us, what we believe has become the most important organizing element in our lives. Once we all had common media experiences: Walter Cronkite, Ed Sullivan, a large daily newspaper. Now each of us can create a personal media network – call it the iNetwork – fed by the RSS feeds of our choosing.

But the Internet doesn’t just cordon us off in our own little pods. It also makes us dumber, as Nicholas Carr points out in his excellent book, “The Shallows: What the Internet is Doing to our Brains.” He argues that the way we consume media changes our brains, not just our behaviors. The Internet rewards shallow thinking: One search leads to thousands of results that skim over the surface of a subject.

Of course, we could dive deeply into any one of the listings, but we don’t. Studies show that people skim on line, they don’t read. The experience has been designed to reward speed and variety, not depth. And there is tangible evidence, based on studies of brain scans, that the medium is changing our physical brains, strengthening the synapses and areas used for referential thinking while weakening the areas used for critical thinking.

And when we diminish our ability to think critically, we, in essence, become less educated. Less capable of reflection and meaningful conversation. Our experience, reinforced by a web of other gut instincts and experiences that match our own, becomes evidence. Case in point: the polarization of our politics. Exhibit A: the debt ceiling impasse.

Ironically, the same medium that helped mobilize people in the Arab world this spring is helping create a more rigid, dysfunctional democracy here: one that’s increasingly polarized, where each side is isolated and capable only of sound bites that skim the surface, a culture where deep reasoning and critical thinking aren’t rewarded.

The challenge for most of us isn’t to go backwards: We can’t disconnect from the Internet. Nor would we want to. But we can work harder to make “search” the metaphor it once was: to discover, not just to skim. The Internet lets us find facts in an instant. But it doesn’t stop us from finding insight, if we’re willing to really search.

Jim Sollisch is creative director at Marcus Thomas Advertising.

Justiça processa estudante que ofendeu nordestinos no Twitter (FSP)

Folha de S.Paulo – 02/06/2011 - 18h09

DE SÃO PAULO

A denúncia do Ministério Público Federal contra Mayara Penteado Petruso foi aceita pela Justiça Federal de São Paulo, que abriu no dia 4 de maio um processo contra a estudante de Direito. Ela vai responder pelo crime de racismo por causa de uma mensagem que publicou em seu perfil no Twitter, em 31 de outubro de 2010.

No texto, ela disse: “Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”

A informação sobre o processo foi divulgada na tarde desta quinta-feira pela assessoria de imprensa da procuradoria.

A declaração de Mayara teria sido motivada pela eleição de Dilma à Presidência, já que o Nordeste concentrou grande parte dos votos à petista. Uma série de perfis nas redes sociais lançaram ofensas contra nordestinos na época, mas a publicação da estudante foi a que repercutiu com mais intensidade.

Em nota, o MPF de São Paulo afirmou que, entre novembro de 2010 e abril deste ano, a investigação seguiu sob sigilo para que se pudesse constatar que a atualização do perfil havia sido feita por ela mesma.

A denúncia foi então apresentada à Justiça em 3 de maio e aceita no dia seguinte.

PRECONCEITO

Uma segunda denúncia da mesma investigação, referente a mensagem parecida à de Mayara, mas publicada por uma usuária do Twitter de Recife, teve o pedido de abertura de processo indeferido. No entanto, o Juiz pediu a abertura de uma investigação em Pernambuco para apurar a autoria do texto.

No perfil da internauta Natália Campello, uma mensagem parecida à da estudante de Direito paulista foi publicada. “o sudeste é um lixo, façam um favor ao Nordeste, mate um paulista de bala :) VÃO SE FODER PAULISTAS FILHOS DA PUTA”, diz a publicação.

De acordo com a nota, a procuradoria avaliou que ambas as mensagens “possuem conteúdo semelhante e são nitidamente racistas”.

O crime de racismo está tipificado em uma lei de 1989 e prevê penas mais severas quando ele é cometido através de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza. Nesse caso, que se aplica a Mayara, a pena pode variar de 2 a 5 anos de prisão, além de multa.

OAB diz que vai à Justiça contra ofensas a nordestinos no Twitter (FSP)

12/05/2011 - 14h18

Folha de S.Paulo – 12/05/2011 - 14h18

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Ceará informou nesta quinta-feira que entrará, no fim da tarde, com notícia crime no Ministério Público Federal contra dois internautas suspeitos de injúria e discriminação. Na noite de ontem, no final da partida entre Flamengo e Ceará pelas quartas de final da Copa do Brasil, ambos postaram comentários ofensivos a nordestinos.

Por volta das 0h, uma torcedora que se identifica como Amanda Régis escreveu: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que tem moral, cambada de feios. Não é atoa que não gosto desse tipo de raça” [sic].

Outro usuário, que se identifica como Lucian Farah, também xingou nordestinos com palavrões, em três comentários. Um deles diz “Só vim no twitter falar o qnto os NORDESTINOS é a DESGRAÇA do brasil.. pqp! bando de gnt retardada qe acham que sabe de alguma coisa” [sic].

Em nota, o presidente da OAB-CE, Valdetário Andrade Monteiro, afirma que qualquer forma de preconceito deve ser combatida. “A Constituição Federal trata todos iguais, sem distinção de qualquer natureza. Não podemos permitir que a pessoa, com um certo grau de conhecimento, se utilize da internet para disseminar prática de racismo”.

Os tuítes provocaram uma onda de comentários desde a madrugada –a maior parte de reação contra os usuários. Com a repercussão, os comentários foram apagados pelos usuários.

Farah, nesta quinta, postou pedido de desculpas: “Como brasileiro, TORÇO sim! e quando torço, sou FANÁTICO! e qdo sou fanático, eu xingo msm! mas ontem me exaltei e fui alé disso! qdo me referi aos nordestinos, queria me referir inteiramente ao time do ceara. e tenho CERTEZA que nao fui o unico a xingar os nordestinos” [sic].

Amanda Régis também postou um pedido de desculpas: “meu deus gente, agi por impulso por causa do flamengo, não tenho nada contra nordestinos….desculpa ai galera.JAMAIS DEVERIA TER FEITO ISSO [sic]“.

A reportagem não conseguiu localizar os usuários para falar sobre os comentários.

12/05/2011 - 12h25

Comentários contra nordestinos causam revolta no Twitter

Atualizado às 13h32.

Comentários ofensivos a nordestinos provocaram uma onde de revolta entre usuários do serviço de microblogs Twitter nesta quinta-feira.

Por volta das 11h50, 3 dos 10 assuntos mais comentados na rede social no país eram relativos ao assunto. Dois dos assuntos também entraram na lista do “trending topics” mundial.

A revolta começou na noite de quarta-feira (11), no final da partida entre Flamengo e Ceará pelas quartas de final da Copa do Brasil, que acabou em um empate que eliminou o time carioca.

Por volta das 0h, uma torcedora que se identifica como Amanda Régis escreveu: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que tem moral, cambada de feios. Não é atoa que não gosto desse tipo de raça” [sic].

Reprodução
Comentário publicado por Lucian Farah em sua conta no Twitter
Comentário publicado por Amanda Régis em sua conta no Twitter

Outro usuário, que se identifica como Lucian Farah, também xingou nordestinos com palavrões, em três comentários. Um deles diz “Só vim no twitter falar o qnto os NORDESTINOS é a DESGRAÇA do brasil.. pqp! bando de gnt retardada qe acham que sabe de alguma coisa” [sic].

Reprodução
Comentário publicado por Lucian Farah em sua conta no Twitter
Comentário publicado por Lucian Farah em sua conta no Twitter

Imediatamente, os tuítes provocaram uma onda de comentários desde a madrugada –a maior parte de reação contra os usuários. As palavras-chave mais usadas, que estão entre os assuntos mais comentados, são: “Amanda Regis”, “#orgulhodesernordestino” e “Parabéns Ceará”.

Com a repercussão, os comentários foram apagados pelos usuários. Hoje, Farah postou pedido de desculpas: “Como brasileiro, TORÇO sim! e quando torço, sou FANÁTICO! e qdo sou fanático, eu xingo msm! mas ontem me exaltei e fui alé disso! qdo me referi aos nordestinos, queria me referir inteiramente ao time do ceara. e tenho CERTEZA que nao fui o unico a xingar os nordestinos” [sic].

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Ceará informou que vai entrar no fim da tarde com uma notícia crime no Ministério Público Federal contra os dois usuários por injúria qualificada e discriminação.

A reportagem não conseguiu localizar os usuários para falar sobre os comentários. Nesta quinta, ambos publicaram pedidos de desculpas no microblog.

ELEIÇÕES

Nas eleições do ano passado, após a confirmação de Dilma Rousseff como a nova presidente da República, a estudante de direito Mayara Petruso escreveu em seu twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”

O comentário desencadeou uma onda de manifestações contrárias a nordestinos, que supostamente seriam os responsáveis pela vitória da petista.

Com a repercussão do caso, o escritório onde a estudante trabalhava divulgou comunicado em que lamentava a “infeliz opinião”.

A Polícia Civil de São Paulo abriu investigação contra a estudante e outras pessoas por suspeita de racismo.

A ONG SaferNet, que trata dos direitos humanos na internet, encaminhou mais de mil perfis de twitter que teriam feito comentários semelhantes ao Ministério Público Federal em São Paulo. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco também pediu providências à Procuradoria.

Desafios para a democratização da informação ambiental no Brasil (REBIA)

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Informação ambiental para que, e por quê? Estas parecem ser as primeiras questões a serem respondidas por quem tem interesse no assunto da democratização da informação ambiental no Brasil. Numa sociedade que se diz e se espera democrática e sustentável, o acesso à informação ambiental é fundamental para assegurar o fortalecimento da democracia. Para fazer escolhas no rumo da sustentabilidade, a sociedade precisa de informações para a sustentabilidade, diferentes das atuais. Se a população não recebe informações ambientais em quantidade e qualidade adequadas, tenderá a reproduzir as mesmas escolhas que trouxeram a humanidade à beira de um colapso ambiental.

Então, surge uma segunda questão, afinal, existe ou não falta de democratização da informação ambiental no Brasil? A questão é relevante e a resposta fundamental para se definir o tipo de esforço necessário e a direção deste esforço. O problema da resposta é que ela não é única, mas diferente em função do observador.

Existe uma diferença entre a informação que se busca, proativamente, e a informação que se recebe, passivamente. Para quem busca a informação ambiental e dispõe dos meios necessários, encontrá-la pode ser relativamente fácil. Entretanto, mesmo para esta parcela de público, que é incluída digitalmente, lê jornais e revistas, e tem um mínimo de conhecimentos de direitos e deveres ambientais, nem sempre a informação que se encontra é a que se quer. Como qualquer outra informação, a ambiental também não está livre da meia verdade, da mentira, da manipulação tendenciosa, da especulação, do exagero, da falta de base científica, do emocionalismo, etc.

Por exemplo, existem leis que asseguram o acesso da sociedade a informações ambientais legais, entretanto, conseguir tais informações não é nada fácil. Só querer e ter as condições e o acesso à internet não bastam. Se a intenção for obter informações, por exemplo, sobre licenças ambientais, TACs (Termo de Ajuste de Conduta), compensação ambiental, a dificuldade será enorme, e se quiser ir mais além, e obter informações sobre as condicionantes – onde estão listados os projetos e obrigações -, então a informação ambiental pode se tornar quase inacessível, sem algum QI (quem indica) bem posicionado, coisa para poucos iniciados. Existem licenças que chegam a ter mais de 100 condicionantes, e se a imprensa e a sociedade não conseguem acesso a esta informação, muito menos tem como saber o que foi ou não cumprido, e daí não tem como divulgar ou cobrar responsabilidades. Para quem tiver alguma dúvida, faca um teste, escolha uma única empresa e tente obter estas informações ambientais, e então compreenderá o quanto a democratização da informação ambiental no Brasil ainda é uma promessa. E se conseguir, tente descobrir, do que foi comprometido, o que foi efetivamente realizado, e descobrirá que a falta da democratização da informação ambiental não se dá por um acaso.

Veja os fatos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), entre janeiro de 2005 e outubro 2009, o IBAMA deixou de receber 99,4% do valor total das multas aplicadas contra crimes ambientais. Em quase cinco anos, foram R$ 14,6 bilhões não pagos por pessoas e empresas autuadas. Vivemos uma espécie de conto de fadas ambiental. O IBAMA finge que é capaz de exercer o Poder de Polícia, que tem estrutura e competência para isso, e todo mundo acredita. O que o TCU mostra é que, na prática, a verdade é outra. Falta estrutura e competência. Se acontece em relação a dinheiro vivo que o Governo Federal poderia estar recebendo, imagine o que acontece com as centenas de exigências condicionantes de licenças ambientais, ou dos Termos de Ajuste, ou de medidas compensatórias que deveriam se traduzir em projetos ambientais! Se acontece no nível federal, imagine o que acontece nos níveis estaduais e municipais!

Diante de um quadro como este, e preciso ter claro que a falta de falta de recursos ou prioridade para a democratização da informação ambiental não é fruto do acaso ou de alguma incompetência, mas trata-se de uma escolha deliberada pelo ´nada a declarar´ambiental. O desgaste que pode haver para infratores e órgãos ambientais ineptos na não informação é amplamente recompensado pelos benefícios da falta de transparência na informação ambiental, por que se a sociedade não sabe, então também não cobra. Já diz o ditado, o que os olhos não vêem o coração não sente! Manter a imprensa longe é uma maneira de se proteger e ganhar tempo. A falta de informação ambiental é o biombo onde algumas empresas e órgãos de governos se escondem da sociedade para fazer de conta que está tudo bem.

Outro exemplo está nos relatórios de sustentabilidade das empresas. Mesmo nos melhores casos, não existe empresa cem por cento correta, nem se espera isso de ninguém, pois a perfeição é utopia presente apenas nos sonhos, nos ideais, nas promessas. O problema é que os relatórios tenderão a divulgar o que acontece de bom e mascarar ou ocultar o que ainda não vai bem, e ainda tende a demonstrar como mérito próprio resultados ambientais que na verdade são obrigações em função de licenciamento ou termos de ajuste. A relação entre o que as empresas lucram retirando da natureza e o que devolvem na forma de projetos ambientais é absolutamente desproporcional. Alguém poderá dizer que isso é da natureza humana, e que mostrar o que vai mal é papel dos críticos. Entretanto, abre uma brecha enorme para a ficção literária, para palavras e promessas até bonitinhas, em papel reciclado, mas vazios de conteúdo e credibilidade. Quando uma empresa divulga, por exemplo, que reduziu em 30 por cento sua poluição, desperdício ou embalagens, na verdade confessa que repassa 70 por cento dos seus custos ambientais para a sociedade, enquanto segue capitalizando lucros. Informação depende de credibilidade, e isso se torna um problema para empresas responsáveis que fazem um trabalho sério, pois tenderão a ser niveladas com as demais, tornando seus relatórios no mínimo suspeitos. Não é à toa que as tiragens são limitadas, mais para o público interno e acionistas, e as empresas não convidem a mídia ambiental para seus lançamentos, muito menos a incluam em seus planos de mídia, para não correrem o risco de perguntinhas inoportunas e desagradáveis nessas horas quando tudo o que se espera é brilho e festa.

Quanto ao acesso da grande maioria da população brasileira à informação ambiental, este se limita ao interesse da mídia de massa pelo assunto que, importante que se diga, com o agravamento das mudanças climáticas, tem se dedicado bastante aos temas ambientais. Entretanto, existe uma tendência – sempre com as raras exceções -, de abordar o assunto mais pelo viés do paraíso perdido do qual fomos expulsos, ou da natureza exótica, violenta, e distante de nós, reforçando a idéia de como é bom estarmos separados da natureza, vivendo em cidades, pois assim também não temos de sentir culpa nem nos sentir ameaçados pelo que fizermos a ela. Ou então quando ocorre algum acidente ambiental. A prática demonstra que, assim que o problema deixa de ser visível, também tende a desaparecer das pautas. O mercado trata a comunicação como um negócio que só vale a pena se der lucro, então a informação ambiental estará presente na pauta enquanto der audiência ou vender jornais e revistas.

É preciso compreender a diferença entre a informação que o público quer – e que se dispõe a pagar por ela – da informação que ele precisa, e que nem sempre se dispõe a pagar para ter. A informação ambiental nem sempre é uma informação que o público se dispõe a pagar para ter. Uma rápida visita a qualquer banca mostrará a realidade. Existem publicações diversas sobre todos os assuntos, menos sobre meio ambiente, excetuando-se uma ou outra publicação sobre turismo e paisagismo. E, para o mercado, a solução é muito simples, se a sociedade não se dispõe a pagar pela informação ambiental, então ela não deve existir. Por outro lado, a falta de interesse do publico pela informação ambiental é compreensível, primeiro por que temos um leque de interesses muito mais amplo que só o ambiental, por que a vida é naturalmente complexa. Segundo, por que a informação ambiental nem sempre serve para entreter e mais incomoda que outra coisa, ao mostrar os abusos contra a natureza, denuncia a poluição e a agressão ambiental, questiona valores consumistas e desperdiçadores, e incomoda até mesmo quando mostra alternativas de tecnologias e atitudes, pois os que optaram por tecnologias e atitudes poluidoras e predatórias não poderão mais argumentar desconhecimento.

Para assegurar a existência e o acesso do público à informação ambiental, os governos deveriam assegurar políticas públicas e recursos, como, aliás, já fazem com a mídia de massa, através de mecanismos de repasse de verbas de publicidade. Mas os governos não são neutros e ainda estão muito mais comprometidos com um modelo de desenvolvimento comprometido com o gigantismo das escalas, com a exportação para gerar excedentes que equilibrem as contas, onde tradicionalmente a natureza teve e tem de ceder. A não ser no campo das idéias e das utopias, a sociedade brasileira ainda está longe de um modelo ambientalmente sustentável e socialmente justo de desenvolvimento, e naturalmente a informação ambiental reflete isso. Quanto mais crítica ela for, quanto mais apontar as contradições entre as práticas e as promessas, menos recursos e audiência terá de quem recebem as críticas. Entretanto, este é o seu papel, e por mais que não gostem de críticas, precisam delas para avançar e aumentar a velocidade das mudanças entre um modelo predatório e injusto de desenvolvimento e outro mais justo e sustentável.

Outra fonte de recursos deveria vir das empresas, entretanto, em vez de ajudar a financiar a informação ambiental, quando querem divulgar alguma coisa, preferem investir no envio de releases em massa na esperança de obter mídia ambiental espontânea. Mais ou menos como acreditar em almoço grátis ou em Papai Noel. Divulgação custa caro, é verdade, mais uma razão para não imaginar que uma mídia ambiental empobrecida vá dar de graça o que tem para vender! As empresas preferem editar folhetos ou publicações próprias, em ambiente controlado, onde não correm o risco de ser alvo de alguma crítica. E, para não se verem expostas a perguntinhas inoportunas sobre outros assuntos, contratam serviços de comunicação de terceiros e ocultam seus telefones e e-mails dos releases.

O tendão de Aquiles dos que negam recursos para a informação ambiental são os voluntários que conseguem manter a democratização da informação ambiental mesmo sem recurso algum, por que não se subordinam às regras do mercado, e teimam em oferecer a informação ambiental como uma espécie de apostolado ideológico, até mesmo para quem não quer pagar por ela. Claro que este trabalho voluntário tem limitações, sejam técnicas ou financeiras, mas ainda assim, presta um importante serviço de interesse público, onde o estado e a iniciativa privada estão falhando.

Como diz o ditado popular, sem povo não se cria nada de novo, por isso, o desafio pela democratização da informação ambiental continua mais desafiador do que nunca, tanto no sentido de falarmos uma linguagem que o povo entenda quanto encontrar os meios que assegurem que a informação ambiental possa ir além dos atuais nichos de publico especializado.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – http://www.escritorvilmarberna.com.br

Aplicativo de iPhone para confissão não substitui padre, diz Vaticano (BBC)

RELIGIÃO

BBC Online – 9 de fevereiro, 2011 – 13:26 (Brasília) 15:26 GMT

Representantes da Igreja aprovaram o novo aplicativo

O Vaticano alertou que um novo aplicativo para o iPhone, que ajuda fiéis a confessarem nunca poderá substituir o diálogo pessoal com um padre.

O programa, chamado Confissão, foi colocado à venda semana passada pela loja virtual da Apple, iTunes, por US$ 1,99 (aproximadamente R$ 3,32).

O aplicativo foi aprovado por representantes da Igreja Católica nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

Mas, em entrevista à BBC, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que o programa Confissão não serve como substituto para a confissão dos pecados a um sacerdote, como há séculos é feito.

Segundo ele, no passado, era comum que os católicos se preparassem para a confissão escrevendo sobre seus pecados e seus pensamentos, e é natural que na era digital eles substituam a escrita em papel por recursos de informática, como o aplicativo.

O comentário de Lombardi vem em um momento em que a prática da confissão entre os católicos está em queda.

Exame de consciência

O aplicativo guia os usuários no sacramento da confissão e permite que o fiel mantenha um registro de seus pecados.

Ele também facilita que os usuários façam um exame de consciência com base em fatores como idade, sexo e estado civil – mas afirma que não tem como objetivo substituir a confissão inteiramente.

De acordo com o fabricante do programa, a Little iApps, em vez de substituir a confissão inteiramente, o aplicativo procura incentivar os usuários a compreender suas ações e então buscar um padre para obter absolvição.

“Nosso desejo é convidar católicos a se envolverem com sua fé por meio da tecnologia digital”, disse Patrick Leinen, criador do Confissão.

O lançamento foi feito logo após o papa Bento 16 ter exortado católicos a usarem a comunicação digital e mostrarem-se presentes online.

Os criadores do aplicativo disseram ter levado em conta as palavras do papa enquanto preparavam a ferramenta para consumo público.

 

Dr. Google e seus bilhões de pacientes (Ciência Hoje)

Uma análise mais cuidadosa da relação de doentes com a internet leva a crer que médicos e cientistas precisam aprender a lidar com a nova geração de enfermos.

Por: Thiago Camelo

Publicado em 02/02/2011 | Atualizado em 03/02/2011

Dr. Google e seus bilhões de pacientes
Pintura do século 19 retrata visita de médico a casa do paciente. A profissão está longe, bem longe, de ser questionada. Mas muitas pessoas valem-se, atualmente, da pesquisa na internet para entender melhor algumas doenças. (Wikimedia Commons)

Regina Elizabeth Bisaglia, em mais uma consulta de rotina, indicava ao paciente a melhor maneira de cuidar da pressão. Ao mesmo tempo, observava a expressão introspectiva do homem a sua frente. A cardiologista não entendia ao certo a desconfiança em seu olhar, mas começava a presumir o motivo. Logo, entenderia o porquê.

Depois de uma explicação um pouco mais técnica, o senhor abriu um sorriso e o olhar tornou-se mais afável. A médica acabara de falar o que o paciente queria ouvir e, por isso, passava a ser merecedora de sua confiança.

“Entendi. O senhor andou consultando o doutor Google, certo?”, disse, de modo espirituoso, Bisaglia.

A médica atesta: muitas vezes os pacientes chegam ao consultório com o diagnóstico já pronto e buscam apenas uma confirmação. Ou mais: vão ao médico dispostos a testar e aprovar (ou não) o especialista.

“Não adianta os médicos reclamarem. Os pacientes vão à internet pesquisar e isso é um caminho sem volta. Informação errada existe em todos os meios, mas eu diria que muitas vezes é interessante que a pessoa procure se informar melhor”, diz a cardiologista, com mais de 30 anos de profissão.

“Há momentos em que o paciente não confia no que o médico diz ou se faz de desentendido. Nessas horas, é muito importante que ele perceba que existem mais pessoas falando a mesma coisa e passando pelo mesmo problema e que, portanto, é fundamental se cuidar. Nada melhor do que a conversa na rede para isso”, completa a médica.

Discussão antiga

Não é de hoje que a questão do ‘doutor Google’ e do ‘paciente expert‘ é debatida. Mas se antes a maioria dos argumentos pendia a favor dos médicos e contra a pesquisa dos leigos na área – sob o medo compreensível da automedicação ou dá má informação –, agora o viés da conversa caminha para um olhar mais relativista. Estudos sobre o assunto já propõem, inclusive, que os médicos tenham na sua formação uma espécie de aula especial para lidar com os pacientes internautas.

“Médicos e pesquisadores precisam estar cientes de que a informação está lá fora e que os pacientes estão tentando se educar da melhor forma possível”, diz, em conversa por e-mail, a neurocientista norte-americana Katie Moisse.

A cientista também é repórter da Scientific American e escreveu, na edição de fevereiro da revista, um artigo que fala justamente sobre a tríade médico-paciente-internet. No texto, Moisse conta a história do cirurgião vascular Paulo Zamboni, que no final de 2009 relatou um experimento que prometia ajudar os portadores de esclerose múltipla. A questão: Zamboni estava no início da pesquisa e não tinha, até o momento, feito testes rigorosos o suficiente para colocar sua técnica em prática.

Em outros tempos, diz Moisse, poucas pessoas teriam acesso ao estudo. Não foi, naturalmente, o que aconteceu com o cirurgião, que se viu pressionado por grupos de pacientes e seus familiares para disponibilizar, o quanto antes, o procedimento desenvolvido por ele.

Esse fenômeno também não é recente. O primeiro ‘motim’ de um grupo de doentes para que resultados de pesquisas fossem liberados e aplicados rapidamente é amplamente conhecido na literatura médica: na década de 1980, os infectados pelo vírus da Aids não se conformavam com a ideia de que, enquanto pacientes morriam aos milhares, poucos tinham acesso aos primeiros medicamentos (à altura, ainda em fase de teste).

Um verdadeiro grupo de ativistas, alguns com e outros sem a doença, formou-se e, se a relação entre médico e paciente mudou desde então, muito se deve a esses manifestantes.

Novo fenômeno

Hoje, a internet propicia a formação de grupos sobre não apenas uma, mas várias doenças: salas de discussão, fóruns e páginas sobre as mais diversas patologias. Um dos sites mais conhecidos é o Patients like me (Pacientes como eu, em português), uma rede social com quase 50 mil pessoas que reúne pacientes com os mais diversos problemas. O objetivo, como a maioria dos grupos, é o de trocar informação sobre doenças e, também, encontrar alento e apoio naqueles que partilham o mesmo sofrimento.

“A internet certamente faz do mundo um lugar menor. É uma oportunidade maravilhosa para as pessoas compartilharem ideias. Algumas redes de pacientes usam a internet para coletar dados e, até mesmo, publicá-los em periódicos revisados por pares”, conta Moisse.

Em alguns casos, os portais sobre doenças – sejam elas nada letais como a psoríase ou extremamente perigosas como a hepatite C – podem ajudar o paciente a se inteirar mais sobre a doença que, anteriormente, desconhecia.

“A informação disponível na internet pode trabalhar a favor da saúde, como o caso de uma pessoa que descobre que a sua timidez excessiva pode ser na verdade um quadro de transtorno de ansiedade, um transtorno psiquiátrico que tem tratamentos de eficácia comprovada”, diz o psiquiatra Rafael Freire.

É a mesma linha defendida pelo biólogo e neurocientista Daniel Cadilhe, responsável pela mediação entre o leitor-paciente e o portal do Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias.

“No Orkut há uma comunidade com quase 26 mil membros sobre o assunto [células-tronco]. Chegam perguntas diariamente sobre possibilidades de tratamentos utilizando o que estudamos.

Tentamos responder da forma mais clara, realista e responsável possível, sempre passando a informação verdadeira ou indicando quem poderá ajudar a tirar a dúvida”, explica Cadilhe, absolutamente ciente do reboliço que causam as palavras ‘células-tronco embrionárias’.

A grande maioria dos especialistas, como era de se esperar, dá o mesmo conselho para o paciente na hora de pesquisar e se juntar a grupos na internet: seja responsável, busque as melhores referências e procure saber quem está dando a informação. E ainda: lembre-se de que nem sempre o que se deseja ler/ouvir é o diagnóstico correto.

Como diz, com certo humor, a cardiologista Regina Elizabeth Bisaglia, a primeira busca na internet pode ser a mais simplória: “A pesquisa mais importante na rede é o nome de um bom médico para se consultar”.

Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line